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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Em que silêncio tens procurado?



Antes de dizer à vida o que queremos, importa escutar o nosso íntimo, para que, em silêncio, o coração e a razão nos indiquem o sentido que escolheriam para a nossa vida.

Há o silêncio da coragem daquele que luta, mas está em paz... e o silêncio da derrota daquele que se cala, cultivando ódios e fermentando vinganças, a propósito de maldades que, tantas vezes, nem sequer existiram...

Há o silêncio da contemplação e o do desprezo...

Há o silêncio dos segredos e mistérios, e o silêncio onde tudo se descobre...

Há o silêncio em que com alegria se espera, e aquele em que se desespera, numa angústia onde a ansiedade semeia pesadelos e dores…

Há o silêncio da pureza que se guarda para o momento certo e o silêncio de quem, arrependido, empregou a sua pureza no tempo errado...

Há o silêncio de quem se esforça, o de quem descansa, mas também o de quem finge...

O silêncio é a luz das grandes obras. Só quando nos fazemos pequenos podemos compreender a grandeza do que nos ultrapassa. Só o silêncio permite que vejamos com atenção. Admirando como quem escuta.

Notas soltas não são melodia... É preciso calar as inutilidades se se quer chegar mais fundo. É tão heroico dizer o que se deve, quando se deve, como é calar o que não acrescenta nem faz bem algum.

Estamos aqui de passagem, mas com o dever de fazer algo com sentido. Só no silêncio da fé se abraçam a paixão e a razão.

Há quem viva uma vida inteira sem nunca querer saber a verdade… um dia de cada vez, como se pudesse começar e acabar quando lhe parece bem... mas escolher uma vida assim é como decidir coser sem linha.

Há um silêncio em que tudo se entrelaça, em que se desfazem os nós, se fecham as feridas e se cosem todos os pedaços... tecendo um eu, inteiro... uma obra perfeita, cheia de imperfeições.


José Luís Nunes Martins
ilustração de Carlos Ribeiro

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Contemplação na ação



«Tanto trabalho,
tantos deveres de caridade vos esperam.
A vossa alma não deve, por causa disto,
deixar de permanecer unida ao Senhor.
Apesar das mil e uma actividades,
a solidão e o silêncio devem reinar dentro de vós;
a alma manter-se-á assim só com o Só,
que, na quietude e na paz da alma recolhida n’Ele,
realiza as obras maravilhosas da graça.»

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 - 1948 
Scritti Vari, pg.67

Meu Senhor e meu Deus,
como poderia eu imaginar que,
simultaneamente com o meu trabalho exterior,
Tu, na ternura infinita que por mim nutres,
vais fazendo em mim, insensivelmente, um trabalho interior.
Quanto mais tiver consciência desta acção benéfica
do Teu amor sobre mim,
mais o trabalho exterior se tornará um reflexo
do que operas profundamente em mim.
O trabalho torna-se uma extensão e participação na Tua obra criadora,
as dificuldades perder-se-ão na Tua Paixão,
toda a minha vida será conscientemente assumida em Ti
e a Ti oferecida por mim.
Senhor, ensina-me a ser contemplativo na acção!