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terça-feira, 18 de setembro de 2018

A pessoa que melhor escreveu sobre o amor




«A pessoa que melhor escreveu sobre o amor na era cristã foi Paulo de Tarso», diz Bono, vocalista dos U2

«Era um gajo duro. Superintelectual mas intenso e, claro, teve a experiência [de conversão] na estrada de Damasco. Passa a viver como fabricante de tendas. Começa a pregar e escreve uma ode ao amor, que toda a gente conhece como a Carta aos Coríntios: “O amor é paciente, o amor é gentil… O amor suporta tudo, acredita em tudo”.» Declarando-se «abençoado», Bono sublinha que «a graça e algumas pessoas realmente inteligentes» ajudaram-no: «A minha fé é forte. Lia os salmos de David continuamente. São espantosos. Ele é o primeiro “bluesman”, gritando a Deus: “Por que é que isto me aconteceu?”. Mas também há honestidade nisso»

Mais em http://www.snpcultura.org/a_pessoa_que_melhor_escreveu_sobre_o_amor_na_era_crista_foi_paulo_de_tarso_diz_bono_u2.html

domingo, 20 de março de 2016

Quem sou eu diante do meu Senhor?



"Esta semana começa com a procissão festiva com os ramos de oliveira: todo o povo acolhe Jesus. As crianças, os jovens cantam, louvam Jesus.

Mas esta semana segue adiante no mistério da morte de Jesus e da sua ressurreição. Ouvimos a Paixão do Senhor. Fará bem a nós nos fazermos somente uma pergunta: quem sou eu? Quem sou eu diante do meu Senhor? Quem sou eu diante de Jesus que entra em festa em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a minha alegria, de louvá-Lo? Ou tomo distância? Quem sou eu, diante de Jesus que sofre?
Escutamos tantos nomes, tantos nomes. O grupo de líderes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns mestres da lei, que tinham decidido matá-Lo. Esperavam a oportunidade para prendê-Lo. Eu sou como um deles?

Escutamos também um outro nome: Judas. 30 moedas. Sou como Judas? Ouvimos também outros nomes: os discípulos que não entendiam nada, que adormeciam enquanto o Senhor sofria. A minha vida está adormecida? Ou sou como os discípulos, que não entendiam o que era trair Jesus? Como aquele outro discípulo que queria resolver tudo com a espada: sou como eles? Sou como Judas, que finge amar e beija o Mestre para entregá-Lo, pra traí-lo? Eu sou traidor? Sou como aqueles líderes que com pressa fazem o tribunal e procuram falsas testemunhas: sou como eles? E quando faço estas coisas, se as faço, acredito que com isto salvo o povo?

Eu sou como Pilatos? Quando vejo que a situação está difícil, lavo as minhas mãos e não sei assumir a minha responsabilidade e deixo condenar – ou condeno eu – as pessoas?

Sou como aquela multidão que não sabia bem se estava em uma reunião religiosa, em um julgamento ou em um circo, e escolhe Barrabás? Para eles é o mesmo: era mais divertido, para humilhar Jesus.
Sou como os soldados que atingem o Senhor, cospem Nele, insultam-No, se divertem com a humilhação do Senhor?

Eu sou como o Cirineu, que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz ?

Eu sou como aqueles que passavam diante da Cruz e zombavam de Jesus: “Era tão corajoso! Desça da cruz, e nós vamos acreditar Nele”. Zomba-se de Jesus…

Sou como aquelas mulheres corajosas, e como a Mãe de Jesus, que estavam ali, sofrendo em silêncio?

Sou como José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para levá-lo à sepultura?
Sou como as duas Marias, que permanecem diante do Sepulcro chorando, rezando?

Eu sou como aqueles líderes que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer: “Olha, ele dizia que iria ressuscitar. Que não seja mais um engano!”, e bloqueiam a vida, bloqueando o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não venha para fora?

Onde está o meu coração? Com qual destas pessoas eu me pareço? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana."

Papa Francisco

domingo, 20 de dezembro de 2015

Para além do Pai Natal, reaprendamos a arte do dom

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Quando as crianças se dão conta - e dão-se conta muito depressa - que o Pai Natal não existe, falam disso entre elas, mas diante dos adultos fingem que não o sabem ainda durante algum tempo, porque percebem que isso lhes dá prazer. O Pai Natal é uma crença extremamente efémera que se torna numa representação cultural ou familiar tácita, apenas isso. Não admira que muitos se interroguem sobre a razão da persistência da sua figura quando, grandes ou pequenos, muito poucos acreditam verdadeiramente nela. O Pai Natal seria então uma imposição meramente comercial, um ícone vazio, um símbolo gasto e esgotado que não tem nada mais a dizer? Provavelmente sim, se pensarmos na banalização massiva que assistimos ano após ano.

Em todo o caso, vale a pena sondar esta estranheza que faz com que os pais continuem a atribuir a uma outra entidade - uma entidade gráfica e pitoresca como o Pai Natal - os dons que eles mesmos compram para os próprios filhos. Seria lógico pensar que faria mais sentido que o presente fosse ligado ao seu rosto, um tosto bem conhecido, que transmite confiança e afeto, um rosto que reforça o contexto habitual da criança. O dom é, em vez disso, atribuído a uma entidade anónima, desconhecida, que aparece anualmente e de modo fugaz, sem uma relação personalizada com aqueles que oferecem os dons. Mas é precisamente este fato que nos induz a refletir sobre aquilo que se ativa no ato de dar e de receber. Que significa dar? Quem é o agente do dom? De quem recebemos aquilo que nos é dado? É aqui que se decide o sentido submerso do Pai Natal.

Sublinhemos, antes de mais, que o Pai Natal não deixa de ser um pai. O, melhor, o pai de um pai, um avô, se tivermos em consideração a sua idade, a sua barba branca, o seu humor tilintante e redondo, a sua bondade um pouco extravagante. Trata-se, no fundo, de um predecessor, de alguém que não representa apenas o instante atual mas quanto nos é transmitido de geração em geração, aquilo que os nossos pais nos dão porque o receberam antes dos seus pais e assim por diante.

O Pai Natal alarga os restritos metros quadrados da família contemporânea e estende os laços, testemunhando também tudo aquilo que se recebe dos outros, e não só dos pais, não só daqueles que constituem o quadro normal da vida. Deste modo, ele une cada criança a todas as crianças do mundo na expectativa e no entusiasmo pelo dom, sem o qual a vida nada seria. O dom, não o esqueçamos, é muito diferente do circuito frio, tão sonâmbulo e voraz, da troca e do comércio, mesmo se hoje parece totalmente sequestrado por essas lógicas.

O que é que de mais precioso podemos dar aos outros que a nossa atenção criativa, o nosso cuidado, o nosso tempo, a nossa fidelidade ao que cada um, em cada instante, é? O dom gera dom, mas não no sentido da gramática mercantil que procura o proveito próprio mais do que a experiência autêntica da oferta de um presente.

O citadíssimo "do ut des" (dou-te para que me dês) é um mote que trai a beleza do dom, o qual pode ser unicamente uma expressão de amor sem cálculo nem medida. Por isso é urgente resistir à pressão comercial que enche o saco do Pai Natal de coisas, coisas e mais coisas, que têm o único efeito de neutralizar a relação, de perpetuar de modo camuflado a indiferença e a distância, em vez de construir uma presença calorosa, disponível, confiante na nossa humanidade diante da humanidade dos outros.

Por isso, quando nós, adultos, nos sentamos junto às crianças, mesmo àquelas que ainda não sabem escrever, para as ajudar a redigir a sua cartinha ao Pai Natal, é importante que tenhamos bem claro dentro de nós a oportunidade e o sentido que naquele momento estão em jogo. Precisamos de reaprender a arte do dom.

José Tolentino Mendonça 
In "Avvenire" 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O ódio




«Poucas pessoas conseguem ser felizes sem odiar alguma outra pessoa, nação ou credo» (Bertrand Russell). «Quando odiamos alguém, odiamos na sua imagem alguma coisa que está dentro de nós» (Herman Hesse).

O ódio é uma cadeia que esmaga desde sempre a humanidade, sufocando-lhe o sopro vital mais profundo. A primeira e amarga constatação é atribuída a um filósofo anticonformista que em 1950 obteve o prémio Nobel da Literatura, Bertrand Russell (1872-1970).

Apesar de algum excesso na formulação («poucas pessoas» é um exagero), é todavia verdade que para alguns o ódio é quase um alimento indispensável, sem o qual não conseguiriam viver.
E na verdade, é preciso reconhecer que, mesmo em pessoas caracterizadas pela mansidão, está presente às vezes uma ponta de ódio, acompanhada por um frémito de prazer.

Chegados aqui, torna-se significativo o juízo contido na segunda frase, que extraio de um romance menor, "Demian" (1919), do celebrado (talvez demasiadamente) romancista alemão Hermann Hesse.
Odiar outro nasce muitas vezes do facto de descobrirmos nele qualquer coisa de detestável que não queremos reconhecer em nós mesmos. Mas há pior: por vezes o ódio em relação floresce de um ciúme secreto, o de se dar conta que o outro é melhor que nós.

A gerar o ódio não está, portanto, apenas o mal, mas paradoxalmente também o bem de outro, invejado e por nós não possuído.

Compreende-se então quanto é importante o apelo constante de Cristo a vencer esta obscura energia, substituindo-a pela força doce e delicada do amor, primeiro e único mandamento da moral evangélica.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Se é só isso, conta comigo!



«A jovem com o lenço é a Beatriz Correia, por quem rezámos na colónia. Tem um linfoma. Tenho falado com ela e voltou o domingo passado à catequese. Depois de ela ter dito que sim que gostava de voltar, disse-lhe que este era o ano do Crisma. Ela perguntou-me: "e o que é preciso para eu receber o Crisma?" - Respondi-lhe: "seres assídua à Missa e à Catequese, mas sobretudo quereres apronfundar a tua amizade com Jesus." - Respondeu de imediato: "Se é só isso, conta comigo!"»

Catequista

terça-feira, 7 de abril de 2015

Chama-te pelo teu nome



 «Se foste tu que o tiraste»: como se Maria já lhe tivesse dito porque chorava! Fala «dele», sem pronunciar o seu nome. Tal é o fulgor do amor: quando estamos repletos de amor, acreditamos que os outros sentem o mesmo que nós. […]. Maria é incapaz de imaginar que alguém possa ignorar a razão da sua imensa tristeza.

Jesus diz-lhe: «Maria!» Pouco antes, chamara-a pelo nome comum a todas do seu sexo: «Mulher», sem ainda Se dar a conhecer. Agora, chama-a pelo seu nome próprio, como se lhe dissesse sem rodeios : «Reconhece Aquele que te reconhece.» Também Deus disse a Moisés: «Conheço-te pelo teu nome (Ex 33,12). «Homem» é o nome comum a todos; mas «Moisés» é o seu nome próprio e Deus diz que o conhece pelo seu nome e parece declarar: «Não te conheço como conjunto dos homens, conheço-te pessoalmente.»

Assim, chamada pelo próprio nome, Maria reconhece o seu criador e no mesmo instante responde-lhe: «Rabbouni», que quer dizer Mestre. Ela procurava-O fora de si, mas Ele pediu-lhe que O procurasse dentro de si. […] «Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Vi o Senhor!” E contou o que Ele lhe tinha dito.» Neste momento, o pecado dos homens abandona o coração de onde procedia. Porque se foi uma mulher que, no paraíso, tentou um homem com o fruto da morte, é uma mulher que, no sepulcro, anuncia a vida aos homens e lhes leva as palavras daquele que traz a vida.

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homília 25 sobre o Evangelho; PL 76, 1188-1196

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Se alguém te perguntasse «onde vives?»



Se alguém te perguntasse «onde vives?», «que há de interessante na tua vida?», como responderias?

O evangelista João interessou-se especialmente em indicar aos seus leitores como começou o pequeno grupo de seguidores de Jesus. O Batista fixa-se em Jesus, que passava nas proximidades, e diz aos discípulos que a acompanham: «Eis o Cordeiro de Deus».

Os discípulos, provavelmente, não entenderam grande coisa, mas começam a «seguir Jesus». Durante algum tempo caminham em silêncio. Não houve ainda um verdadeiro contacto com Ele. Seguem um desconhecido e não sabem exatamente porquê nem para quê.

Jesus rompe o silêncio com uma pergunta: que procurais? Que esperais de mim? Quereis orientar a vossa vida na direção do meu rumo? São dúvidas que é preciso esclarecer bem.

Os discípulos dizem-lhe: «Mestre, onde vives?». Qual é o segredo da tua vida? O que é viver, para ti? Aparentemente, não procuram conhecer novas doutrinas. Querem aprender de Jesus um modo diferente de viver. Querem viver como Ele.

Jesus responde-lhes diretamente: «Vinde e vereis». Fazei vós mesmos a experiência. Não procureis informação de fora. Vinde viver comigo e descobrireis como vivo, de onde oriento a minha vida, a quem me dedico, porque vivo assim.

Este é o passo decisivo que precisamos de dar hoje para inaugurar uma fase nova na história do cristianismo. Milhões de pessoas dizem-se cristãs mas não experimentaram um verdadeiro contacto com Jesus. Não sabem como viveu, ignoram o seu projeto. Dele não aprendem nada de especial.

Entretanto, nas nossas igrejas não temos capacidade de gerar novos crentes. A nossa palavra já não é atrativa nem credível. Aparentemente, o cristianismo, tal como nós o entendemos e vivemos, interessa cada vez menos.

Se alguém se aproximasse de nós e nos perguntasse «onde viveis?», «que há de interessante nas vossas vidas?», como responderíamos?

É urgente que os cristãos se reúnam em pequenos grupos para aprender a viver ao estilo de Jesus, escutando juntos o Evangelho. Ele é mais atrativo e credível que todos nós. Pode gerar novos seguidores, pois ensina a viver de maneira diferente e interessante.


José Antonio Pagola 
In "Periodista digital" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 12.01.2015

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Umbrais

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Procure a alma inclinar-se não ao que é mais fácil, mas ao mais difícil;
Não ao mais agradável, mas ao mais agreste;
Não ao mais gostoso, mas ao que menos gosto dá;
Não ao que é descanso, mas ao que é trabalhoso;
Não ao que é consolo, mas antes ao desconsolo;
Não ao mais, antes ao menos;
Não ao mais alto e precioso, mas ao mais baixo e desprezível;
Não a querer alguma coisa, mas a não querer nada;
Não a andar buscando o melhor das coisas temporais, mas o pior;
e, por amor de Cristo, a desejar entrar em toda a nudez e vazio e pobreza que há no mundo.
E estas obras convém que se dê a elas do coração e procure nelas aplainar a vontade.
Quem do coração as pratica, muito em breve, agindo ordenada e discretamente, nelas virá a achar grande alegria e consolação.

S. João da Cruz

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Maria é modelo



«A Virgem,
que guardava no seu coração
a Palavra de Deus,
é modelo daquelas pessoas atentas
nas quais revive continuamente
a oração sacerdotal de Jesus.
E o Senhor escolheu de preferência a mulheres
que como ela se esqueceram completamente de si mesmas
para se submergir na vida e na paixão de Cristo,
para que fossem seus instrumentos
na realização de grandes obras na Igreja.

Santa Teresa Benedicta da Cruz (Edith Stein) | 1891 – 1942 
Edith Stein, Obras 404

Senhor,
eu te dou graças por todas as mulheres
que seduzidas pelo Teu Amor
deixaram que o Espírito Divino
as submergisse na Tua Vida e Paixão.
Negando-se a si mesmas
tiveram tudo como lixo
diante do bem supremo que é conhecer-Te e amar-Te.
Bendito sejas Senhor,
por manifestares nelas a força irresistível do Amor
e as chamares a participar
na Tua Obra de Salvação para o mundo.
Enamoradas da Tua imolação na Cruz
revivem em si mesmas o mistério da Nova Aliança,
em que Tu és o seu Sacerdote
e das suas vidas elevas ao Pai
a tua oração sacerdotal.
Bendito sejas Senhor,
por que em Maria Tua Mãe
estas mulheres encontram a sua força.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Ser santo não é estar fora da realidade



Ser santo não é estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria

Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por «santos» os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais. Aqui torna-se evidente que cada baptizado - ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares acções - é santificado por Deus.

No baptismo, o Senhor acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante. Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efectivamente santo.

Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objecto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria.

Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza acções ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar mas nunca imitar na própria vida. Como é errada e desalentadora esta visão! Não há nenhum santo, à excepção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez.

Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, como sobretudo de quantas vezes vos erguestes. Não exige acções extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós. Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos.

Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz. Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos porque a sua graça actua em vós.

BENTO XVI
Vigília de Oração com os jovens na Feira de Freiburg im Breisgau 
24 de setembro de 2011

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A obediência a cristo mede-se pela capacidade de perdoar



O modo como reagimos a quem nos fez mal diz muito sobre a nossa caminhada com Deus. Por muito venenosas que tenham sido as flechas disparadas, o exercício do perdão é imperativo para nós. É certo que não se pode ignorar a etapa da admoestação ou sublimar o degrau da correcção, no entanto, a conduta cristã visa a recuperar e não penalizar. 

Quando alguém nos ofende ou prejudica intencionalmente, garantamos que os passos disciplinares são dados sem que afundem o infractor. A repreensão é útil desde que não fustigue o arrependido. Prefira-se a disciplina de matriz redentora à de cariz punitivo. Não se insista no prolongamento do castigo, pois já bem basta a dor de se ter caído em falta e de se ser sujeito a uma reprimenda, seja ela individual ou comunitária. Haja discernimento para não levar ao desespero quem já sofre pelo mal que produziu.

Perdoemo-nos e consolemo-nos uns aos outros de modo que ninguém “seja devorado por demasiada tristeza.” Confirmemos, junto daqueles que tropeçaram, o amor fraternal que por eles sentimos. É quando uma pessoa está na fossa que mais precisamos de estender a mão para de lá a retirar. Evitemos cair no ardil do rancor ou da vingança.

A nossa obediência a Cristo mede-se pela capacidade de perdoar, seja de que dimensão for a afronta.

Jónatas Figueiredo

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

É Natal


É tempo de alegria e gratidão! Chegaste! Celebremos a Tua vinda, neste dia tão especial. Parabéns e obrigada!

Obrigada por nos teres vindo mostrar que o amor que nos tens é maior que a soma de todos os nossos pecados.
 
Nasce, hoje, outra vez, em mim, para que se renove a inocência e a doçura do Menino, a obediência e a mansidão do Filho, a sabedoria e a paciência do Mestre e a misericórdia e o amor do Salvador.

Saiba eu, com a Tua graça, ser uma centelha da Tua luz, num mundo que perdeu a esperança, ser o silêncio sereno da Tua paz, num mundo de vozes que já não se entendem, e ser o testemunho do Teu amor com a simplicidade do meu viver.
 
Saiba eu lembrar-me, sempre, do modo como viveste entre nós para que, com o Teu auxílio, nunca me falte a coragem de prosseguir a caminhada, mesmo quando as minhas pernas fraquejarem e o meu corpo for trespassado pelas dores desta vida.
 
Saiba eu ter sempre presente o modo como morreste por todos nós, para que saiba acolher a Tua vontade, mesmo quando ela me parecer amarga e insuportável. Lembra-me, com carinho, que, aos pés da Tua Cruz, nenhum fardo é tão pesado que não o possa suportar.
 
Saiba eu entregar-me a Ti, sem medo e sem hesitar, depositando em Ti toda a minha esperança e renovando, diariamente, o meu "sim", com alegria e confiança, como fez Maria, com tanta ternura e fé, antes de todos nós.
 
Saiba eu corresponder ao Teu amor por nós, mantendo sempre acesa a chama da minha fé, cantando os Teus louvores e agradecendo Todas as dádivas que me concedes.
 
Obrigada pela Vida que És em mim, pela Verdade que me guia, pela Palavra que educa, pela Luz que ilumina o meu caminho, pela Paz que serena, pela Esperança que renova e pelo Amor que brota do meu coração.
 
É Natal! Parabéns Jesus!

Raquel Dias

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O sorriso de Cristo



Papa convida católicos a olharem para o sorriso de Cristo e a serem como Ele.
A paz, a alegria e a espiritualidade foram as notas dominantes da homilia que o papa Francisco pronunciou esta terça-feira, durante a missa a que presidiu na Casa de Santa Marta, no Vaticano. «Pensamos sempre em Jesus quando pregava, quando curava, quando caminhava, andava pelas estradas, também durante a Última Ceia… Mas não estamos tão habituados a pensar em Jesus sorridente, alegre», disse Francisco, citado pela Rádio Vaticano. Cristo quis que «a Igreja fosse também alegre»: «Não se pode pensar uma Igreja sem alegria, e a alegria da Igreja é precisamente isto: anunciar o nome de Jesus.»

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Adeus, Bento XVI



Bento XVI não publicará a encíclica sobre a fé – embora em fase avançada – que devia apresentar na primavera. Já não tem tempo. E nenhum sucessor é obrigado a retomar uma encíclica incompleta do próprio predecessor. Mas existe outra encíclica de Bento XVI, escondida no seu coração, uma encíclica não escrita. Ou melhor, escrita não pela sua pena mas pelo gesto do seu pontificado. Esta encíclica não é um texto, mas uma realidade: a humildade.
 
A 19 de abril de 2005 um homem que pertence à raça das águias intelectuais, temido pelos seus adversários, admirado pelos seus estudantes, respeitado por todos devido à acutilância das suas análises sobre a Igreja e o mundo, apresenta-se, recém-eleito Papa, como um cordeiro levado para o sacrifício. Utilizará até a terrível palavra «guilhotina» para descrever o sentimento que o invadiu no momento em que os seus irmãos cardeais, na Capela Sistina, ainda fechada para o mundo, se viraram para ele, eleito entre todos, para o aplaudir. Nas imagens da época, a sua figura curvada e o seu rosto surpreendido testemunham-no.

Depois teve que aprender o mister de Papa. Extirpou, como raízes arraigadas sob o húmus da terra, o eterno tímido, lúcido na mente mas desajeitado no corpo, para o projectar perante o mundo. Foi um choque para ambas as partes. Não conseguia assumir a desenvoltura do saudoso João Paulo II. O mundo compreendia mal aquele Papa sem efeito. Bento XVI nem teve os cem dias de "estado de graça" que se atribuem aos presidentes profanos. Teve, sem dúvida, a graça divina, fina mas pouco mundana. Contudo teve, ainda e sempre, a humildade de aprender sob os olhares de todos.

Foram sete anos terríveis de pontificado. Nunca um Papa teve, num certo sentido, tão pouco "sucesso". Passou de polémica em polémica: crise com o Islão depois do seu discurso de Ratisbona, onde evocou a violência religiosa; deformação das suas palavras sobre a Sida durante a primeira viagem à África, que suscitou um protesto mundial; vergonha sofrida pelo explodir da questão dos sacerdotes pedófilos, por ele enfrentada; o caso Williamson, onde o seu gesto de generosidade em relação aos quatro bispos ordenados por D. Lefebvre (o Papa revogou as excomunhões) se transformou numa reprovação mundial contra Bento XVI, porque não tinha sido informado sobre os discursos negacionistas da Shoah feitos por um deles; incompreensões e dificuldades de pôr em acção o seu desejo de transparência quanto às finanças do Vaticano; traição de uma parte do seu grupo mais próximo no caso Vatileaks, com o seu mordomo que subtraiu cartas confidenciais para as publicar...
Não teve nem sequer um ano de trégua. Nada lhe foi poupado. Às violentas provações físicas do pontificado de João Paulo II, ao atentado e ao mal de Parkinson, parecem corresponder as provações morais de rara violência desta litania de contradições sofrida por Bento XVI.

Ao renunciar, o Papa eclipsa-se. À própria imagem do seu pontificado. Mas só Deus conhece o poder e a fecundidade da humildade.
Jean-Marie Guénois
In Le Figaro Magazine, 15-16.2.2013
Transcrição: L'Osservatore Romano
© SNPC | 25.02.13

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O amor é mais importante

Não se percebe muito bem a cruz, mas o importante é o sorriso, muitas vezes ficamos mais agarrados ao sofrimento que ao amor e esta cruz relembra-me sempre que o amor e a misericórdia de Deus são o mais importante.

"Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gal 2, 19-20)

sábado, 10 de novembro de 2012

Amena luz



"E eis-me agora aqui, sem saber o que pensar,
pois tudo aquilo que eu senti, não posso ignorar.
Um Cristo à nossa altura, em serena paz,
Que ao sorrir assim, no horror da cruz,
Acendeu em mim uma amena luz"


O QUADRO é um musical cheio de humor e emoções! Com o texto original do p. Nuno Tovar de Lemos e encenação da Matilde Trocado conta uma história simples de encontros com um paralelo inteligente com a paixão de Cristo, desde os empregados do Museu da Vila que não estão habituados a uma tão grande enchente até às próprias pessoas que o visitam e que se deixam maravilhar pelo sorriso de Cristo na cruz, vindo de todo o lado para ver a exposição do século.

O sr. João conta-nos a história e os seus colegas Pedro (o porteiro), Simão e Tiago ajudam na montagem da exposição e até a Verónica, a empregada do museu, se deixa maravilhar com O Quadro apesar de não achar muita graça à enchente de pessoas prevista. A decoração da sala de exposição é feita por uma oliveira e a ceia dos empregados do museu na quinta-feira enquanto acabam de preparar a exposição é pão e vinho; a Dra. Pilar Matos não é da aldeia e está muito preocupada com tão grande responsabilidade.

O que é que acontece ao QUADRO? O que é que ele provoca em nós? A Ana, uma estudante que visita o museu encontra no sorriso a razão da sua esperança; as pessoas da aldeia estranham ver Cristo a sorrir na cruz, os críticos de arte e visitantes distintos ficam sensibilizados pela sua beleza...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tu bem sabes que acredito



Rachel Joy Scott, de 17 anos

Apontou a pistola  e perguntou-lhe se acreditava em Deus.
«Tu bem sabes que acredito» - respondeu


Foram as últimas palavras, silenciadas pelo disparo de um colega de liceu nos EUA.
20de abril de 1999, onze e meia da manhã. Na Columbine Highschool em Littleton, Colorado (EUA), Rachel Joy Scott, de 17 anos, caía pelos disparos de dois alunos que abriram fogo indiscriminadamente. Um deles aproximou-se dela e, apontando à cabeça, perguntou: "E agora, acreditas em Deus?". Resposta: "Tu sabes que acredito". Foram as últimas palavras, silenciadas pelo disparo.

Vários anos depois da tristemente famosa matança de Columbine, o testemunho de Rachel Joy Scott continua a tocar os corações de milhões de pessoas. A família a pouco e pouco foi desvelando o interior da sua alma, principalmente com a publicação de poemas, diários e desenhos.

A terceira de 5 irmãos, Rachel era uma dessas jovens que nunca mereceria morrer. Alegre, estudiosa, desejava ser actriz e era crente profunda: cultivava seriamente a amizade com Cristo. Lemos num dos seus manuscritos: "Vai atrás de Deus! Onde quer que te queira   levar, vai. E não venhas com a   desculpa "sou só um adolescente" ou "quando for grande, sim", porque não é assim que isto funciona. Deus quer   conhecer-te agora!".

Rachel não gostava de ser "carimbada como um simples número numa estatística", assim o escrevia, tinha antes muito claro o que importava mais na vida. Resumiu-o na capa de um dos diários: "Nem para proveito da minha glória, nem para proveito da minha fama, nem para proveito do meu êxito. Pelo proveito da minha alma!".



Desenho na porta do armário: "Estas são as mãos de Rachel Joy Scott e um dia hão-de tocar o coração de milhões de pessoas"

Tinha consciência muito viva de que o que fazia tinha repercussão para a eternidade. Os poemas são sem dúvida os textos que melhor transmitem esta visão: "Então e se morresses hoje? Que seria de ti? Para onde irias? Não te está garantido o amanhã, é apenas uma possibilidade. Que podes vir a não ter. E depois da morte, o quê? Onde é que pensas passar a eternidade?". E rematava: "A eternidade está nas tuas mãos: escolhe!".

Mas o que talvez impressione mais, dentro do conjunto de documentos, é o desenho que pintou 15 minutos antes da morte: os seus olhos, que derramam 13 lágrimas a cair sobre uma rosa. O que é que tem de extraordinário? Duas coisas: foram 13 as vítimas nessa manhã; e nos EUA muitas confissões simbolizam a Ressurreição de Cristo com uma rosa (em inglês "rose", que pode também significar "ressuscitou").




Em baixo, desenho feito 15 minutos antes de morrer