Mostrar mensagens com a etiqueta . Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta . Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Revisão de vida


  1. Olhai com gratidão a historia pessoal passada.
  2. Confessai cada um a sua fragilidade.
  3. Vivei apaixonadamente fazendo de Jesus Cristo o primeiro e único amor.
  4. Na turbulência esquadrinhai o pensamento.
  5. Aceitai permanentemente o desafio da comunhão na comunidade.
  6. Cultivai a Esperança desconfiando das próprias forças.
  7. Mesmo a subir para Jerusalém cultivai a alegria.
  8. Mostrai-vos gente feliz para catequizar os outros e passar a fé aos filhos.
  9. Assumi-vos sempre como profetas mesmo quando os resultados não são como esperáveis.
  10. Desafiai-vos a criar fraternidade, acolhendo os muito diferentes e sede dom para todos.
  11. Sabei com certeza que criticas, bisbilhotices, invejas e ciumes não ajudam a crescer a comunidade na comunhão.
  12. Não fiqueis prisioneiros dos vossos problemas. Avançai a animar os outros carregando a vossa cruz.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Gabe Adams



Gabe Adams nasceu no Brasil sem braços nem pernas e foi abandonado pelos pais. Mas Deus levou o Gabe até aos Estados Unidos, onde abençoou esta criança com uma família incrível!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tenho ao cimo da escada...



Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo entrando os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de Madeira
Arrancada a um Calvário de capela.

Põe as mãos com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.

Mãe das Dores, seus olhos enevoados
Olham chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados
Peço-lhe: - A sua bênção, Mãe!

Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor; quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!
Só isso bastaria a me dar paz.

“Porque choras Mulher?... – docemente a repreendo,
Mas à minh’alma, então, chega de longe a sua voz
Que eu bem entendo:
“Eu sei! Teus filhos somos nós”.

José Régio (1901-1969)

terça-feira, 10 de maio de 2016

O silêncio

Imagem

O silêncio é mansidão quando não respondes às ofensas e deixas a Deus a tua defesa. O silêncio é paciência quando sofres sem te lamentares, não procuras consolações humanas, esperas que a semente germine. O silêncio é humildade quando calas para deixar emergir os irmãos e deixas aos outros a glória do feito. O silêncio é fé quando não procuras compreensão e renuncias à glória pessoal porque te basta ser conhecido por Deus.

Assim escrevia em 1581 S. João da Cruz, grande místico e escritor espanhol. O seu canto do silêncio conjuga-se bem com a "mística" que - como na palavra "mistério" - tem na raiz um verbo grego que significa "calar". Não é preciso acrescentar muito sobre este tema, tão marginalizado no tempo em que vivemos, marcado por um excesso de falatório, rumor e fatuidade exterior.

Gostaria, em vez disso, de colocar o acento nas "cores" do silêncio que o santo consegue fazer brilhar. Há, antes de mais, a mansidão que emerge do calar as respostas amargas, sarcásticas, vingativas. Há a paciência que desponta desde o reprimir do lamento emitido para obter compreensão e para se tornar o centro da atenção do outro. Sofrer em silêncio é confiar só a Deus a própria dor, sabendo que Ele «as nossas lágrimas no seu odre recolhe, escrevendo-as depois no seu livro (Salmo 56, 9).

O silêncio é também o ventre da humildade porque o prepotente tem sempre uma palavra a mais do que os outros e o soberbo faz ribombar a sua voz de maneira retumbante, de tal forma que ela domine e revele a grandeza de quem a emite. E, por fim, a fé é silenciosa porque é intimidade com Deus. E é belíssima a frase, de sabor paulino (leia-se Galátas 4, 9), com que João da Cruz conclui o seu louvor do silêncio: «Basta-nos ser conhecidos por Deus!».


Card. Gianfranco Ravasi 
In "Avvenire" 
Trad.: Rui Jorge Martins 
Publicado em 09.05.2016

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Eu vejo porque creio



"Eu não creio porque vejo; eu vejo porque creio!"
"DEUS É UM CAVALHEIRO"
"Da boca dos pequeninos e das crianças sai o louvor perfeito" (Mt 21, 16)

sábado, 12 de dezembro de 2015

Não é dar o momento, é dar o futuro

Inline image 2

Nunca chegamos a conhecer alguém de forma plena. Nem a nós mesmos. Cada um de nós é um ser profundo cuja essência está em constante mutação, nem sempre se aperfeiçoa, por vezes se deteriora. O amor é sempre uma decisão de fé, porque mesmo que soubéssemos quem é a pessoa agora, é impossível saber quem será depois. Alguns mudam pouco, outros mudam tudo.

A vida é cheia de paradoxos. Se por um lado não devemos colocar o nosso contentamento naquilo que passa, temos também a obrigação de estimar de forma especial aquilo que de bom é possível perdermos a qualquer instante.

Viver bem implica ter a luz de saber querer o melhor, a cada momento.

O amor é uma seta enviada, pela vontade mais funda, com toda a força que pode ter… segue livre… para atingir a solidão do outro, ferindo-a de forma definitiva. Nunca mais será refém da tristeza do abandono. Outras dores lhe chegarão, outros espinhos se lhe hão de cravar na carne… mas solidão, não… quem tem o dom de amar nunca mais estará só.

Porque te amo, entrego-te não só este momento, mas todo o meu futuro. O que sou e o que serei, aceitando-te como és e como serás...

O amor marca-nos no mais fundo de nós. Aperfeiçoa-nos. Para sempre…

José Luís Nunes Martins
12 de dezembro de 2015
Ilustração de Carlos Ribeiro

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Se é só isso, conta comigo!



«A jovem com o lenço é a Beatriz Correia, por quem rezámos na colónia. Tem um linfoma. Tenho falado com ela e voltou o domingo passado à catequese. Depois de ela ter dito que sim que gostava de voltar, disse-lhe que este era o ano do Crisma. Ela perguntou-me: "e o que é preciso para eu receber o Crisma?" - Respondi-lhe: "seres assídua à Missa e à Catequese, mas sobretudo quereres apronfundar a tua amizade com Jesus." - Respondeu de imediato: "Se é só isso, conta comigo!"»

Catequista

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Nascemos e não mais morreremos




Morrer aos 28 anos? Que absurdo! Morrer aos 28 anos não faz sentido. Morrer quando se tem um bebé pequeno para criar ainda mais drama acrescenta. Quando se vem a saber que preferiu evitar tratamentos prejudiciais à vida do bebé durante a gestação e que isso lhe custou a vida, começa a perceber-se que não há apenas uma tragédia: há também escolha; uma escolha impressionante. Depois, recuando ainda mais para trás, vem-se a saber que já tivera um outro filho: nascera com malformações e vivera meia hora após o parto. Um pouco mais para trás e, de novo, uma filha existira antes dos outros: crescera com uma anencefalia e vivera apenas meia hora depois do parto. E assim se percebe nas entrelinhas que estes pais levaram três gravidezes até ao fim: por três vezes, e as três vezes em condições adversas.

Ou seja: toda a história é uma tragédia difícil de digerir, do princípio ao fim. A dor, a doença, a impotência, são todas promessa de um futuro truncado, arrancado, mutilado. E ninguém gosta de entrar nestas realidades. Mas, em todo este tempo, e apesar de todos os altos e baixos, Chiara e Enrico sentiram-se nas mãos de Deus e a viver tudo com uma paz de fundo que os deixava perplexos – a eles, a todos aqueles que os acompanhavam; e, agora, aos que os vão conhecendo. A verdade é que, contra todas as expectativas, desprende-se da história deste casal um perfume inconfundível a eternidade.

Foi esse contraste que me convenceu que algum dia teria de a conhecer melhor. Já em tempos a encontrara numa revista italiana; depois, em Lisboa, não perdi a oportunidade de ir à apresentação do livro “Nascemos e Jamais Morreremos”, onde se relata a história de Chiara: por coincidência, naquela noite, cheguei ao mesmo tempo que os principais protagonistas desta história e pude dar pessoalmente o ‘benvenuto’ ao Enrico (pai), ao Francesco (filho), ao Simone e à Cristiana (amigos do casal e redatores do livro). Durante a sessão sentiu-se mais uma vez a vibração daquele silêncio perfumado, misto de admiração e comoção - típico de ambientes cheios de Deus. E, mais uma vez, aquela tragédia se converteu em luz para todos os que ouviam o seu relato.

Finalmente peguei no livro e passei uma tarde inteira de mãos dadas com a Chiara. Naquele italiano musical, contou-me como foram aqueles anos de namoro; as peregrinações e a procura da vontade de Deus; a decisão de casar; a primeira gravidez, tão súbita e, depois, tão peculiar: meia hora de vida com frutos tão inesperados; a segunda gravidez e, de novo, a morte [aos nossos olhos] prematura; finalmente, o filho [aos nossos olhos] saudável e, em simultâneo, a surpresa do carcinoma nela própria, a exigir tratamento imediato. E a decisão natural de deixar a vida em gestação crescer e desenvolver-se em detrimento do combate ao ‘dragão’ do cancro - que sorrateiramente lhe ia invadindo o corpo. Curiosamente, grande parte destes acontecimentos, a passarem-se ao mesmo tempo em que eu vivia uns quarteirões ao lado, no centro de Roma.

A naturalidade com que me falava de Deus era a de quem já nesta terra vivia a vida eterna. Confirmou em mim a certeza de que a vida eterna não é algo que venha lá longe, a qual devamos esperar, mas algo que podemos viver já, aqui e agora. E, nesse sentido, é mais compreensível que as provas que a vida lhe trouxe as tomou não como castigo ou carga insuportável: tornaram-se a oportunidade de testemunhar, manifestar, evidenciar o maior tesouro que alguém pode ambicionar: a fé, a confiança inabalável, a intimidade com Deus.

A mim, fez-me perceber melhor como é possível viver em simultâneo dor e bênção, sofrimento e alegria - não como antítese uma da outra mas como síntese uma com a outra. Fez-me perceber melhor a Paixão de Cristo. Agradeço-lhe ter-me ajudado a entrar na Semana Santa com outra preparação - tempo a ser vivido com esse mesmo silêncio perfumado, misto de admiração e comoção, a que a história de Chiara inspira - e ter-me ajudado a preparar os inevitáveis tempos de 'Paixão' que a minha vida me há de trazer. Se tivesse de resumir a aprendizagem recebida com Chiara diria: "Não tenhas medo. A vida há de trazer dores e dificuldades mas nenhuma é superior a Deus. Prepara-te nEle, no Seu amor, e Ele tornar-te-á capaz de qualquer travessia".

Morreu no dia 13 Junho 2012, aos 28 anos. E, de facto, pode ter sido um absurdo - se quisermos ler a história apenas à luz da razão - à luz dos nossos planos, desejos e ambições ainda demasiado terra-a-terra. Mas quem disse que a vida se confina a isso? Quem disse que a morte biológica é o fim de tudo? A história de Chiara é uma prova viva de que quando se morre, não se morre: nasce-se de novo; desta vez para o Céu. Atrás de si, Chiara deixou um rasto de luz, daquela luz que não se vê com os olhos mas com o coração. E não será essa a melhor luz? 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Tempo para Deus



Senhor, 
eu sei que tenho tempo para o que gosto de fazer, 
para o que quero fazer. 
Ajuda-me, Te peço, 
a disciplinar o meu tempo 
de forma a dar-Te vinte minutos ou meia hora por dia, 
para estar a sós conTigo. 
Senhor, eu sei que isto me é muito difícil 
com todas as ocupações do meu dia-a-dia, 
mas dou-me conta de que pela oração 
me vêm todos os bens 
e sem oração fico muito mais fraco 
e cometo muito mais erros na minha vida. 
Quero expor-me aos raios do Teu “Sol de Amor” 
que me iluminam e mostram o caminho a seguir.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Navega comigo



Jesus eu creio, mas aumenta a minha fé.
Jesus eu confio, mas fortalece a minha confiança.
Jesus eu amo, mas dilata o meu amor.

Acalma a tempestade dos meus medos,
que me impedem de ir contigo "para a outra margem",
com a bonança do teu amor.

Conduz-me com a brisa da tua fortaleza
a essa margem a que chamamos futuro,
que tanto temor e espanto nos causa,
pois não podemos conhecer o seu desfecho
sem a coragem de nela atracar.

Navega comigo nesta embarcação
frágil e imperfeita que é a minha vida
para que, ainda que perca o rumo nas intempéries do orgulho,
reencontre sempre em Ti a rota da salvação
com a bússola da tua misericórdia.

Com a fé de quem confia e com a esperança de quem ama,
saiba eu aventurar-me nas ondas infinitas de possibilidade
para adormecer tranquila no mar sereno da tua paz.

Raquel Dias

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Se alguém te perguntasse «onde vives?»



Se alguém te perguntasse «onde vives?», «que há de interessante na tua vida?», como responderias?

O evangelista João interessou-se especialmente em indicar aos seus leitores como começou o pequeno grupo de seguidores de Jesus. O Batista fixa-se em Jesus, que passava nas proximidades, e diz aos discípulos que a acompanham: «Eis o Cordeiro de Deus».

Os discípulos, provavelmente, não entenderam grande coisa, mas começam a «seguir Jesus». Durante algum tempo caminham em silêncio. Não houve ainda um verdadeiro contacto com Ele. Seguem um desconhecido e não sabem exatamente porquê nem para quê.

Jesus rompe o silêncio com uma pergunta: que procurais? Que esperais de mim? Quereis orientar a vossa vida na direção do meu rumo? São dúvidas que é preciso esclarecer bem.

Os discípulos dizem-lhe: «Mestre, onde vives?». Qual é o segredo da tua vida? O que é viver, para ti? Aparentemente, não procuram conhecer novas doutrinas. Querem aprender de Jesus um modo diferente de viver. Querem viver como Ele.

Jesus responde-lhes diretamente: «Vinde e vereis». Fazei vós mesmos a experiência. Não procureis informação de fora. Vinde viver comigo e descobrireis como vivo, de onde oriento a minha vida, a quem me dedico, porque vivo assim.

Este é o passo decisivo que precisamos de dar hoje para inaugurar uma fase nova na história do cristianismo. Milhões de pessoas dizem-se cristãs mas não experimentaram um verdadeiro contacto com Jesus. Não sabem como viveu, ignoram o seu projeto. Dele não aprendem nada de especial.

Entretanto, nas nossas igrejas não temos capacidade de gerar novos crentes. A nossa palavra já não é atrativa nem credível. Aparentemente, o cristianismo, tal como nós o entendemos e vivemos, interessa cada vez menos.

Se alguém se aproximasse de nós e nos perguntasse «onde viveis?», «que há de interessante nas vossas vidas?», como responderíamos?

É urgente que os cristãos se reúnam em pequenos grupos para aprender a viver ao estilo de Jesus, escutando juntos o Evangelho. Ele é mais atrativo e credível que todos nós. Pode gerar novos seguidores, pois ensina a viver de maneira diferente e interessante.


José Antonio Pagola 
In "Periodista digital" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 12.01.2015

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

«Basta! Senhor!


«Basta! Senhor! 
É demais para mim; 
dai, eu Vos suplico, 
essa espécie de favores e consolações 
aos pecadores que não Vos conhecem, 
afim de assim os atrair ao Vosso serviço. 
Que eu por mim tenho a felicidade 
de Vos conhecer pela fé 
e parece-me que isso me deveria bastar; 
mas porque nada devo recusar 
de mão tão rica e tão liberal como é a Vossa, 
aceito, meu Deus, os favores que me fazeis; 
seja-Vos grato, no entanto, 
que depois de os ter recebido, 
Vo-los torne a dar 
tais quais Vós mos destes, 
pois sabeis bem que não são os vossos dons que eu desejo, 
mas a Vós mesmo 
e que com nada menos me posso contentar.» 

Frei Lourenço da Ressurreição | 1614 – 1691
A prática da presença de Deus, III, 11

Senhor,
não são os Teus dons,
a Tua consolação sensível,
na oração ou na vida,
que são sinal da tua presença em mim.
É a graça de fazer em tudo a Tua vontade
o sinal mais evidente dessa Tua Presença amorosa em mim.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aprender a ir mais longe



A Susana Réfega atualmente é paroquiana em São Julião da Barra e mãe de uma menina da catequese. Vale a pena ler!


Aprender a ir mais longe, a ser mais pessoa e a crescer na fé!

Foi no seio da sua família que Susana Réfega despertou para a fé, “de forma natural” pois a sua família era “comprometida com a Igreja, nomeadamente na vida paroquial na Paróquia de Nossa Senhora da Purificação, em Oeiras”.

Despertar para a fé no seio da família

A sua mãe sempre esteve muito envolvida nas atividades paroquiais e foi catequista e coordenadora da Catequese durante muitos anos. “Do meu pai recebi ao longo de toda a sua vida um testemunho de vida, muitas vezes silencioso e sem excessivas palavras, mas de simplicidade e coerência nas atitudes”, diz-nos. Também a sua irmã mais velha foi um exemplo “importante de como ser jovem e crescer na sociedade mantendo uma coerência de valores e escolhas”.

“Bebendo” de várias correntes e espiritualidades

Durante a sua infância, adolescência e juventude teve vários exemplos e espiritualidades a marcar o seu caminho, optando sempre por não se integrar em nenhum movimento ou grupo. “Assim, fui "bebendo" e sendo inspirada por várias correntes e espiritualidades”, conta. Em criança, recorda que os Missionários Combonianos a marcaram através dos seus testemunhos nas missas dominicais, principalmente pela sua “radicalidade, ousadia e paixão pela missão e por África”. Diz-nos que foram talvez os primeiros a despertar o seu “imaginário africano”. Já no liceu, partilha que “a beleza da liturgia e da oração de Taizé ensinaram uma outra forma de rezar, feita de poucas palavras”. Já na Universidade, dois “universos” cruzaram os seus dias e a marcaram: “Por um lado a espiritualidade inaciana, através do CUPAV, onde encontrei uma grande liberdade de pensamento e horizontes onde se cruzavam a fé, a ciência e a procura da justiça. Em simultâneo, através de um livro, conheci a vida de Charles Foucault e, mais tarde, vi esse sonho materializado ao conhecer as fraternidades das Irmãzinhas de Jesus onde encontrei uma alegria indizível e uma verdadeira pobreza.” Ao longo do seu percurso, afirma que sempre gostou de “cruzar diversos ambientes, contextos, pessoas e o meu grupo de amigos próximos sempre contou com ateus e agnósticos que me ensinaram a ir mais longe, a ser mais pessoa e (talvez sem o saberem) a crescer na fé”.

A missão desperta na sua vida

Partilha a sua primeira experiência de missão: “Diria que a minha primeira "experiência de missão" foi curiosamente fora da Igreja. Ainda no liceu integrei um grupo local da Amnistia Internacional e encontrei, na luta pelos Direitos Humanos, um terreno de missão que me ensinou a assumir responsabilidades (algumas bem áridas como escrever à mão cartas e cartas para decisores políticos espalhados pelo mundo!), a não esperar resultados imediatos, a compreender que cada pequeno gesto conta, mas também que a missão passa por compreender a(s) realidade(s) de forma mais profunda.” No Verão de 1992, após um ano de preparação com o GAS’África da Universidade Católica para partir para Luanda, o grupo teve de ficar em Portugal por questões de segurança. Passaram o verão no Bairro da Serafina, mas afirma que “a experiência não poderia ter sido mais marcante.” Os seus dias foram “assentes em fortes momentos de oração” e pôde descobrir uma realidade social que desconhecia e que considera “dura e heroica” As suas missões ao longo da vida tiveram sempre estas duas experiências como base. Em 1997 partiu para Benguela (Angola) com os Leigos para o Desenvolvimento. Deixou família e namorado (atualmente seu marido) e partiu “cheia de entusiasmo, pois tinha chegado enfim o momento esperado, sonhado, rezado ao longo de uma vida”. Esteve quase dois anos em missão, ainda num contexto de guerra civil em Angola, considera que descobriu a fé “daqueles que, tendo perdido tudo, mantinham a esperança e estranhamente a alegria. No encontro com o outro e com uma cultura, que desde o primeiro momento me apaixonou, descobri as minhas fragilidades, as minhas limitações mas também um verdadeiro sentido de missão na procura da justiça social.” Voltou à Europa e sentiu-se perdida, sem saber que direção tomar. Regressou à sua formação de origem (Medicina Veterinária) e já em Paris (onde se encontrou com o seu namorado), concluiu o doutoramento em parasitologia. No entanto, diz-nos com emoção que não conseguiu mais calar dentro de si “esta paixão pelo trabalho em prol do desenvolvimento nos países mais pobres e em particular em África.” Deixou a Veterinária e começou a trabalhar em organizações não governamentais internacionais e a acompanhar projetos em vários países africanos. “Primeiro, tendo como base Paris e, mais tarde, durante cinco anos em Londres, onde trabalhei na CAFOD (Caritas Inglaterra) e aprendi muito do que hoje sou profissionalmente”, diz-nos.

Sonho de uma vida entregue à missão

Ao terminar a nossa conversa conclui que “hoje, passados alguns anos, já casada e mãe de três filhos, enquanto Diretora da FEC, continuo a perseguir o sonho de uma vida entregue à missão, ao desenvolvimento e à justiça. Com uma fantástica equipa de mulheres e homens, comprometidos e profissionais, todos os dias, passo a passo, com projetos sérios e ambiciosos procuramos gerar mudança. A mudança que o Evangelho nos propõe e de que todos somos responsáveis”.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação

sábado, 17 de maio de 2014

A fé no amor



Ninguém vive sem acreditar. É a fé que nos abre as portas do mundo. Uma graça que nos lança para diante, que nos propõe a liberdade de uma vida nova, que busca e encontra o que os olhos não vêem e as mãos não tocam.

A existência humana é um mistério que se mostra através de sinais. Só a fé nos revela a verdade de nós mesmos. Confiar é abrir-se e aceitar o que se abre a nós. A fé é o que permite ao homem viver com sentido, ter a coragem de ser feliz, acolhendo a graça até mesmo na desgraça.

Há na vida tanto que nos ultrapassa... É essencial acreditarmos na generosidade e na bondade dos outros e de tudo o que não depende de nós. Compreendermos que em conjunto podemos fazer aquilo que sozinhos não somos capazes.

Quando amo, tenho fé em alguém, estou convicto do seu valor: uma certeza que se prova, mas não se demonstra, que é capaz de me mover e comover até ao melhor de mim. Um abandono confiante que arrisca tudo ao encontro com o outro. Uma vontade de me dar e de me abrir.

A fé é sempre num outro. Eu próprio, na minha maior bondade, sou um outro em que acredito. Talvez por isso não haja homem mais pobre do que aquele que perdeu a fé no amor, porque assim se perdeu de si mesmo.

Nem tudo pode ser compreendido. Mas não deixa, por isso, de ser verdade. Para compreender é preciso amar. Mas ninguém é capaz de amar quando vive desconfiado e sem esperança. A fé complementa a razão.

O amor é o princípio e a perfeição de qualquer relação, na medida em que se torna a firme esperança que ilumina todo o caminho a partir do seu destino.

Acreditar é o primeiro passo para a criação neste mundo do milagre do amor. Sempre que duas mãos livres e abertas se encontram, rezam.

José Luís Nunes Martins 
jornal i
17 maio 2014
http://www.ionline.pt/iopiniao/fe-no-amor
Ilustração de Carlos Ribeiro

domingo, 12 de janeiro de 2014

Eu sei...


Há muito que perdi a vela do meu baptismo. Contingências da vida, das várias mudanças de casa, de país, de estado civil. Mas há tão pouco tempo re-descobri o que é ser baptizada. Há 33 anos, desceu sobre mim o Teu Espírito e eu tornei-me numa filha de Deus muito amada. Mas como filha ingrata que fui, quase toda a minha vida, depressa esqueci da graça e do amor que derramaste sobre mim a 12 de Janeiro de 1980. A chama apagou-se. Deixei de acreditar. Preferi caminhar sozinha, na arrogância de quem acha que tudo sabe e de quem não precisa de ninguém. Que insensata foi a minha decisão. Que sinuoso e solitário foi o meu percurso. Contudo, quantas provas superei, por mais duras que tenham sido as lições, sem nunca compreender ao certo porquê. Que peso carreguei nos meus ombros, sem saber ao certo como. Quantas vezes segui em frente, quando só me apetecia desistir, sem saber onde tinha ido buscar forças.

Sei, hoje, que nunca estive verdadeiramente sozinha. Como deve ter sido difícil para Ti, ver um dos teus filhos amados sofrer por teimosia e orgulho. Como deves ter sofrido com a minha ingratidão e, ainda assim, nunca deixaste que nada me faltasse. Podes nem sempre me ter dado o que eu queria, mas deste-me sempre o que eu precisava. Estiveste presente em cada momento, ainda que eu não tenha sido capaz de ver ou ouvir os Teus sinais, nem sentir a Tua presença.

Sei, hoje, que o caminho que escolhi pode não ter sido o mais fácil, por estar tão longe de Ti, mas também sei que ele fez de mim a pessoa que sou, com todas as minhas qualidades e defeitos.

Sei hoje, que me deste apenas o tempo que eu precisava para reencontrar o caminho que me reconduzia a Ti. E que maravilhoso foi o nosso reencontro. Que alegria senti ao perceber que o vazio que sentia no peito era apenas ausência. Ausência de alguém que, afinal, esteve sempre presente.

Sei, hoje, que posso ter perdido a vela do meu baptismo mas o fogo do Teu amor arde permanentemente no meu coração.

Sei, hoje, o que é ser baptizada porque sei como é grande a Tua bondade, infinita a Tua misericórdia e eterno o Teu amor por mim!

Raquel Dias

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Fazer da Fé experiência vital

tolentino mendonca

Erri di Luca escreve de forma muito pertinente que a Fé é deixar de tratar Deus pela terceira pessoa e passa-Lo a tratar pela segunda.

O vocabulário bíblico da Fé pode ensinar alguma coisa a quem se questiona no século XXI sobre a relação com Deus? A Bíblia define a Fé sobretudo de dois modos: como temor de Deus e como confiança. Parecem coisas completamente inconciliáveis, mas talvez não sejam. A Fé para ser experiência vital deve misturar ambas.

O temor de Deus tem o seu fundamento na consciência da alteridade de Deus. Deus é Deus. Quer dizer: Deus é (e há de continuar) uma pergunta infinita; é Todo-Outro, transcendente e pleno de mistério. Temor, porém, não quer dizer medo: é precisamente o resultado da anulação do medo e da sua substituição por um misto de reverência perante a imensidão de Deus. Vista dessa perspectiva, a Fé é o modo de permanecer fiel a este Deus cuja transcendência é compreendida não como terrífica ou paralisante, mas sim suscitadora de uma abertura orante. Esta é, por exemplo, a Fé de Job que, quando confrontado com a omnisciência de Deus, diz: "Vou pôr a mão na boca, e não volto a dissertar insensatamente sobre Deus" (Job 39, 37-38). E, no mesmo sentido, a de São Gregório Palamas, teólogo do século XIV: "A natureza de Deus não pode ser pensada, nem vista, nem dita, porque está distante de todas as coisas. Não existe nome para mencioná-La, nem neste século, nem no futuro; e nenhuma palavra encontrada na alma e proferida pela língua, nem qualquer imagem pode dar-nos o Seu conhecimento. Para nomear Deus é preciso renunciar a tudo o que é ou pode ser nomeado". A Fé provoca sempre a desarrumação dos nossos saberes e razões e mergulha-nos no silêncio. Os crentes não têm a cabeça cheia de ideias sobre Deus. Quanto mais se vive de Deus menos se sabe, ensinam os místicos.


Mas a Fé não se fica apenas pela purificadora consciência do que nos distancia de Deus. A Fé é o impossível da presença tornado possível pelo próprio Deus. Ele toma a iniciativa do encontro e a Fé explica-se então como revelação, história comum, amizade partilhada. Por isso, sem a semântica da confiança ninguém consegue descrever a Fé. O escritor italiano Erri di Luca, que vive numa grande dilaceração entre crer e não-crer, escreve de forma muito pertinente que a Fé é deixar de tratar Deus pela terceira pessoa e passa-Lo a tratar pela segunda (Tu ou Vós). O próprio termo bíblico guarda uma variante riquíssima de sentidos que vai nessa linha: significa “estar seguro em” e alude, igualmente, à estreita relação que existe entre a mãe que aleita e a criança que é ob¬jecto desse carinhoso cuidado. Jesus, que para os cristãos é não só objecto de Fé mas também seu modelo, soube chamar por Deus como a criança fala com o seu pai, com a mesma simplicidade, a mesma intimidade, o mesmo abandono confiado. Lição a redescobrir para fazer da Fé uma experiência vital.

José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ajudai, ó Mãe, a nossa fé

Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra,
para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos,
saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor,
para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele,
a crer no seu amor,
sobretudo nos momentos de tribulação e cruz,
quando a nossa fé é chamada a amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.
Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus,
para que Ele seja luz no nosso caminho.
E que esta luz da fé cresça sempre em nós
até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo,
vosso Filho, nosso Senhor. Amen.

Papa Francisco, Lumen Fidei

segunda-feira, 21 de outubro de 2013



"A fé é a garantia dos bens que se esperam 
e a certeza das realidades que não se vêem."

(Heb 11, 1)

Por isso, na noite escura da tua fé, ora e vigia.
Lembra-te que Deus permanece sempre junto de ti
ainda que te sintas imerso no desespero da tua solidão.
Não deixes que nada te turbe,
nem as convulsões da tua existência,
nem o mar agitado das tuas inseguranças.

Atreve-te a viver por amor
mesmo que o mundo à tua volta respire apenas indiferença.
Ainda que te percas pelo caminho
e o desânimo quiser vencer os teus passos,
Nele confia e nada temas.

E quando o fardo que carregas te parecer mais pesado do que possas suportar,
quando a dor apagar o teu sorriso
e quando se apagar em ti a chama do teu viver...
adora e confia!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Como um grão de mostarda


"Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. " (Lc 17, 5-6)
 
Às vezes, Senhor, quando duvido,
quando não sinto nada
e me vejo cético,
todavia sei parar
e colher um grão de mostarda
na palma da minha mão,
e olhá-lo e remirá-lo,
lembrando-me das tuas palavras.
E, às vezes, quando tudo corre bem,
quando a vida me sorri,
quando não tenho problemas
para acreditar em Ti,
nem para acreditar nos homens e mulheres,
nem para acreditar em mim...,
também me atrevo a colher um grão de mostarda
na palma da minha mão,
e o olho e remiro
lembrando-me das tuas palavras:
"Se tivésseis fé como um grão de mostarda..."


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Não tenho o dom da fé



Numa das saídas que tive, aqui em Roma, por ocasião de uma Missa, aproximou-se um senhor, relativamente jovem, e disse-me:

- «Padre, prazer em conhecê-lo; mas eu não acredito em nada! Não tenho o dom da fé!»

Ele entendia que a fé era um dom. «Não tenho o dom da fé»...

- «Que me recomenda o senhor?»

- «Não desanimes! Deus ama-te. Deixa-te olhar por Ele. E basta».

O mesmo vos digo a vós: Deixai-vos olhar pelo Senhor!

 Compreendo que, para vós, não é tão simples: especialmente para quem é casado e tem filhos, é difícil encontrar um tempo longo de tranquilidade.

 Mas, graças a Deus, não é necessário que todos façam da mesma maneira; na Igreja, há variedade de vocações e variedade de formas espirituais; o importante é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isto pode acontecer, é possível em todos os estados de vida. Pensai nisto!

Papa Francisco aos catequistas