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terça-feira, 19 de julho de 2016

Quero agradecer a Deus Pai

 

Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. 

Deixar uma palavra especial ao presidente, dr. Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendentes.
A toda a direcção e a todos os que viveram comigo estes meses. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido o seu treinador. A estes e aqueles que aqui não puderam estar presentes. Também é deles esta vitória. 

O meu desejo pessoal é ir para casa. Poder dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos, ao meu neto, ao meu genro e à minha nora e ao meu pai, que junto de Deus está certamente a celebrar.

A todos os amigos, muitos deles meus irmãos, um abraço muito apertado pelo apoio mas principalmente pela amizade. 

Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome".

Fernando Santos, treinador da seleção de futebol de Portugal

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tenho ao cimo da escada...



Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo entrando os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de Madeira
Arrancada a um Calvário de capela.

Põe as mãos com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.

Mãe das Dores, seus olhos enevoados
Olham chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados
Peço-lhe: - A sua bênção, Mãe!

Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor; quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!
Só isso bastaria a me dar paz.

“Porque choras Mulher?... – docemente a repreendo,
Mas à minh’alma, então, chega de longe a sua voz
Que eu bem entendo:
“Eu sei! Teus filhos somos nós”.

José Régio (1901-1969)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O Nó no Lenço

Numa reunião de pais numa escola, a professora ressalvava o apoio que os pais devem dar aos filhos e pedia-lhes que se mostrassem presentes, o máximo possível...
Considerava que, embora a maioria dos pais e mães trabalhasse fora, deveriam arranjar tempo para se dedicar às crianças.
Mas a professora ficou surpreendida quando um pai se levantou e explicou, humildemente, que não tinha tempo de falar com o filho nem de vê-lo durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava a dormir e quando regressava do trabalho era muito tarde e o filho já dormia.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar tanto para garantir o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava compensá-lo indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.
Mas, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo.
Quando o filho acordava e via o nó, sabia logo, que o pai tinha estado ali e o tinha beijado.
O nó era o meio de comunicação entre eles.
A professora emocionou-se com aquela história e ficou surpreendida quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.
Este facto, faz-nos reflectir sobre as muitas maneiras de as pessoas se mostrarem presentes, e de comunicarem com os outros.
Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente.
E o mais importante é que o filho percebia, através do nó, o que o pai estava a dizer.
Simples gestos, como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou a presença indiferente de outros pais.
É por essa razão que um beijo cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, ou o medo do escuro...
É importante que nos preocupemos com os outros, mas é também importante que os outros o saibam e que o sintam.
As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem reconhecer um gesto de amor.
Mesmo que esse gesto seja apenas e só, um nó num lençol..."

domingo, 1 de maio de 2016

Uma mãe não tem dia, tem vidas




O que faz a diferença entre as mães e o resto do mundo é que uma mãe é incondicional: ela não impõe condições de espécie alguma e para nada. Uma mãe é sempre igual e do primeiro ao último dia. Seja como for o filho, uma mãe não lhe vê defeitos, reconhece-lhe apenas algumas fragilidades. Para ela, os filhos cometem erros ou fazem asneiras, mas não são maldosos; fazem disparates, mas não são desastrados. Eles até podem mentir, o que não quer dizer que sejam desonestos. É verdade que muitas vezes não se esforçam, mas isso não faz deles preguiçosos. E se estão inseguros, não significa que sejam fracos.

Para uma mãe, o verbo ser só se aplica às qualidades e às virtudes; os verbos estar ou fazer aplicam-se aos defeitos. Porque um filho não tem defeitos, apenas está a crescer. E ele cresce a vida toda. Por isso uma mãe não condena, ela censura; não se vinga, corrige e emenda; também não se revolta, apenas se entristece. E não desiste. Nunca desiste.

Do primeiro ao último dia, as mães mantêm uma esperança infinita nos filhos. Nenhum filho é um projeto falhado ou uma frustração. Ela também nunca se desilude porque não tem ilusões: tem a certeza de que o filho é maravilhoso. A angústia de uma mãe é a infelicidade do filho e não a dela. Daí que as mães nunca se deixem guiar pela razão - pois aquilo que guia a esperança é puramente emocional. Para uma mãe, os filhos são diamantes em bruto que ela tem a obrigação de lapidar. E quando o trabalho não corre bem, a culpa não é certamente deles, é dela - a técnica especializada.

Uma mãe é incondicional porque parte do princípio de que os filhos são mais importantes, mais valiosos do que qualquer outra coisa no mundo incluindo ela, da mesma forma que um diamante é mais valioso do que a máquina que o corta. O que faz as mães especiais é que as mães dão sentido ao sofrimento: sofrem sempre por um bem maior que é cada um dos filhos. E por isso sofre-se a sorrir. Pelo menos a minha mãe é assim. Perfeita.

Inês Teotónio Pereira
DN 2016.04.30

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A pastoral do abraço do Papa Francisco



Por Pastoral entende-se o cuidado dos fiéis cristãos, por parte dos seus pastores, para encaminhá-los à plena salvação do Reino de Deus, por isso, podemos falar de diversos métodos pastorais. Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância da palavra, oral ou escrita, para anunciar o evangelho do Senhor.

Porém, à palavra é preciso acrescentar as imagens e os sinais sacramentais que falam aos sentidos. E não podemos esquecer a música e os modernos meios de comunicação com todas as variedades informáticas recentes.

No entanto, o Papa Francisco acrescentou a estes métodos pastorais um caminho pastoral novo: a pastoral dos gestos significativos e, concretamente, a pastoral do abraço.

Desde o início do seu pontificado, Francisco realizou gestos muito significativos (não residir nos Palácios apostólicos vaticanos, vestir e viajar de forma simples, ir a Lampedusa...), mas, principalmente, abraçando crianças e doentes, anciãos e mendigos, gente com diferentes capacidades físicas, imigrantes africanos e asiáticos…

 Na sua recente viagem à América Latina também abraçou homens e mulheres privados de liberdade e a todos os que se aproximaram dele para lhe manifestar o seu testemunho e os seus pedidos. São abraços ternos e fortes ao mesmo tempo, sem palavras, como os abraços de Jesus nas crianças da Palestina, ou como o abraço do pai, da parábola, ao seu filho que chegava a casa destroçado e dolorido.

A Igreja quer-se manifestar deste modo, como uma mãe carinhosa, não como uma governanta rabugenta que com o seu dedo erguido ameaça todos os que se desviaram do bom caminho... Como disse João XXIII, na inauguração do Concílio Vaticano II, neste nosso tempo a Igreja prefere usar a medicina da misericórdia, mais do que a da severidade.

Não há que ser especialmente culto ou profissional para descobrir que o abraço expressa proximidade, afeto, carinho, solidariedade, empatia, amor. O abraço é, sem dúvida, algo comum na família e na sociedade, mas quando acontece no âmbito religioso expressa com gestos concretos o amor e a benevolência de Deus Pai para com os seus filhos e filhas, seja qual for a sua situação física, cultural, social ou moral. É um abraço que antecipa o abraço eterno do Pai em suas criaturas, no final dos tempos.

Por isso, Francisco não se limita a falar dos pobres ou a optar por eles, mas, sim, aproxima-se dos pobres e abraça-os. Não é simplesmente um abraço pastoral, é algo mais profundo, a pastoral do abraço. É um abraço que tem um profundo sentido profético de denúncia de um sistema que descarta e exclui. Por isso, Francisco abraça especialmente aqueles que não têm quem os abrace, os solitários, os marginalizados, os descartados, os feridos do caminho. E a estes manifesta a ternura e o carinho de Deus.

Certamente, a pastoral do abraço precisa ser complementada com outras mediações pastorais, mas é com segurança o caminho pastoral mais impactante, em muitos casos o mais necessário e o único possível quando as palavras e os gestos são incapazes de expressar algo muito profundo. Os setores populares são aqueles que melhor captam este tipo de pastoral. Ao contrário, o irmão mais velho da parábola não compreendeu a razão pela qual o seu pai abraçava o filho desviado.

O abraço pastoral faz parte da dimensão de encarnação da salvação e da graça. Deus não nos acessa através de uma espécie de fluidos etéreos e invisíveis, mas, ao contrário, através de mediações sensíveis, físicas, corporais, sacramentais. O abraço pastoral é como um sacramento que expressa a dignidade de cada pessoa e o amor misericordioso do Pai, que se revelou a nós em Jesus e que o Espírito atualiza na história.

E por isso não basta o abraço litúrgico da paz na eucaristia, é preciso ir à rua e abraçar o pobre, o enfermo, a mulher abandonada, o ancião desamparado, o privado de liberdade. Como afirma o Papa Francisco, no abraço ao pobre estamos a abrçar a carne de Cristo.

Francisco, na sua recente viagem pela América Latina, intensificou os seus abraços e através desta pastoral do abraço aproximou-nos da presença e ternura de Deus. Com os seus abraços, manifestou-nos e expressou o abraço de Deus ao seu povo. E abriu-nos um caminho pastoral para que façamos o mesmo: a pastoral do abraço. Seremos capazes de segui-la?


(iMissio.net)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Mãe desnecessária



A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Dê a quem ama:
- Asas para voar
- Raízes para voltar
- Motivos para ficar

Dalai Lama

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Reconhecer a mãe



Com a aproximação do Dia da Mãe, que se celebra a 3 de Maio, começam a surgir campanhas relacionadas com o tema e a marca de jóias Pandora decidiu fazer uma experiência muito original para assinalar a data este ano.

A marca colocou várias crianças com os olhos vendados, a tentarem reconhecer as respectivas mães no meio de um grupo de várias mulheres, através do toque, do cheiro ou qualquer outro meio que não a visão ou a audição.

O vídeo mostra também a emoção das mães quando são reconhecidas pelos seus filhos e pretende salientar a ligação única que existe entre mães e filhos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A despedida de Jesus



«Querida mãe: quando acordares já terei partido»: A despedida e o Batismo de Jesus

«Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão» (Do Evangelho do Domingo do Batismo do Senhor, 11.1.2015) 

Que rápido passámos do nascimento de Jesus ao seu Batismo no Jordão! Passaram três semanas e o Menino nascido no pesebre de Belém aparece já como um homem feito, que decide sair da sua casa em Nazaré, deixando para trás a vida familiar, o ofício de artesão, as paisagens suaves da Galileia, para ir ao encontro do profeta João, que está a batizar do outro lado do rio Jordão, no sul do país.

Que arrebatamento ocorreu a Jesus para deixar a vida tranquila e embarcar numa aventura que em pouco tempo o levaria à cruz? Que sonhos levava este jovem no peito para tomar essa decisão? Não encontrei melhor explicação para estas perguntas senão numa carta escrita por um sacerdote espanhol, José Luís Cortés, que tenta recriar os sentimentos de Jesus naquele momento da sua vida. É uma carta dirigida à Virgem Maria, em que Ele explica o que move a deixar a casa.

«Querida mãe: quando acordares já terei partido. Quis poupar-te a despedidas. Já sofreste muito, e sofrerás ainda mais. Agora é noite, enquanto te escrevo. Quero dizer-te por que me vou, por que te deixo, por que não fico na oficina a fazer ombreiras para portas ou cadeiras o resto da minha vida.
Durante trinta anos observei as pessoas do nosso povo e tentei compreender para que viviam, por que se levantavam a cada manhã e com que esperança adormeciam todas as noites. O João, dos refrescos, e com ele metade de Nazaré, sonham em fazer-se ricos e acreditam de verdade que quanto mais coisas tiverem, mais completos vão ser. O chefe da cidade e os outros põem o sentido das suas vidas em conseguir mais poder, ser obedecidos por mais pessoas, ter capacidade para dispor do futuro dos outros homens. O rabino e as suas seguidoras já desistiram de tudo o que significa esforçar-se por crescer e desculpam-se fazendo-o passar por vontade de Deus. (…)

Às vezes, mãe, quando chegavam cartas e soava a trombeta na praça, quando as pessoas acorriam de todos os lados, eu fixava-me nesses rostos que esperavam ansiosamente, delirantemente, de qualquer lugar e de qualquer remetente, uma boa notícia; teriam dado a metade das suas vidas para que alguém lhes abrisse, de fora, uma fenda nos seus muros. Vinham-me ganas de me pôr no meio deles e gritar-lhes: "A boa nova já chegou! O Reino de Deus está dentro de vós! As melhores cartas vão chegar de dentro de vós! Porque repetem que estão coxos se Deus vos deu pernas de gazela?".

Sinto-me tomado pela plenitude da vida, mãe. E descubro-me aceso num fogo que me leva e me faz contar aos homens notícias simples e belas que ninguém diz (e se alguém chega a dizer, logo o censuram). E queria queimar o mundo com esta chama; que em todos os cantos houvesse vida, mas vida em abundância. Já sei que sou um carpinteiro sem licenciatura e que acabei de completar a idade para poder abrir os lábios em público. Não me importaria esperar mais, pensar mais, ser mais maduro, “fazer a minha síntese teológica”… (…)

Mas… há demasiada infelicidade, mãe. Demasiados cegos, demasiados pobres, demasiada gente para quem o mundo é a blasfémia de Deus. Não se pode crer em Deus num mundo onde os homens morrem e não são felizes… a menos que se esteja do lado daqueles que dão a vida para que tudo isso não aconteça; para que o mundo seja como Deus o pensou (…).»

Jesus seguiu o caminho que Deus lhe apontava; a sua vocação foi ser filho amado de Deus e irmão de todos os homens e mulheres que partilham a sua mesma vocação. Isso significa o Batismo de Jesus, e isso significa o nosso próprio Batismo.

P. Hermann Rodríguez Osorio, S.J. 
In "Periodista Digital" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 10.01.2015

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A "sagrada" família de Rembrandt

Imagem


É conhecida a expressão que define a Escritura como o «grande códice» da civilização ocidental, ou seja, o ponto de referência não só para a fé, mas também para a cultura de todos. Basta cruzar a entrada de uma pinacoteca ou estudar a literatura dos séculos passados para constatar que boa parte da arte e dos escritos é incompreensível sem a Bíblia.

Um dos muitíssimos temas sagrados representados é a cena familiar de Maria, José e do pequeno Jesus dispostos quase como que em pose, como acontece nos nossos dias nos instantâneos fotográficos das famílias. O mais comum destes quadros, que no passado marcou presença em muitas casas cristãs, é a Sagrada Família de Bartolomé E. Murillo (1617-1682), pintor espanhol de Sevilha, conservado no Museu do Prado, em Madrid.

Quanto a mim, gostaria de propor outra tela. Há alguns anos, ao visitar o Museu Hermitage de S. Petersburgo, fiquei durante longo tempo na sala onde estão colocadas várias obras de Rembrandt, grande pintor e gravador holandês do séc. XVII. Conquistou-me, com efeito, a sua extraordinária releitura da denominada “parábola do filho pródigo”, do Evangelho segundo Lucas (11, 11-32), centrada na figura do pai que acolhe a abraça o filho.

Naquela ocasião descobri uma curiosa e doce Sagrada Família que o artista terá pintado cerca do ano 1645. A representação respondia a um critério típico da arte cristã: “atualizar” o texto bíblico, incarnando-o na existência quotidiana. Neste caso, impressiona Maria, que, toda inclinada sobre o berço do seu pequenino, como uma mãe cuidadosa, ajeita uma pequena coberta sobre a parte superior, com a mão direita, enquanto que na esquerda segura uma Bíblia.

É significativa a atmosfera realista desta pequena cena, mesmo no menino Jesus que dorme placidamente e que Maria quer proteger da luz com o pano que estende. A ternura do conjunto revela um aspeto “atualizante”: Rembrandt tinha experimentado mais de uma vez na sua vida a perda de um filho recém-nascido. O quotidiano continua a manifestar-se com a figura de José, concentrado no seu trabalho de carpinteiro. E é precisamente no seu gesto – como no de Maria – que se entrevê a dimensão teológica que o pintor queria atribuir ao retrato.

José, com efeito, está a trabalhar um tronco, e a forma resultante, ainda ambígua, pode ser a de um jugo, que recorda a frase de Jesus: «O meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mateus 11,30). Ou poderia tratar-se do poste evocativo da cruz, o último destino terreno daquele Menino.

O gesto da Mãe poderia aludir à cobertura de Cristo com a pedra tumular. Muitos ícones russos, efetivamente, a partir da Escola de Novgorod (séc. XV), representam a manjedoura em que é deposto o pequeno Jesus como um sepulcro. E os anjos em voo na tela de Rembrandt confirmam esta interseção, na família de Nazaré, entre divino e humano, entre história e eternidade.



Imagem
Sagrada Família | Rembrandt | Museu Hermitage, S. Petersburgo, Rússia | D.R.



Card. Gianfranco Ravasi 
Presidente do Pontifício Conselho da Cultura 
In "Famiglia Cristiana" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 6.1.2015

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Andar contracorrente

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Papa Francisco pede à Imaculada Conceição que a Igreja possa «andar contracorrente»

O papa Francisco rezou ontem diante da imagem da Imaculada Conceição localizada na Praça de Espanha, em Roma, pedindo-lhe que os cristãos se comportem «contracorrente» durante o tempo do Advento, que antecede o Natal. A tradição desta oração radica na definição do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, que se assinala a 8 de dezembro, formulação que foi definida em 1854 pelo beato papa Pio IX. Três anos depois, a 8 de setembro de 1857, o papa abençoou e inaugurou o monumento da Imaculada na Praça de Espanha. Mais tarde, o papa Pio XII começou a enviar flores para a imagem. Em 1958, S. João XXIII recolheu-se na Praça de Espanha e depôs aos pés do monumento um cesto de rosas brancas. A seguir o papa visitou a basílica de Santa Maria Maior. O costume prosseguiu com os papas beato Paulo VI, S. João Paulo II e Bento XVI.

Texto da oração de Francisco diante da imagem da Imaculada Conceição:

«Ó Maria, Mãe nossa, hoje o povo de Deus em festa venera-te, Imaculada, preservada desde sempre do contágio do pecado. Acolhe a homenagem que te ofereço em nome da Igreja que está em Roma e no mundo inteiro.

Saber que tu, que és nossa mãe, és totalmente livre do pecado dá-nos grande conforto. Saber que sobre ti o mal não tem poder enche-nos de esperança e de fortaleza na luta quotidiana que nós devemos realizar contra a ameaça do maligno.

Mas nesta luta não estamos nós, não somos órfãos, porque Jesus, antes de morrer na cruz, deu-nos a ti como mãe. Nós, por isso, ainda que sendo pecadores, somos teus filhos, filhos da Imaculada, chamados àquela santidade que em ti resplandece pela graça de Deus desde o início.

Animados por esta esperança, nós hoje invocamos a tua materna proteção por nós, pelas nossas famílias, por esta cidade, pelo mundo inteiro. O poder do amor de Deus, que te preservou do pecado original, por tua intercessão livre a humanidade de toda a escravidão espiritual e material, e faça vencer, nos corações e nos acontecimentos, o desígnio de salvação de Deus.

Faz com que também em nós, teus filhos, a graça prevaleça sobre o orgulho e possamos tornar-nos misericordiosos, como é misericordioso o nosso Pai celeste. Neste tempo que nos conduz à festa do Natal de Jesus, ensina-nos a andar contracorrente: a despojarmo-nos, a abraçarmo-nos, darmo-nos, a escutar, a fazer silêncio, a descentrarmo-nos de nós mesmos, para deixar espaço à beleza de Deus, fonte da verdadeira alegria.

Ó Maria nossa Imaculada, ora por nós!»




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Maria passa na frente



Senhor, eu sei que me conheces 
e sabes dos meus problemas
Eu sei que me acompanhas 
mesmo quando eu me perco
eu sei que quando tudo me falta,
o Senhor está comigo
Eu sei que Tu me destes uma mãe Maria
A Tua mãe é a minha mãe

Maria na simplicidade de sua presença
nunca esteve ausente
nos momentos em que a angústia 
atormentava as celebrações da vida
ela soube reconhecer e interceder

Por isso eu peço a mãe:
Intercede por mim
Quando o vinho acabar, intercede por mim
Quando alguma coisa faltar, intercede por mim
Quando eu me perder, intercede por mim
Quando eu pecar, intercede por mim
Quando eu deixar de amar, intercede por mim

Senhor amado, 
obrigado pela mãe que nos destes
É mais uma prova de Teu imenso amor, Ágape

Cuida de nós,
Amém.

Pe. Marcelo Rossi

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Gosto muito de estar com a mãe


Faz hoje uma semana que o Carlos (nome fictício) me falou a dizer que tinha encontrado a mãe, que procurava há 26 anos, depois desta o ter abandonado quando tinha 4 anos. Foi nessa tarde para Vila Franca de Xira e nessa noite mandou-me uma mensagem a dizer: 
- “Gosto muito de estar com a mãe”. 

Mais tarde, quando lhe falei e lhe perguntei se a mãe o tinha recebido bem e se tinha gostado de o ver, disse-me com simplicidade e despreocupação: 
- “Bem, acho que eu gostei mais do que ela”. 

Fiquei a pensar se não iria haver um desajuste entre eles - uma mãe que abandona e um filho que não pensa em mais ninguém e em mais nada senão nela e em a encontrar... No dia seguinte, terça-feira, veio ao Porto e despediu-se do emprego, fez contas com amigos, despediu-se também de mim. E na própria terça-feira voltou para Vila Franca ao fim da tarde. 

Quando tentei que ele reconsiderasse tanta precipitação, disse-me com uns olhos molhados:
-  “Não pode perceber, ninguém pode perceber. Eu adoro muito a minha mãe, não me quero separar mais dela”. 

Não insisti. Que direito tinha de fazer as coisas à minha maneira? O que sei disto? À noite falou a dizer que tinha chegado bem, e nunca mais deu noticias. Ontem, Domingo, falei-lhe e perguntei como se estavam a passar as coisas, ele respondeu que estava tudo bem:
- “Eu estou com a minha mãe e estou feliz, agora só preciso de arranjar um emprego. Para a ajudar. Vou tomar conta dela”. 

Fiquei muda. Este rapaz está a viver uma página do Evangelho. O “permanecer” uma vida inteira na procura da mãe. O encontro sem nenhuma queixa, e uma necessidade de ajudar a mãe e de tomar conta dela. Um rapaz que guardou o seu segredo fechado no coração ferido e triste mas cheio de esperança,e de amor. Uma Missa (a do Natal do ano passado) que mexeu com ele ao ponto de o fazer finalmente chorar. O Carlos está a escrever uma página de um 5º. Evangelho. Louvado seja Deus.

«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.» (Mt. 22, 36-40)

Tereza Olazabal

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Carta às mães mais que perfeitas



Querida Mãe:

Eu já te vi por aí.
Eu vi-te a gritar com os teus filhos em público, vi-te a ignorá-los no parque, vi-te a levá-los à escola antes de teres tomado banho, e de calças de pijama por baixo do casaco.
Eu vi-te a implorares aos teus filhos, vi-te a suborná-los, e a ameaçá-los.
Eu vi-te a gritar feita louca com o teu marido, com a tua mãe, e com o agente de polícia no cruzamento da escola.
Eu já te vi a correr com os miúdos de um lado para o outro, a sujares-te no parque e a praguejares em voz alta depois de bateres com o joelho na esquina da cadeira.
Eu vi-te a partilhares um leite achocolatado com um maníaco de 4 anos. Vi-te a limpar o nariz dos teus filhos com os dedos e a limpa-los na parte de trás das calças de ganga. Vi-te a correr com o teu bebé de 2 anos pendurado na dobra do teu braço, para apanhares a bola que está a fugir para a estrada.
Eu já te vi a ranger os dentes enquanto o teu filho gritava contigo porque não queria ir à aula de piano, à natação, ou ao treino de futebol. Eu vi-te a fechar os olhos e a respirar fundo depois de entornarem um copo de leite inteiro em cima. Vi-te a chorar desesperada enquanto tentavas tirar lápis de cera da tua melhor mala.
Eu já te vi na sala de espera do hospital. Eu vi-te no balcão da farmácia. Vi-te com o teu olhar cansado e assustado.

Eu não sei se tinhas planeado ser mãe ou não.
Se soubeste desde sempre que querias pôr crianças neste mundo, cuidar deles, ou se a maternidade te apareceu de surpresa.
Não sei se correspondeu às tuas expetativas, ou se passaste os primeiros tempos como mãe aterrorizada porque tinhas imaginado que sentirias o “amor materno” doutra forma.
Não sei se tiveste dificuldade em engravidar, se perdeste algum bebé, ou se tiveste algum parto traumático.
Nem sequer sei, se concebeste o teu filho no teu ventre, ou se o acolheste na tua família.

Mas eu conheço-te.
Eu sei que não alcançaste tudo o que querias na vida. Sei que há coisas que nunca soubeste que querias até teres filhos.
Eu sei que, às vezes, pensas que não estás a dar o teu máximo e que podias fazer melhor.
Eu sei que olhas para os teus filhos e te revês neles.
Eu sei que às vezes apetece-te atirar um candeeiro ao teu filho adolescente, e atirar o de 3 anos pela janela.
Eu sei que há noites que, depois de deitar os miúdos, estás tão exausta que só te apetece enrolares-te na cama a chorar.
Eu sei que há dias tão difíceis que só queres que acabem depressa. Depois, na hora de ir para a cama os teus filhos abraçam-te e enchem-te de beijinhos, e dizem o quanto gostam de ti, e de repente querias que o dia durasse para sempre.

Mas nada dura para sempre.
Os dias terminam, e o dia a seguir é um novo desafio. Febres, desgostos amorosos, trabalhos da escola, novos amigos, novos animais de estimação e novas dúvidas. E todos os dias, fazes o que tens de fazer.
Vais trabalhar, ou ficas em casa pões o bebé na cadeirinha e ligas o aspirador. Ou vais até ao jardim passear com ele.
Largas tudo para moderar uma discussão sobre de quem é a vez de usar aquelas canetas especiais, para dar um beijinho ao óó da tua filha, ou para conversar sobre qual é a cor do batom que a mãe do Pinóquio usava.
Eu sei que fazes guerras de cocegas em castelos de lençóis, e que sabes de cor as histórias de, pelo menos, 8 livros ilustrados e todos os meus cds. Eu sei que danças de forma ridícula quando vocês estão sozinhos. E que inventam canções parvas sobre queijo, maus cheiros, ou ervilhas.
Eu sei que uma hora depois de deitares os teus filhos, largas o que estás a fazer e vais cortar as unhas do mais novo. Sei que paras de arrumar a cozinha, porque a tua filha te convidou para a festa de chá que está a fazer com as bonecas, e faz questão que lá estejas.
Eu sei o que custou tratares dos teus filhos quando tiveste aquela virose de 4 dias. Sei que comes os restos dos pratos deles, enquanto arrumas a cozinha.
Eu sei que não contavas com muitas destas coisas. Sei que não antecipaste amar alguém tão intensamente, ou andar tão cansada, ou ser a mãe em que te vieste a tornar.
Pensavas que tinhas tudo planeado. Ou então, estavas perdida e aterrorizada. Ias contratar a babysitter perfeita. Ou ias deixar de trabalhar e aprender tudo sobre crianças.
Sei que não és a mãe perfeita. Por mais que tentes, e por mais que te esforces. Tu nunca serás a mãe perfeita.
E isso, provavelmente, vai perseguir-te. Ou se calhar fizeste as pazes com isso. Ou talvez nem nunca tenha sido um problema.
Eu sei que acreditas que independentemente do que fizeres, poderias ter feito sempre mais.

A realidade é outra.
Não interessa o pouco que fizeste, no fim do dia os teus filhos vão sempre amar-te. Vão continuar a rir para ti, e acreditar que tens poderes mágicos que podes curar quaisquer coisas.
Independentemente do que acontecer no trabalho, na escola, ou num grupo de amigos, tu fazes, sempre, tudo o que está e não está ao teu alcance para garantir que no dia a seguir os teus filhos estarão tão felizes, saudáveis e espertos quanto é possível.

Feliz ou infelizmente, não há pais perfeitos. Os teus filhos vão crescer determinados a ser diferentes de ti. Vão crescer com a certeza de que não vão pôr os seus filhos nas aulas de piano, de que vão ser mais brandos, ou mais rigorosos, ou ter mais filhos, ou ter menos, ou não ter nenhum.
Um dia os teus filhos vão estar a correr como loucos na igreja, a portar-se pessimamente no restaurante a fazer caretas para o lado, e alguém vai passar e elogiar a tua família.

Uma certeza podes ter: não és perfeita!
E isso é bom. Porque na realidade, nem os teus filhos são perfeitos. E ninguém no mundo se preocupa mais com eles do que tu, ninguém sabe porque é que eles estão a chorar senão tu, ninguém percebe as piadas deles melhor do que tu.
E já que ninguém é perfeito, tens de desempatar com 2 biliões de pessoas que estão em primeiro lugar “ex aequo” para concorrer à melhor mãe do mundo.
Parabéns melhor Mãe do Mundo. Tu não és perfeita. És mais que perfeita:

És tão boa mãe como o resto do mundo.

Lea Grover

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Cartas de Eusébio: Deus ajuda sempre


Lisboa,
Estádio da Luz, 5/8/1967.

Conversámos muito, em Dezembro de 1960, no Hospital, quando fui operado. Falei-lhe da minha Mãe e do muito que lhe devo, falei-lhe dos meus irmãos e dos meus desejos de vir a ser um homem como se deve ser.

Agora passados alguns anos confirmo tudo o que lhe disse então: lembro-me muito da minha Mãe e dos conselhos que sempre me deu; escrevo-lhe e às vezes telefono-lhe para ter o gosto de a ouvir e para que a Mãe Elisa tenha também o gosto de escutar a voz do filho, pois é muito minha amiga.

Ao que então disse a respeito da Mãe, junto agora um novo amor, Flora, a Mulher com quem casei.

A vida, a experiência destes 7 anos, ensinaram-me algumas coisas úteis. Tenho viajado muito, visitei muitos países imensas cidades, convivi com muita gente e aprendi alguma coisa.

Não sei se o futebol me deverá alguma coisa, mas o que sei é que eu devo muito ao futebol.

Na vida há sempre dificuldades a vencer e problemas que temos de resolver. Mas resolvem-se quando a nossa vontade é forte. E Deus ajuda sempre...

Eusébio da Silva Ferreira

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Cartas de Eusébio: "A minha formação cristã"


Lisboa,
Hospital da C. U. F.
Dezembro de 1960.

Aqui estou neste Hospital depois da operação que há dias me fizeram. Espero que hei-de ficar bom depressa. Deus há-de-me ajudar.

Desde que vim de Moçambique lembro-me muito de minha Mãe. Escrevo-lhe muitas vezes a dar notícias minhas, porque sei que ela gosta muito de as receber. Eu gosto de lhe dar alegria. No futuro, se as coisas me correrem bem, ela nunca será esquecida, Se eu triunfar no futebol e os jornais vierem a falar de mim e se eu ganhar dinheiro grande, não quero isso para vaidade minha. Quero para dar alegria à minha Mãe. Não gosto de ser vaidoso, mas quero que os meus triunfos vão dar gosto à minha Mãe. Ela merece. Fez muito pelos filhos, por mim e pelos meus irmãos. Não esqueço a formação que me deu, para ser um homem bom e honrado.

A formação cristã que minha Mãe me deu e a que recebi também dos padres missionários que estavam lá perto da minha terra hão-de ajudar-me muito na vida.

A minha Mãe Elisa é extraordinária, Também quero ajudá-la com o dinheiro que eu ganhar.

Lembra-se da conversa que tivemos aqui, há pouco, neste quarto do Hospital, com o sr. José Travassos que veio também visitar-me? Estávamos só os três. Conversámos muito. O sr. Travassos, que foi grande jogador, foi muito largo nos elogios que me dirigiu. Ouviu aquilo que ele me disse e que eu não esperava?:

«O Eusébio, se trabalhar e se tiver sempre juízo, pode ir longe no futebol. Já o vi jogar, e digo-lhe que tem qualidades para vir a ser o melhor jogador português de todos os tempos. Aproveite-as, trabalhe e nunca seja vaidoso.»

Isto foi o que disse o sr. José Travassos ao querer ser amável comigo, lembra-se? Como sou muito novo e estou a começar a minha carreira, naturalmente ele disse aquelas coisas só para me estimular. Mas vou aproveitar o estímulo e vou trabalhar a sério, para vir a ser alguém. Não quero vaidades. Quero ser um homem, e quero dar muitas alegrias à minha Mãe Elisa.

Eusébio da Silva Ferreira


in Con. António de Azevedo Pires, 
O que as almas são por dentro - 99 Testemunhos, 
Editorial Pórtico, 1967.

domingo, 13 de outubro de 2013

Mãe do Silêncio e da Humildade



Mãe do Silêncio e da Humildade,
tu vives perdida e encontrada, no mar sem fundo do Mistério do Senhor.
Tu és disponibilidade e recetividade. Tu és fecundidade e plenitude.
Tu és atenção e solicitude pelos irmãos.
Estás revestida de fortaleza.
Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual.
És senhora de ti mesma, antes de seres nossa Senhora.
Em ti não existe dispersão.
Num ato simples e total, a tua alma, toda imóvel,
está paralisada e identificada com o Senhor.
Estás dentro de Deus e Deus dentro de ti.
O Mistério total envolve-te, penetra-te e possui-te, ocupa todo o teu ser.
Parece que em ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo:
o tempo, o espaço, a palavra, a música, o silêncio, a mulher, Deus.
Tudo ficou assumido em ti e divinizado.
Jamais se viu figura humana de tamanha doçura,
nem se voltará a ver nesta terra
uma mulher tão inefavelmente evocadora.
Entretanto, o teu silêncio não é ausência, mas presença.
Estás abismada no Senhor
e ao mesmo tempo atenta aos irmãos, como em Caná.
A comunicação nunca é tão profunda como quando não se diz nada,
o silêncio nunca é tão eloquente como quando se comunica.
Faz-nos compreender que o silêncio não é desinteresse pelos irmãos,
mas fonte de energia e de irradiação;
não é encolhimento, mas projeção.
Faz-nos compreender que, para derramar, é preciso encher-se.
Afoga-se o mundo no mar da dispersão
e não é possível amar os irmãos com um coração disperso.
Faz-nos compreender que o apostolado, sem silêncio,
é alienação, e que o silêncio, sem apostolado, é comodidade.
Envolve-nos no teu manto de silêncio
comunica-nos a fortaleza da tua Fé,
a altura da tua Esperança e a profundidade do teu Amor.
Fica com os que ficam e vai com os que partem.
Ó Mãe admirável do Silêncio.

Inácio Larrañaga

quinta-feira, 26 de setembro de 2013




A propósito dos aniversários de tomada de posse nas minhas duas paróquias, alguém dizia-me que ser sacerdote é ser como uma mãe...

"Mas pensa que uma mãe seja pobre ou rica se dedica inteiramente aos filhos e muitas das vezes eles crescem e nem se quer a visitam. Mas ela, por mais que o seu sacrifício ao longo da vida não seja reconhecido, vai continuar  amando-os"

sábado, 1 de junho de 2013

Hoje pude perceber como és importante, Mãe




Maria, minha Mãe e Mãe de toda a Igreja, 
hoje, 13 de Maio, recordamos a tua aparição aos Pastorinhos, em Fátima.
E, como não podia deixar de ser, hoje pensei em ti.

Hoje pude olhar e ver tantos irmãos que seguem o teu exemplo, que, como tu, querem dizer Sim à vontade de Deus.
Hoje pude perceber como és importante, Mãe, para os teus filhos.
Hoje pude ver um Pastor e as suas ovelhas a porem aos teus pés as suas vidas, pois sabem que em ti encontram toda a confiança e segurança necessárias nas suas caminhadas na Fé.
Hoje tive mais certezas de que o amor de Mãe não se explica, não tem definição, ele está presente em cada pequeno gesto teu.

Maria, hoje pude pensar mais, reflectir no quão grande exemplo és para mim e para toda a comunidade

O teu olhar transmite-nos esperança, relembra-nos que a vida é feita de alegria, mas também tem os seus sofrimentos. Tu própria recebeste a notícia do Anjo Gabriel, alegraste-te no nascimento de Jesus, mas também viste o teu Filho a ser crucificado; porém sempre fizeste a vontade do Pai.

No teu sorriso vemos a certeza de que nunca estamos sós, que temos sempre um Pai e uma Mãe, prontos a ouvir-nos, e que podemos sempre sorrir e ver o lado positivo perante qualquer situação.

Nos teus braços sentimos uma ternura e um carinho que nos envolvem, que nos fazem sentir especiais; os teus braços estão sempre abertos, prontos a acolher-nos, quando mais precisamos, quando menos merecemos.

No teu colo encontramos um abrigo nos dias de tempestade, um aconchego que nos dá mais forças quando pensamos que já não as temos; nele sentimo-nos seguros, com confiança para partilhar os nossos sorrisos e as nossas lágrimas, os nossos medos e as nossas conquistas. É no teu colo que esquecemos as preocupações, que voltamos a ser crianças, vendo a vida com simplicidade.

No teu exemplo vemos um modelo a seguir; uma humildade, entrega, confiança e disponibilidade que são as nossas aspirações enquanto cristãos; aprendemos a ver mais o "outro" e menos o "eu", a usar mais a palavra "dar" do que "receber".

No teu silêncio procuramos e achamos muitas respostas às nossas dúvidas e inquietações; nele encontramos a paz que falta muitas vezes nos nossos dias.

No teu SIM encontramos apenas 3 letras, mas uma vida inteira de entrega, de confiança, de amor...

Maria, ensina-nos a ser como tu, a dizer o teu SIM, um SIM fiel, cheio de Fé e confiança.
Ajuda-nos a seguir a tua luz, que ilumina os nossos caminhos.
Que consigamos amar como tu, sem limites.
Que não tenhamos medo de arriscar.
Que nunca nos esqueçamos de ti.

(13-05-2013)

HC