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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tenho ao cimo da escada...



Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo entrando os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de Madeira
Arrancada a um Calvário de capela.

Põe as mãos com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.

Mãe das Dores, seus olhos enevoados
Olham chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados
Peço-lhe: - A sua bênção, Mãe!

Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor; quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!
Só isso bastaria a me dar paz.

“Porque choras Mulher?... – docemente a repreendo,
Mas à minh’alma, então, chega de longe a sua voz
Que eu bem entendo:
“Eu sei! Teus filhos somos nós”.

José Régio (1901-1969)

sábado, 5 de setembro de 2015

Buraco de luz para Deus



Ligo o braço longe a uma estrela
A lua límpida sobe no céu
Um anel passa através de outro anel

Procuro o tempo e encontro a passagem
Procuro a morada e encontro o relento

Às vezes mesmo sem voz
Às vezes até sem palavras
Silêncio que Deus me deu
És uma forma de luz
Tornas sagrado o que existe, centelhas da verdade
Somos o barro, somos poeira
O teu vento errante nos leva

Eu sei existe em mim, mesmo no fundo de um poço
Um buraco de luz para Deus
Um nome escrito no céu

E não sei o que fazer e rezo
Rezo sem saber dizer o quê e a quem
Mas rezo
Rezo o chão e a flor, o pão e a fome,
Rezo o branco e a dor
Nas letras do teu nome
Há um buraco de luz

José Tolentino Mendonça
Composição da oratória “Credo”

sábado, 31 de janeiro de 2015

Vencer a natureza



«Bem-aventurados aqueles
a quem Vós dais a graça
de vencer a natureza.
Bem-aventurados aqueles
a quem dais a força
de cumprir a Vossa vontade.
Como vejo ser tão grande
a necessidade de rezar
pelas almas agitadas pelas tempestades
desencadeadas pela natureza:
esta natureza capaz dos divertimentos mais vis,
e das maiores destruições.»

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 - 1948 
Autobiografia, p.298 - 299

Senhor,
Tenho uma natureza, isto é,
tenho dentro de mim forças que conheço
e outras que me surpreendem tantas vezes.
Se me deixo levar pela natureza
vivo como uma cana agitada pelo vento.
Mas Tu, Senhor,
amainaste os ventos
e acalmaste a tempestade.
Por isso lanço-me nos Teus braços,
para que em cada momento
não seja atirado contra os rochedos
pelas ondas da minha natureza,
mas permaneça conTigo
que és o meu verdeiro rochedo,
Aquele que me torna capaz,
não de controlar os sentimentos
ou o que sinto ou não sinto,
mas me dá a força para transcender os sentimentos
de forma a fazer em tudo a Tua vontade.
Ajuda-me, Senhor a estar conTigo,
firme sobre o rochedo que és Tu
e que me tornas capaz
de fazer a Tua vontade de amor.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Orar para louvar




Papa Francisco pede: rezar para louvar

“Nós sabemos rezar muito bem quando pedimos coisas, mesmo quando agradecemos ao Senhor, mas a oração de louvor é um pouco difícil para nós: não é tão habitual louvar o Senhor"


É fácil rezar para pedir, bem mais difícil é rezar para louvar, mas essa oração dá-nos uma verdadeira alegria. Esta foi a principal mensagem do Papa Francisco na Missa de hoje na Capela da Casa de Santa Marta.

No centro da homilia do Santo Padre a Carta aos Efésios, onde podemos ler a oração de louvor do Apóstolo Paulo “uma oração que nós não fazemos habitualmente” mas que é “gratuita e pura” e nos faz entrar numa “grande alegria” – afirmou o Papa Francisco.

“Nós sabemos rezar muito bem quando pedimos coisas, mesmo quando agradecemos ao Senhor, mas a oração de louvor é um pouco difícil para nós: não é tão habitual louvar o Senhor. E isto, podemo-lo sentir melhor quando fazemos memória das coisas que o Senhor fez na nossa vida: ‘N’Ele – em Cristo – escolheu-nos antes da criação do mundo’. Bendito sejas Senhor, porque tu me escolheste! É a alegria de uma proximidade paterna e terna.”

“Não se pode compreender e também não se pode imaginar: que o Senhor me tenha conhecido antes da criação do mundo, que o meu nome estava no coração do Senhor. Esta é a verdade! Esta é a revelação! Se nós não acreditamos nisto nós não somos cristãos! Talvez sejamos impregnados de uma religiosidade teísta, mas não cristãos! O cristão é um escolhido, o cristão é alguém escolhido no coração de Deus antes da criação do mundo. Também este pensamento enche de alegria o nosso coração: eu sou escolhido! E dá-nos segurança.”

O Santo Padre sublinhou ainda que o nosso nome está no coração de Deus porque nós somos eleitos e isto é algo que não se consegue compreender e para o tentarmos entender devemos entrar no Mistério de Jesus Cristo quando celebramos a Eucaristia.

“Quando celebramos a Eucaristia, entramos neste Mistério, que não se pode compreender totalmente: o Senhor é vivo, está conosco, aqui, na sua glória, na sua plenitude e dá uma outra vez a sua vida por nós. Esta atitude de entrar no Mistério devemos entende-la em cada dia. O cristão é uma mulher, um homem que se esforça por entrar no Mistério.”

in iMissio

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Deus em primeiro lugar


   
"Não ficou sem fruto a discussão difícil e intrincada, pois um dos temas – o primeiro a ser examinado e o primeiro, em certo sentido, na excelência intrínseca e na importância para a vida da Igreja –, o da sagrada Liturgia, foi felizmente concluído e é hoje por Nós solenemente promulgado. Exulta o Nosso espírito com este resultado. Vemos que se respeitou nele a escala dos valores e dos deveres: Deus, em primeiro lugar; a oração, a nossa primeira obrigação; a Liturgia, fonte primeira da vida divina que nos é comunicada, primeira escola da nossa vida espiritual, primeiro dom que podemos oferecer ao povo cristão que junto a nós crê e ora, e primeiro convite dirigido ao mundo para que solte a sua língua muda em oração feliz e autêntica e sinta a inefável força regeneradora, ao cantar connosco os divinos louvores e as esperanças humanas, por Cristo Nosso Senhor e no Espírito Santo" (Paulo VI, Alocução no encerramento da 2ª Sessão do Concílio Vaticano II, 04-XII-1963).

Estas palavras foram pronunciadas pelo Papa Paulo VI ao terminar a segunda sessão do Concílio Vaticano II e ao promulgar o seu primeiro documento: a Constituição Sacrosanctum Concilium. Colocam-nos perante um tema que tem sido constante no magistério pontifício destes cinquenta anos: recuperar o primado de Deus. De facto, como tem recordado anos mais tarde Bento XVI, referindo-se ao Concílio Vaticano II: "Por meio deste começo com o tema da liturgia, punha-se de manifesto inequivocamente o primado de Deus e o primado do tema de Deus: Primeiro Deus, é o que nos diz o começar pela Liturgia" (Bento XVI, Prefácio, Obras completas, vol. 11).

Na nossa opinião, poder-se-ia afirmar que o Vaticano II começando pela liturgia deu ao Concílio uma arquitectura precisa: o primado da adoração, porque o primeiro é Deus. Assim colocava-se na linha da Regra beneditina: "Operi Dei nihil proponatur", que nada se anteponha à obra de Deus. Por sua vez, a Constituição Lumen gentium, sobre a Igreja, estaria essencialmente ligada à anterior. A Igreja deixar-se-ia guiar pela oração, pela missão de glorificar a Deus. Neste sentido, parece lógico que a terceira Constituição – Dei verbum – fale da Palavra de Deus que em todo tempo convoca e renova a Igreja. Finalmente, a quarta Constituição – Gaudium et spes – mostraria como tem lugar a glorificação de Deus na vida activa: levando ao mundo a luz recebida de Deus, o mundo transforma-se e converte-se plenamente na glorificação de Deus. A glória de Deus é o homem vivente (cf. 1 Co 10, 31). E a vida do homem é a visão de Deus, como dizia Santo Ireneu.

Recuperar este "primado" de Deus era um objectivo fundamental do Concílio Vaticano II. E continua a sê-lo. João Paulo II recordou-o aos 25 anos da Sacrosanctum Concilium, e agora o Papa Francisco continua a recordar essa necessidade de dar a Deus o primeiro lugar: "Não é útil dispersar-se em muitas coisas secundárias ou supérfluas, mas concentrar-se na realidade fundamental que é o encontro com Cristo, com a sua misericórdia, o seu amor, e em amar os irmãos como Ele nos amou. Um encontro com Cristo que também é adoração, palavra pouco usada: adorar a Cristo (Discurso ao Conselho Pontifício para a promoção da Nova Evangelização, 14-X-2013).

Com a sua linguagem directa, o Bispo de Roma pergunta: "Tu, eu, adoramos o Senhor? Vamos ter com Deus só para pedir, para agradecer, ou vamos até Ele também para O adorar? Mas então que significa adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, demorar-se em diálogo com Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas" (Papa Francisco, Homilia na Missa em S. Paulo Extramuros, 14-IV-2013).

Este significado de adoração, que apresenta o Papa Francisco, tem consequências práticas imediatas que se referem aos edifícios de culto e às celebrações litúrgicas. Concluímos com as suas palavras concretas e directas que movem ao exame e a pôr-se em caminho: "O templo é o lugar onde a comunidade acorre para rezar, louvar o Senhor, agradecer. De facto, no templo adora-se o Senhor. Este é o ponto mais importante. E esta verdade vale para todo o templo e para toda a cerimónia litúrgica onde aquilo que é mais importante é a adoração, não os cânticos ou ritos, embora sejam belos. Toda a comunidade reunida olha para o altar onde se celebra o sacrifício e adora. Humildemente creio que nós os cristãos talvez tenhamos perdido um pouco o sentido da adoração. Pensamos: vamos ao templo, reunimo-nos como irmãos, e isto é bom, é belo. Mas o centro está ali onde está Deus. Nós adoramos a Deus” (Homilia, Casa de Santa Marta, 22-XI-2013).


JUAN JOSÉ SILVESTRE
Professor de Teologia Litúrgica
Universidade Pontifícia da Santa Cruz (Roma)
Artigo publicado na revista “Palabra” (Madrid, Janeiro de 2014)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Rezar é...



Rezar é olhar para Deus...
Rezar é deixar-se olhar por Ele...
Rezar é rir com alegria...
Rezar é chorar...
Rezar é zangar-se com Ele, mas a correr fazer as pazes...
Rezar é estar em silencio e não conseguir dizer nada...
Rezar é olhar Maria, nossa Mãe. e ver como Ela fazia...
Rezar é falar amigavelmente com o nosso Amigo e no silencio tentar escutá-Lo...
Rezar é dar murros na mesa e tentar compreender o incompreensível...
Rezar é deixá-Lo sofrer em nós...
Rezar é arranjar O espaço Dele em nós e assim viver...
Rezar é deixá-Lo Ressuscitar em nós e nós com Ele...
Rezar é de uma diversidade que não tem fim...
Afinal, afinal...rezar aprende-se rezando...

Rezar! Rezar...rezar!
Estar com amigos também é rezar.

Pe. Zé Melo