segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O céu e o inferno



Uma velha e ingénua mas sugestiva comparação do céu com o inferno é a dos condenados que andam sempre às voltas de um imenso caldeirão de comida, cheios de fome, porque as colheres de que dispõem são tão compridas que entornam o manjar e não conseguem provar nem um bocado. Espécie de suplício de Tântalo.
De igual caldeirão e mesmas colheres dispõem os escolhidos no céu, mas alimentam-se bem, pois cada um dá de comer ao que tem defronte.

Vale a pena a lição sobretudo em tempo de crise. O desemprego ou a falta de encomendas podem tornar «infernal» a nossa vida, mas também podem torná-la «celestial», não só no sentido de unirmos essa nossa cruz à Cruz de Cristo, mas também resistindo a pensar só em nós, no nosso problema, e estando atentos às necessidades e preocupações alheias. Vivendo a caridade.

Além disso, se procuro sozinho resolver a minha situação – da minha família – é mais difícil descobrir soluções do que em companhia de outros em idênticas circunstâncias. A ideia de que só os poderei ajudar quando resolver a minha vida é falsa: se tenho em mente os outros, aquele emprego que não me serve pode servir a outrém; a encomenda que não sou capaz de despachar pode ser útil a outra empresa. Por que não avisá-los?
A solidariedade não se limita a ajudar o mais fraco; o fraco também pode ajudar o mais forte. A rivalidade não serve a ninguém.
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2 comentários:

  1. SER FELIZ...
    CUSTARÁ ASSIM TANTO..?!

    "Quantos "venha daí esse abraço" não deixamos de dar por orgulho ou exagerado respeito? Quantos sorrisos não damos por vergonha ou simples contenção? Se não precisamos de risos idiotas e piadas sonsas, também não precisamos de escudos humanos onde apenas confraternizamos com os amigos do costume, com a família e alguns colegas. Nada disso. A ideia do "venha daí esse abraço" é-me muito cara porque pode simplesmente acontecer entre pessoas que se não conhecem. Pode não ser esta abertura que muitos não têm por timidez, constrangimento pessoal ou o que for, mas pelo menos a receptividade interior em gesto tácito de acolhimento. E é aqui que reside o mérito: no sairmos de nós e ir ao encontro... mesmo de quem não conhecemos. Afinal, .... somos todos estranhos até nos conhecermos!"

    (Daniel Silva)

    E como diz um provérbio africano, "Se queres chegar primeiro, corre sozinho. Se queres chegar mais longe, caminha em companhia do outro".
    É mesmo isto.
    Seremos felizes nesta plenitude de vida.

    dulce ac

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  2. É verdade! É quando partilhamos que mais crescemos e aprendemos. É na Caridade que chegamos ao Céu.

    "A rivalidade não serve a ninguém".

    Obrigado,
    Filipe.

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