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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

A oração de um pai-Natal ao Menino Jesus



Meu querido e precioso Menino Jesus, eu não pretendo tomar o Teu lugar.

Eu só trago brinquedos e coisas e Tu trazes amor e graça.

As pessoas dão-me listas de desejos e esperam que elas se realizem; mas Tu ouves as orações do coração e garantes a Tua vontade de ajudar.

As crianças tentam ser boas e não chorar quando eu vou à cidade; mas Tu ama-las de verdade e esse Amor abundará. 

Deixo apenas um saco de brinquedos e alegria passageira por uma temporada; mas Tu deixas um coração de amor, para sempre.

Eu tenho muitos crentes a que se pode chamar de fama; mas eu nunca curei o cego ou tentei ajudar o coxo.

Tenho bochechas rosadas e uma voz cheia de riso; mas nenhuma mão com cicatrizes ou uma promessa do além.

Tu podes encontrar vários como eu na cidade ou num shopping; mas há apenas Um único Omnipotente para responder à chamada de um pecador.

E assim, meu querido e precioso Menino Jesus, ajoelho-me aqui para orar; para Te adorar a Ti neste Teu santo aniversário.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Para além do Pai Natal, reaprendamos a arte do dom

Imagem

Quando as crianças se dão conta - e dão-se conta muito depressa - que o Pai Natal não existe, falam disso entre elas, mas diante dos adultos fingem que não o sabem ainda durante algum tempo, porque percebem que isso lhes dá prazer. O Pai Natal é uma crença extremamente efémera que se torna numa representação cultural ou familiar tácita, apenas isso. Não admira que muitos se interroguem sobre a razão da persistência da sua figura quando, grandes ou pequenos, muito poucos acreditam verdadeiramente nela. O Pai Natal seria então uma imposição meramente comercial, um ícone vazio, um símbolo gasto e esgotado que não tem nada mais a dizer? Provavelmente sim, se pensarmos na banalização massiva que assistimos ano após ano.

Em todo o caso, vale a pena sondar esta estranheza que faz com que os pais continuem a atribuir a uma outra entidade - uma entidade gráfica e pitoresca como o Pai Natal - os dons que eles mesmos compram para os próprios filhos. Seria lógico pensar que faria mais sentido que o presente fosse ligado ao seu rosto, um tosto bem conhecido, que transmite confiança e afeto, um rosto que reforça o contexto habitual da criança. O dom é, em vez disso, atribuído a uma entidade anónima, desconhecida, que aparece anualmente e de modo fugaz, sem uma relação personalizada com aqueles que oferecem os dons. Mas é precisamente este fato que nos induz a refletir sobre aquilo que se ativa no ato de dar e de receber. Que significa dar? Quem é o agente do dom? De quem recebemos aquilo que nos é dado? É aqui que se decide o sentido submerso do Pai Natal.

Sublinhemos, antes de mais, que o Pai Natal não deixa de ser um pai. O, melhor, o pai de um pai, um avô, se tivermos em consideração a sua idade, a sua barba branca, o seu humor tilintante e redondo, a sua bondade um pouco extravagante. Trata-se, no fundo, de um predecessor, de alguém que não representa apenas o instante atual mas quanto nos é transmitido de geração em geração, aquilo que os nossos pais nos dão porque o receberam antes dos seus pais e assim por diante.

O Pai Natal alarga os restritos metros quadrados da família contemporânea e estende os laços, testemunhando também tudo aquilo que se recebe dos outros, e não só dos pais, não só daqueles que constituem o quadro normal da vida. Deste modo, ele une cada criança a todas as crianças do mundo na expectativa e no entusiasmo pelo dom, sem o qual a vida nada seria. O dom, não o esqueçamos, é muito diferente do circuito frio, tão sonâmbulo e voraz, da troca e do comércio, mesmo se hoje parece totalmente sequestrado por essas lógicas.

O que é que de mais precioso podemos dar aos outros que a nossa atenção criativa, o nosso cuidado, o nosso tempo, a nossa fidelidade ao que cada um, em cada instante, é? O dom gera dom, mas não no sentido da gramática mercantil que procura o proveito próprio mais do que a experiência autêntica da oferta de um presente.

O citadíssimo "do ut des" (dou-te para que me dês) é um mote que trai a beleza do dom, o qual pode ser unicamente uma expressão de amor sem cálculo nem medida. Por isso é urgente resistir à pressão comercial que enche o saco do Pai Natal de coisas, coisas e mais coisas, que têm o único efeito de neutralizar a relação, de perpetuar de modo camuflado a indiferença e a distância, em vez de construir uma presença calorosa, disponível, confiante na nossa humanidade diante da humanidade dos outros.

Por isso, quando nós, adultos, nos sentamos junto às crianças, mesmo àquelas que ainda não sabem escrever, para as ajudar a redigir a sua cartinha ao Pai Natal, é importante que tenhamos bem claro dentro de nós a oportunidade e o sentido que naquele momento estão em jogo. Precisamos de reaprender a arte do dom.

José Tolentino Mendonça 
In "Avvenire" 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Está na hora de voltar para casa!



A maior rede de supermercados da Alemanha, a Edeka, lançou o seu primeiro anúncio para a quadra festiva do Natal.

O anúncio de Natal da maior rede de supermercados alemã está a emocionar o Mundo. O vídeo, que já se tornou viral, conta a história de um idoso que passa o Natal sozinho.

O idoso chega a casa do supermercado e ouve as mensagens dos filhos a dizer que não podem ir passar o Natal com ele, prometendo que o fazem no próximo ano. Contudo, passam três anos e ele continua sozinho na noite de Natal. Então decide enviar uma carta a dizer que morreu.

A ação passa depois para os filhos e netos que recebem mensagens e cartas com a notícia de que o pai morreu. Regressam então a casa, de luto, mas quando entram, encontram a mesa posta para todos e o pai na cozinha. "De que outra forma conseguiria que estivéssemos juntos?", pergunta.

As lágrimas transformam-se em risos à medida que a família se reúne para o jantar.

"É tempo de voltar a casa", diz o slogan do anúncio.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Nós os dois


Desde que sei
Que sou como um fiozinho de erva
Que de manhã reverdece e à tarde seca,
Que aprendi a suportar o peso
Do milagre.
Hoje tudo é mais claro
Tudo é mais nítido.
Mas no tempo em que os pinheiros
Eram altos
E os meus olhos de um verde cristalino,
No tempo em que o tempo
Era incandescente
E fazia carrancas ao destino,
Aí, oh meu país inocente
E pequenino,
Era eu que era mais divino
Ou era Deus que era mais menino?

1. Sim. Enquanto tu descias a este chão de pó, e afanosamente o modelavas (Génesis 2,7), eu subia em sonhos a escada de Jacob (Génesis 28,12), e às escondidas, comia o teu céu de pão-de-ló. Deslumbramento teu no sótão deste chão, quando, no lusco-fusco da vidraça, descobriste o meu pião enrolado na baraça. Deslumbramento meu, quando, distraído, brincava no teu céu, e quase escorregava pelo firmamento.
2. Valeu-me então um anjo que estava de passagem, e me deu a mão. Percebi depois que regressava do jardim do éden (Génesis 2,8), de regar a tua plantação (Isaías 61,3). Contou-me tudo. Falou-me de Abraão, de um rio que abriste no deserto (Isaías 43,19), da avenida florida que atravessa o mar a céu aberto (Sabedoria 19,7), da estrada traçada no deserto onde habitualmente andas a pé (Isaías 35,8), e sobretudo das flores que fizeste florescer em Nazaré (de natsar, florescer).
3. Fomos depois os dois até Jerusalém, e vimos-te a escolher no ribeiro manso as pedras trabalhadas na torrente (1 Samuel 17,40). Olhavas para elas demoradamente em tuas mãos deitadas, e só depois as adornavas com tinta cor de rímel (Isaías 54,11), e as sentavas carinhosamente à tua mesa, em tua casa, onde ardia e não se consumia uma sarça acesa (Êxodo 3,2).
4. Juntaram-se, entretanto, a nós milhares de anjos deslumbrados. Pus-me todo atento e parabólico, e pude ver o vento que o seu bater de asas produzia, e vi ainda que é essa energia que alumia as casas, muito mais do que qualquer rede de alta tensão ou parque eólico. Foi então que o anjo que comigo viajava me indicou um caminho hiperbólico (1 Coríntios 12,31).
5. Entrei nesse caminho. Mas rapidamente vi que não ia sozinho. Ias tu, Senhor, comigo. Chamava-se amor esse caminho aberto no deserto (Atos 8,26). Confesso que nunca tinha estado tão perto da água viva e tão perdido no meio do sentido (Atos 8,36). Tão refém deste Deus nascido em Belém.

Mesa de palavras: NÓS OS DOIS
D. António Couto, Bispo de Lamego (25-12-2014)
[Imagem: Tela: Natività (1650), de Carlo Maratta Igreja São José dos Marceneiros, Roma]

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Adeste Fidelis

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ADESTE FIDELIS
Hino Português tocado em todo o mundo no Natal.

"Adeste Fideles" é o título do chamado "Hino de Natal Português", escrito pelo Rei D. João IV de Portugal. Foram achados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no seu palácio de Vila Viçosa.

Muitos outros atribuem a autoria desse hino a John F. Wade, que não pode ter composto a obra, já que o seu manuscrito data de 1743. O mais provável é que Wade tenha traduzido o Hino Português, como era chamado em Londres na época e ficado com os louros.

D. João IV de Portugal, “O Rei Músico” nascido em 1604 foi um mecenas da música e das artes, assim como um sofisticado autor; foi também compositor e durante o seu reinado possuiu uma das maiores bibliotecas do mundo. A primeira parte da sua obra musical foi publicada em 1649.

Fundou uma escola de música em Vila Viçosa de onde saíam músicos para Espanha e Itália e foi aí, no seu palácio, que se acharam dois manuscritos desta obra. Esses escritos (1640) são anteriores à versão de 1760 feita por Wade.

De entre os seus escritos podemos encontrar “Defesa da Música Moderna (Lisboa, 1649) ano em que o Rei D. João IV lutou contra o Vaticano para conseguir a aprovação da música instrumental nas igrejas.


Clicar:
http://www.youtube.com/watch?v=u7JkQEiOVKI

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Para dizer junto à manjedoura



Que teus olhos, Menino, ensinem largueza
e altura aos meus olhos

Que teus olhos curem os meus
da fadiga e dos seus filtros

Que teus olhos desimpeçam a visão
fragmentária, parcial e indecisa

Que teus olhos devolvam aos meus olhos
o vento azul da viagem e a sua alegria
Devolvam o real como anel aberto
em vez dos círculos obsidiantes e fechados
Devolvam o aberto como imagem
e programa

Que teus olhos, Menino, ensinem aos meus
o seu natal

José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O quarto Rei Mago



Como toda a gente sabe, os três reis magos ofereceram presentes ao Menino Jesus: ouro, incenso e mirra. Nossa Senhora e S. José agradeceram. Mas o Menino piscou os olhos com o brilho do ouro, começou a tossir com o cheiro do incenso; e não achou graça nenhuma à mirra. Os três reis, que se tinham ajoelhado, levantaram-se e foram-se embora pouco satisfeitos, porque o Menino os não tinha tratado com a consideração a que achavam que tinham direito.

Já eles iam longe, quando apareceu o quarto rei. Este rei vinha do Golfo Pérsico. No dia em que tinha visto a estrela que anunciava o nascimento do Messias, dispôs-se logo a partir. Foi à câmara subterrânea onde guardava os seus tesouros, abriu um cofre e retirou aquilo que tinha de mais valioso, três pérolas muito grandes e muito brancas. Mandou ajaezar o seu camelo mais forte e partiu na direcção da estrela.

Alguns dias depois, viu o presépio, mesmo por debaixo da estrela. O pior é que chegava atrasado, os reis seus colegas até já se tinham ido embora. E, pior ainda, já não tinha presentes…
Mesmo assim, abriu devagarinho a porta da cabana. Lá estavam, o Menino, sua Mãe e S.José. Começava a ficar escuro. S. José ajeitava a palha para se deitarem. O Menino Jesus estava ao colo de Maria, que o embalava, cantando em surdina uma canção.

O rei do Golfo Pérsico entrou a medo, e ajoelhou aos pés do Menino e de sua Mãe. Com ar envergonhado, começou a falar:

«Senhor, cheguei atrasado. Vejo que os meus colegas já Te prestaram as suas homenagens, já Te ofereceram os seus presentes, e já partiram.

Eu também Te trazia uma prenda: eram três pérolas muito grandes e muito bonitas, três pérolas verdadeiras, do mar do Golfo Pérsico.

Peço muita desculpa. Sabia que os outros reis vinham à minha frente, e tinha a certeza de que os ia apanhar. Mas entrei numa estalagem para jantar. Bebi um bocadinho de mais e apeteceu-me ficar lá nessa noite. Mas ao sair da sala de jantar, vi um velho estendido no chão ao pé da lareira e a tremer de febre. Ninguém sabia quem ele era, não tinha dinheiro e iam pô-lo na rua.

Senhor, era um velho muito velho, magro e macilento, com uma barba branca mal tratada. Fez-me lembrar o meu pai. Senhor, desculpa-me: peguei numa das três pérolas que eram para ti e dei-a ao dono da estalagem para que chamasse um médico, desse comida e alojamento ao velho, e o enterrasse de maneira digna se ele não resistisse à doença e morresse.No dia seguinte, retomei o caminho. Batia no meu camelo para ver se ele andava mais depressa e alcançava os meus amigos. Mas ao passar num desfiladeiro ouvi gritos. Eram salteadores que queriam fazer mal a uma rapariga. Eram muitos e eu não tinha possibilidade de os atacar e vencer. Gritei-lhes que lhes dava uma pérola muito grande se soltassem a rapariga. Quando viram a pérola, disseram logo que sim. Deixaram a rapariga , que fugiu a correr para os montes. E eu dei-lhes a pérola, que era para ti. Desculpa-me!

Já só tinha uma pérola, mas essa não a queria perder. Já passava do meio-dia, e eu obrigava o meu camelo a andar cada vez mais depressa. Passei então por uma aldeia. Estava cheia de soldados de Herodes, que procuravam os meninos de menos de dois anos e os matavam à espada. Já só restava um e iam deitá-lo a uma fogueira. A mãe da criança gritava e chorava, como se a estivessem a matar a ela. Senhor, desculpa-me, peguei na última pérola e dei-a aos soldados para que entregassem o miúdo à mãe. Eles aceitaram. A mulher nem me agradeceu. Pegou no filho, vivo, e fugiu a correr muito.

Senhor, já não tenho pérola nenhuma. Desculpa-me!»

O rei calou-se. Não se ouvia zumbir uma mosca. Prostrado no chão, ousou finalmente levantar a cabeça. S. José tinha acabado de ajeitar a palha e aproximava-se. Maria olhava fixamente para Jesus, ao seu colo. E o Menino, será que estava a dormir?

Não. O Menino Jesus não estava a dormir. Voltou a cabeça para o rei do Golfo Pérsico. Tinha um ar muito contente. Estendeu as mãozinhas para as mãos vazias do rei. E sorriu-lhe.

JOANNES JOERGENSEN, in Contes de Noël, Éd.du Seuil,1961. (Adaptação)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

É Natal


É tempo de alegria e gratidão! Chegaste! Celebremos a Tua vinda, neste dia tão especial. Parabéns e obrigada!

Obrigada por nos teres vindo mostrar que o amor que nos tens é maior que a soma de todos os nossos pecados.
 
Nasce, hoje, outra vez, em mim, para que se renove a inocência e a doçura do Menino, a obediência e a mansidão do Filho, a sabedoria e a paciência do Mestre e a misericórdia e o amor do Salvador.

Saiba eu, com a Tua graça, ser uma centelha da Tua luz, num mundo que perdeu a esperança, ser o silêncio sereno da Tua paz, num mundo de vozes que já não se entendem, e ser o testemunho do Teu amor com a simplicidade do meu viver.
 
Saiba eu lembrar-me, sempre, do modo como viveste entre nós para que, com o Teu auxílio, nunca me falte a coragem de prosseguir a caminhada, mesmo quando as minhas pernas fraquejarem e o meu corpo for trespassado pelas dores desta vida.
 
Saiba eu ter sempre presente o modo como morreste por todos nós, para que saiba acolher a Tua vontade, mesmo quando ela me parecer amarga e insuportável. Lembra-me, com carinho, que, aos pés da Tua Cruz, nenhum fardo é tão pesado que não o possa suportar.
 
Saiba eu entregar-me a Ti, sem medo e sem hesitar, depositando em Ti toda a minha esperança e renovando, diariamente, o meu "sim", com alegria e confiança, como fez Maria, com tanta ternura e fé, antes de todos nós.
 
Saiba eu corresponder ao Teu amor por nós, mantendo sempre acesa a chama da minha fé, cantando os Teus louvores e agradecendo Todas as dádivas que me concedes.
 
Obrigada pela Vida que És em mim, pela Verdade que me guia, pela Palavra que educa, pela Luz que ilumina o meu caminho, pela Paz que serena, pela Esperança que renova e pelo Amor que brota do meu coração.
 
É Natal! Parabéns Jesus!

Raquel Dias

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O sinal é a ternura de Deus



O sinal é que esta noite Deus se enamorou da nossa pequeneza e se fez ternura para toda a fragilidade, para todo o sofrimento, para toda a angústia, para toda a busca, para todo o limite; o sinal é a ternura de Deus e a mensagem que buscavam todos os que pediam sinais a Jesus, a mensagem que buscavam todos os desorientados, os que até eram inimigos de Jesus e O buscavam, no fundo da alma era este: buscavam a ternura de Deus, Deus feito ternura, Deus a acariciar a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequeneza. Hoje é isto que se proclama: a ternura de Deus. O mundo vai em frente, os homens continuam a buscar Deus, mas o sinal é sempre este!

Contemplando o Menino nascido no presépio, contemplando esse Menino enamorado da nossa pequenez, nesta noite cabe a pergunta: qual é a ternura de Deus para connosco? Deixas-te acariciar por essa ternura de um Deus que te quer bem, por um Deus feito ternura? Ou és indócil, e não te deixas buscar por esse Deus. “Não, eu não procuro a Deus», pode dizer-se. Não é muito importante que tu procures a Deus, porque o mais importante é que te deixes procurar por ele, pela sua carícia na ternura. Esta é a primeira pergunta que este menino, apenas com a sua presença, nos faz hoje. Deixamo-nos envolver por essa ternura? Deixas-te animar também a ser ternura para toda a situação difícil, para todo o problema humano, para quem está próximo, ou preferes a solução burocrática, executa, fria, eficiente, não evangelizadora? Se assim for é porque tens medo da ternura que Deus exerce contigo? E esta seria a segunda pergunta: aceito, através dos meus comportamentos, essa ternura que me deve acompanhar ao longo da vida, nos momentos de alegria, de tristeza, de cruz, de trabalho, de conflito, de luta?

A resposta do cristão não pode ser outra que a mesma resposta de Deus à nossa pequenez: ternura, mansidão. Quando vemos que um Deus Se enamora da nossa pequenez, que Se faz ternura para nos acariciar melhor, um deus que é mansidão, todo intimidade, todo proximidade, não nos resta outra coisa senão dizer-lhe: Senhor, se tu foste assim, ajuda-nos. Dá-nos a graça da ternura nas mais penosas situações da vida; dá-me a graça da proximidade, perante toda a necessidade humana, dá-me a graça da mansidão perante todo o conflito.

Peçamos isto porque esta é uma noite para pedir e atrevo-me a dar-vos uma tarefa para o lar: esta noite, ou amanhã, que não termine o dia de Natal, se, que encontreis um pouquinho de silêncio e pergunteis: que ternura é que Deus tem para comigo? Que ternura tenho eu para os demais? Que ternura costuma ser a minha em situações-limite? Que mansidão é a minha no trabalho e nos conflitos? E certamente Jesus vai responder-vos.

Cardeal Bergoglio, Buens Aires 2004

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Oração ao Menino Jesus


Ó meu Menino adorado,
quis fazer de mim um berço
decorado a ouro e prata
para te poder acolher…
Disseste-me docemente
sussurrando ao meu ouvido:
Não quero o meu berço assim,
mas como te vou dizer.
Constrói-o só em verdade,
reveste-o de simplicidade,
aquece-o na caridade
e que todos o possam ver,
porque é num berço assim
que Eu quero vir a nascer.
Respondi-Te com meiguice
esperançado na resposta:
Mas Tu sabes, meu Menino
que sozinho nada consigo.
Por isso Te peço, ó Pai
que envies o Teu Santo Espírito
e me faças em berço novo,
segundo a Sua vontade.
Que no alto desponte a Luz
para que todos possam ver,
o meu berço,
todos os berços,
em que Jesus vai nascer…
Joaquim Mexia Alves, via Spe Deus

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Para haver Natal este Natal


















Para haver Natal este Natal
Talvez seja preciso reaprendermos
Coisas tão simples!
Que as mãos preocupadas com embrulhos
Esquecem outros gestos de amor,
Que os votos rotineiros que trocamos
Calam conversas que nos fariam melhor,
Que os símbolos apenas se amontoam
E soltam uma música triste
Quando já não dizem aquela verdade profunda!

Para haver Natal este Natal
Talvez seja preciso recordar
Que as vidas começam e recomeçam
E tudo isso é nascimento (logo, Natal)
Que as esperanças ganham sentido
Quando se tornam caminhos e passos.
Que para lá das janelas cerradas
Há estrelas que luzem
E há a imensidão do Céu.
Talvez nos bastem coisas
Afinal tão simples:
(1) O alento dos reencontros autênticos;
(2) A oração como confiança soletrada;
(3) A certeza de que Jesus nasce em cada ano
Para que o nosso natal, alguma vez, esta vez, seja Natal!

Pe. Tolentino Mendonça