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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Ao serviço da paz



Ao serviço da paz
O Vídeo do Papa 11 – Novembro 2018

Três letras que alguns utilizam normalmente mas há outros que há anos não a experimentam. Porque em muitos lugares do mundo a paz não é uma realidade, é somente um desejo para milhares de pessoas que sofrem pela sua ausência. Pensemos mais do que nessas três letras, mas no seu significado. Rezemos e trabalhemos para alcançar a verdadeira paz. “Todos queremos a paz. É uma aspiração profunda, sobretudo daqueles que sofrem pela ausência de paz. Recordemos que Jesus também viveu em tempos de violência. E Ele nos ensinou que a verdadeira paz está no coração humano. Podemos falar com palavras esplêndidas, mas, se em nosso coração não há paz, não haverá no mundo. Pratiquemos esta paz nos pequenos gestos, com o diálogo guiando as relações pessoais e sociais. Com zero violência e cem por cento de ternura, construamos a paz evangélica que não exclui ninguém. Rezemos juntos para que a linguagem do coração e do diálogo prevaleça sempre sobre a linguagem das armas.” O Vídeo do Papa difunde todo mês as intenções de oração do Santo Padre pelos desafios da humanidade e a missão da Igreja.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Só há um lugar onde posso ter paz



Todos temos um recanto no mundo em que, protegidos e distantes do barulho e da pressa, descansamos e usufruímos da paz pela qual passamos a vida a lutar.

Aí, não há festas nem alegrias efusivas, apenas uma paz pura. Ali, sós, estamos em boa companhia.
É um erro enorme julgar que nos realizamos apenas fora de nós, ou que isso é uma condição essencial para uma realização plena.

Quem se deixa guiar pela fome da aprovação dos outros, não tem consciência de que essa avidez conduz a uma tal exposição que impede o recato e a intimidade onde as nossas forças se equilibram e fortalecem. Quem vive para a aparência, cedo troca a paz interior por uma ilusão de fama, tão instantânea que morre logo depois de nascer.

Quem não tem onde viver em paz é miserável. No sentido mais profundo e absoluto da miséria.
Só neste lugar, que não é um sonho, posso adormecer e acordar com um sorriso.

Por que razão não estou sempre lá? Talvez porque tenho de passar pelo pior para continuar a merecer o melhor.

Na vida temos sempre de fazer sacrifícios grandes para continuarmos a existir nesse lugar onde aprendemos a ver o mundo como ele é, onde os nossos planos se começam a fazer realidade, onde recarregamos as nossas forças, onde somos e nos sentimos amados.

Amar implica sair deste conforto e fazer muita coisa desagradável que é imprescindível à defesa da minha felicidade.

Caminhando sempre, como se o espírito só avançasse quando as pernas o agitam, procurando sem cessar a paz do outro, sem a qual não posso ter a minha.

E é assim que, enquanto na terra os meus pés se debatem com a lama e os buracos do mundo, o meu coração experimenta já a paz de um céu ao qual não cheguei ainda.

José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O pecado da preocupação



Entenda quando a ansiedade e a preocupação podem se tornar pecados na sua vida

O mundo está doente, mas a maior de todas as doenças não é causada por infecções, vírus ou epidemias, muito embora também possa ser contagiosa. As doenças psicossomáticas — pressão alta, hipertensão, etc, são a marca de uma sociedade emocionalmente frustrada e mentalmente enferma.  Milhões de pessoas estão sobrecarregadas com problemas de ansiedade, a preocupação é a causa de problema doméstico, fracasso comercial, injustiças sociais, e mortes prematuras.

Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. (Filipenses 4,6)

Uma das características da preocupação é sua natureza contagiosa. Vários psiquiatras creem que a preocupação é muito mais contagiosa do que doenças infecciosas como a poliomielite e a difteria. A preocupação causa efeitos devastadores não apenas naqueles  que a sofrem, mas em todos à sua volta.

A palavra preocupação vem da palavra grega merimnao que é uma combinação de duas palavras:  – merizo que significa “dividir” e nous que significa “mente” (incluindo as faculdades perceptivas, de compreensão, sentimento, de julgamento e determinação).

A preocupação, portanto, significa “dividir a mente”. A preocupação divide a mente entre interesses dignos e pensamentos prejudiciais.

Uma pessoa com a mente dividida entre o sucesso e o fracasso, certamente vai fracassar. Uma mente dividida não atinge metas, pois a dúvida sempre dá o tom. A mente dividida é a desconfiança de si mesmo, é sentir-se incapaz, mesmo quando este alguém está plenamente qualificado para executar a tarefa.

São Tiago fala do estado infeliz da pessoa que tem a mente dividida: “O homem de ânimo dobre é inconstante em todos os seus caminhos” (Tiago 1,8).

O  homem irresoluto, de ânimo dobre é inconstante em todos os seus caminhos. Ele é inconstante em suas emoções. É inconstante em seus processos de pensamento. É instável em suas decisões. É instável em seus julgamentos.

Preocupação é PECADO

Ao preocupar-se, a pessoa acusa Deus de falsidade.

A Palavra de Deus diz: “Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” (Romanos 8,28).

A preocupação diz: “Tu mentes, ó Deus!”

A Palavra de Deus diz: “Tudo ele tem feito esplendidamente” (Marcos 7,37).

A preocupação diz: “Tu mentes, ó Deus!”

A palavra de Deus diz: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4,13).

A preocupação diz: “Tu mentes, ó Deus!”

A Palavra de Deus diz: “… não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis.”. .. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso” (Mateus 6,25a, 32b).

A preocupação diz: “Tu mentes, ó Deus!”

Preocupação é hipocrisia, porque professa fé em Deus e ao mesmo tempo ataca a sua fidelidade.

Como vencer a preocupação

Nosso objetivo neste artigo não é desenvolver um sistema de auto-ajuda, mas uma relação de mútua confiança entre nós e nosso Deus. Somos seres com enorme carência afetiva, precisamos nos relacionar, viver em comunidade, ser parte da sociedade. Muitas vezes Deus é apenas o agente máximo da religião que praticamos, não o autor da nossa vida e o provedor de todo o meio ambiente que desfrutamos.

Deus é a pessoa mais acessível com a qual podemos contar, em todo o tempo e em qualquer momento, basta uma palavra de oração, nem que seja um gemido desesperançado, inexprimível, é suficiente para chamar à atenção do Pai em favor dos filhos.

Devemos estabelecer um equilíbrio em nosso relacionamento com Deus, fazer com que se torne uma estrada de mão dupla, onde ambos possam ter livre acesso um ao outro. A confiança é a base de qualquer relacionamento, devemos confiar que nossas orações estão alcançando seus objetivos e que Deus, a Seu tempo, cumprirá os desígnios e propósitos da nossa fé.

sábado, 1 de outubro de 2016

Face à desgraça, pensa!



Por maior que seja a desgraça, ela deve ser sempre motivo de reflexão. Isso é mais importante do que a dor que se possa sentir, ou a empatia com quem a sente. Há quem passe a vida a achar que a sorte e o azar escrevem o nosso destino e que apenas podem alegrar-se com os bons momentos e entristecer-se com os maus.

Depois de uma tragédia, é tempo de procurar aprender algo. Pode ser apenas uma boa dose de aceitação, por não termos grande poder sobre a maior parte das coisas que nos rodeiam. Ou então, a humildade de reconhecer que não somos tão bons quanto nos julgávamos.

Depois de algum tempo, começamos a perceber que boa parte das calamidades pessoais, que são séries de desgraças, se devem mais a faltas de sensatez e prudência nossas do que a infortúnios alheios à nossa existência.

Quantas vezes somos nós próprios que buscamos os extravios?!

Todos estamos à mercê das circunstâncias, mas a resposta que damos a cada uma é que define a nossa identidade. Não somos vítimas das condições, seremos sempre a capacidade concreta de lhes dar resposta. Ora, isso pressupõe muito mais do que lágrimas e lamentos.

Há quem julgue mesmo, no interior do seu coração e nas profundezas da sua razão, que não somos mortais. Cada morte é vivida com uma tal surpresa que só pode advir de um erro enraizado nas profundezas da sua razão. Todos temos o mesmo destino. A morte é para todos. Para mim, que escrevo estas linhas e para si, que as lê. Somos iguais nisso. E iguais a todos os outros.

Felizes os que se aperfeiçoam a partir das suas infelicidades.

Mas enquanto a morte não chega, importa aproveitar bem os dias e as noites da nossa fugidia existência. Devemos viver em pleno, mesmo sabendo que uma noite virá em que a poeira que somos poisará e voltará à terra, de onde, numa madrugada, um sopro a levantou...

Nenhuma desgraça é o fim, nem mesmo a morte. Há muito mais no céu e na terra do que aquilo que conseguimos compreender. Mas é essencial que procuremos sempre saber mais a fim de aprender a sentir e viver melhor.

Só uma razão iluminada permite um coração tranquilo!

José Luís Nunes Martins, 
(ilustração de Carlos Ribeiro)

sábado, 11 de junho de 2016

A alegria é paz que transborda




A alegria é uma bondade que se quer partilhar. Depende da capacidade de cada um de nós se desprender do que nos impede de voar. Sim, a alma voa. Mesmo. Se não a aprisionarmos em preocupações inúteis que se devem ignorar ou esquecer, ainda que, por vezes, com bastante sacrifício.

Só há alegria quando aprendemos a não nos entristecer com dores do passado, a seguirmos adiante apesar dos obstáculos do presente e quando temos mais fé do que ansiedade em relação ao futuro dos nossos sonhos... a alegria é sem tempo, está acima do tempo.

É uma condição essencial do verdadeiro contentamento que se estejam a vencer as guerras. Interiores e exteriores. E vencer, por vezes, é apenas lutar... qualquer que seja o resultado. A alegria supõe uma paz de espírito. Sem paz, não há alegria.

As pessoas que não invejam o que os outros possuem, e que vivem contentes com o que são, têm paz e, portanto, alegria. Ao contrário daquelas que, mesmo tendo muito, acham que é sempre pouco, porque maior é a sua ambição, ou avareza, ou ânsia de poder…

A alegria nasce da paz, é um silêncio íntimo de quem luta na mais importante das guerras... é a vontade de partilhar o mais precioso de todos os bens: a felicidade autêntica.

A alegria não é o entusiasmo do início… só há verdadeira alegria no fim.

sábado, 4 de junho de 2016

​Para quem procura luz na escuridão



Somos muitos, apesar de cada um se sentir isolado, desprotegido e só. No cansaço do nosso desespero… nesta procura constante por um simples sinal de descanso... devemos confiar mais no que escutamos. Talvez a salvação nos chegue pelo que ouvimos. Não pelo que vemos.

A tristeza demora-se no tempo. A aflição é mais forte, mas muito mais passageira. A infelicidade é um contínuo estado de tristeza. O infeliz está sempre triste. Mas quase todas as tristezas resultam de uma aflição... que passa, mas deixa uma ferida aberta. A tristeza é sem aflição. Arde mais fundo do que quase todos os sentimentos comuns. Apenas o amor é mais profundo.

As tristezas matam, de forma lenta, quem as sente e não as consegue resolver.

Só o amor pode salvar quem vive entristecido. Não os amores egoístas, mas o verdadeiro, aquele que procura o bem de um outro.

Nas trevas da solidão onde nos perdemos, podemos ouvir o silêncio de outros como nós, sentir o seu medo e a sua frustração, tocar-lhes… dar-lhes a mão. É difícil suportar alguém. Impedir que caia. Ajudá-lo a erguer-se. É difícil amar… muito mais do que ser só.

Escuta. Escuta o silêncio. Escuta o outro. O infinito e a paz que procuras não estão em ti, estão no outro.

Não confies no que brilha, quase sempre é apenas um mero reflexo de uma luz que está no lado oposto.

O mundo que vês quando fechas os olhos também és tu que o fazes. Escolhe o melhor de ti.


Ilustração de Carlos Ribeiro

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Amizade



Pela amizade que você me devota,
por meus defeitos que você nem nota...
Por meus valores que você aumenta,
por minha fé que você alimenta...
Por esta paz que nós nos transmitimos,
por este pão de amor que repartimos...
Pelo silêncio que diz quase tudo,
por este olhar que me reprova mudo...
Pela pureza dos seus sentimentos,
pela presença em todos os momentos...
Por ser presente, mesmo quando ausente,
por ser feliz quando me vê contente...
Por este olhar que diz:
"Amigo, vá em frente!"
Por ficar triste, quando estou tristonho,
por rir comigo quando estou risonho...
Por repreender-me, quando estou errado,
por meu segredo, sempre bem guardado...
Por seu segredo, que só eu conheço,
e por achar que apenas eu mereço...
Por me apontar pra DEUS a todo o instante,
por esse amor fraterno tão constante...
Por tudo isso e muito mais eu digo:
Deus vos abençoe
meus queridos amigos 

(Autor Desconhecido)
Grupo de Catequistas de São Julião da Barra

sábado, 26 de dezembro de 2015

Depois da bonança, vem a tempestade

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205256152710921
Há quem julgue que, nesta nossa vida, os tempos de paz e alegria são para sempre... na verdade, a calmaria é um sinal da aproximação de tempos difíceis. Assim é no mundo exterior, assim é no interior de cada um.

Há quem não se preocupe com as tempestades, julgando que são pessimistas os que se preparam, e tentam cuidar de tudo o que lhes é possível, para que diante das tragédias possam fazem mais do que ficar parados a ver...

Só quem resiste às tempestades tem valor. Os fracos deixam-se ir... como os destroços.

Já todos caímos e nos levantámos... fomos frágeis e heróis, no entanto, poucos são os que cumprem o dever de não esquecer as suas forças e vitórias perante as adversidades passadas.

Mais vale ser bom do que ser grande. Em tudo e em cada coisa.

As bonanças não duram... e depois de uma tempestade, outra tempestade virá. E se parece que nunca há paz no nosso interior, é essencial que consigamos garantir que o nosso coração é forte e se mantém lá no alto, acima das nuvens. Porque amar e ser bom não é ter o céu no coração, antes sim, ter o coração no céu... apesar de tudo o que se passa aqui.

José Luís Nunes Martins

sábado, 5 de dezembro de 2015

O estreito caminho do bem


A nossa salvação depende do equilíbrio entre o trabalho e o descanso. As guerras desta vida pressupõem que cada um de nós, a cada batalha, saiba encontrar tempo para repousar, para cuidar do seu interior.

Há quem julgue que a felicidade será uma espécie de paz absoluta onde nada acontece e tudo nos é dado. Não é assim. Não há paz sem luta. Mais do que um estado que se alcança, a felicidade está na força que resulta da fé com que se luta pelo bem do outro… um caminho muito estreito que se deve sonhar, construir e percorrer…

Somos imperfeitos. Mas as nossas falhas só nos tornam maus quando caímos e não nos voltamos a erguer.

Vence duas vezes quem triunfa sobre o mal que há em si. 

Aperfeiçoar o nosso interior é essencial. Ninguém deve deixar os seus sentimentos e pensamentos andarem à solta, sem princípios nem orientação, impondo, a cada momento, ordens sem ordem. Devemos ser senhores de nós mesmos e não escravos dos nossos impulsos. Eis porque arrepender-se é mais importante do que lavar a cara.

Amar é ser, em silêncio, forte e bom. Mesmo quando isso nos faz sofrer. O resto… bem, o resto são egoísmos disfarçados e cheios de desculpas.

José Luís Nunes Martins

5 de dezembro de 2015

Ilustração de Carlos Ribeiro

sábado, 22 de novembro de 2014

A verdade é o silêncio



Umas mãos vazias cheias de amor, dispostas a criar o que for preciso, são o melhor e mais belo presente que podemos dar a alguém!

Cada homem tem em si uma fonte de vida, de onde lhe nascem todos as suas obras: o sentir, o pensar, o dizer, o calar e o agir. É um silêncio carregado de sentido, uma fonte que não deixa nunca de correr... uma tempestade boa.

Aquele que quer ser feliz deve dar-se. Ser é amar e amar é dar-se. Ninguém pode ser nada se não na sua relação com os outros e com o mundo. O ser mais perfeito seria imperfeito se se fechasse em si mesmo e assim se reduzisse à sua própria individualidade. A vida é o dom de ser dom. Serve para se chegar à vida do outro. Para ser o que lhe falta... amando-o.

A felicidade só é possível quando compreendo que não preciso senão do essencial e resolvo libertar-me do que  me sobra.

É comum, que os mais generosos sejam aqueles que menos têm. Estes, são capazes de dar o devido valor à verdadeira carência, distinguindo de forma sábia o que é importante de tudo quanto apenas o parece ser. Na verdade, são bastantes os que, afortunados, vivem atormentados pela possibilidade de não só perderem o que têm, como ainda de não conseguirem o sempre muito que ainda sonham alcançar... nunca têm descanso, nem paz. Talvez nem saibam o que é o silêncio...

Só uma pessoa capaz de se dar, de se realizar, é feliz. Quem vive centrado em si , mesmo que passe o tempo a alimentar o seu egoísmo, nunca terá paz.

Prefiro dar. Ser quanto me chegue e ainda sobrar, antes assim do que ser um imenso desejo que tudo absorve dos outros sem retribuir. Um buraco negro que tudo a si atrai....capaz de fazer desaparecer estrelas... e como ao mal sucede sempre o mal... destrói e destrói-se.

Quem procura receber é, em si mesmo uma falta, uma carência, um desejo ardente que se consome. Há que aceitar o que os outros nos queiram dar, mesmo que seja a sua indiferença; uma coisa má é servir-se dos outros para os nossos projetos pessoais; o amor verdadeiro é gratuito e silencioso, enquanto o egoísta é interesseiro e barulhento.

Umas mãos vazias cheias de amor, dispostas a criar o que for preciso, são o melhor e mais belo presente que podemos dar a alguém!

Que as minhas mãos sejam de quem delas precisa. Que o meu silêncio seja um espaço onde o outro se encontre a si mesmo e descubra a sua paz.

Longa é uma vida cheia. Quando somos capazes de nos despreocuparmos, de nos descentrarmos de nós mesmos e das nossas necessidades, tornamo-nos mais capazes de ser felizes com o pouco que temos e somos.

A nossa verdade somos nós. A verdade é a presença. Aqui. Em silêncio.

Mas a verdade nunca chega a tocar quem não a quer aceitar. O silêncio é tantas vezes sentido como um vazio... quando é, afinal, a resposta que tanto procuramos.

Um silêncio é a mais bela forma de dizer o amor.

Para sermos anjos (e não é nada do outro mundo) basta que tenhamos a coragem de estar presentes, de acreditar que o silêncio pode dizer muito... e de escolhermos gestos simples que possam levar ao outro o essencial que lhe falta.

Presença. Silêncio. Simplicidade.

José Luís Nunes Martins

sábado, 12 de julho de 2014

Vencer as tentações



O nosso coração deve ser um castelo. De onde expulsamos, sem demoras, tudo quanto atenta contra o nosso bem. Sem excessos nem cobardias. Em paz.

As tentações não são ferozes, nem vencem pela força… a sua arma essencial é a astúcia. As tentações conhecem-nos a partir de dentro, pelo que não se combatem com mentiras, mas com a vontade e a verdade. Ninguém está isento do momento em que, de súbito, a paz se acaba, mas, se formos rápidos na resposta, evitaremos que o inimigo ganhe o poder de nos dominar, dividir e anular.

Muitos são escravos das suas perdições, assumem-se como vítimas, fracos por opção, e não lutam. Acolhem o mal no seu íntimo, fazendo-o hóspede, dão-lhe as chaves do coração, acreditando nas promessas de realização dos sonhos que as tentações lhes apresentam. Quando passa o tempo e se dão conta de que estão agora mais longe do seu objetivo… perdem-se mais, tornando-se presas ainda mais expostas.

São os limites que marcamos para nós mesmos que nos definem. A minha identidade é uma unidade onde tem de haver uma distinção entre o que quero e o que não quero. Entre o que aceito e o que não aceito. Entre o que erguerei e o que destruirei em favor do maior bem.

As tentações encantam e fazem acreditar que os desejos mais íntimos são justos e serão por elas satisfeitos. Ora, é talvez por aí que deve começar a nossa cruzada contra tudo o que nos destrói: analisar e avaliar bem os desejos, anulando todos quantos são apenas faces inocentes de perversidades profundas…

Lutamos porque somos homens e para sermos homens.

Estas seduções do mal giram em torno de três eixos: o prazer, o poder e o ter. Apontando-nos como futuro centro do mundo se a elas nos submetermos. Mas, nunca nenhum de nós é ou será o centro do mundo e é muito bom que assim seja. A verdade e a beleza da vida passam pelo contraste entre a insignificância do que começamos por representar e o valor do que somos chamados a construir em nós e no mundo… com e para os outros. Ninguém se basta a si mesmo.

A arma de quem vive na eterna guerra das tentações é a vigilância. Quanto mais cedo e de forma mais resoluta se reconhecerem e enfrentarem, melhor será o resultado.

Importa ter a consciência mais atenta à realidade do que à imaginação.

Devemos manter o coração em paz apesar das feridas abertas, das chagas pelos golpes incessantes, umas vezes em cima das antigas cicatrizes, outras em pontos que nunca haviam sido tocados… golpes sempre subtis, firmes e certeiros.

A vida é uma luta áspera contra a morte, contra o mal que nos quer desunir, contra a ausência de um sentido profundo. Viver é atacar o que atenta contra a vida. Viver é defender a nossa vida com… a vida.

Importa vigiar sempre, ponderar e concentrarmo-nos nos objetivos que vamos traçando, na história que construímos, ano a ano, dia a dia, a cada momento. Numa lógica de prudência a longo prazo… de longuíssimo prazo. Afinal, um homem não é um momento mas uma história que se estende no infinito diante de si.

O nosso coração deve ser um castelo. De onde expulsamos, sem demoras, tudo quanto atenta contra o nosso bem. Sem excessos nem cobardias. Em paz.

O que sofremos tem sentido. A cruz pode sempre ser a espada com que nos defendemos do que ataca o brilho do nosso olhar!

Ser feliz passa por ser humilde e sereno. Por guardar a paz, atender a quem precisa, dando o que somos e temos, moderando sempre o que em nós quer ir além do simples… amando, sempre.

Por José Luís Nunes Martins
http://www.ionline.pt/iopiniao/atacar-tentacoes/pag/2

segunda-feira, 30 de junho de 2014

No trilho da paz



"De resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é respeitável, tudo o que possa ser virtude e mereça louvor, tende isso em mente. E o que aprendestes e recebestes, ouvistes de mim e vistes em mim, ponde isso em prática. Então, o Deus da paz estará convosco." (Fil 4, 8-9)

"Se há recomendação em que valha sempre a pena apurar os ouvidos é aquela que nos sugira o trilho da paz. Acate-se todo o conselho que aponte para a verdade. Evite-se o que tresanda a engano e se percebe à distância que não passa de mera ilusão. Prefira-se o procedimento honesto ao desonroso. Nem se pestaneje diante de truques rasteiros, antes haja fibra para os desfazer com actos puros. Persiga-se a dignidade e fuja-se de práticas indecorosas. Opte-se pelas vias cristalinas deixando em detrimento dos trajectos enviesados. É impossível chegar ao topo da escadaria da santidade pisando degraus obscenos. Já a amabilidade sem cartas na manga não só é desejável como também altamente recomendável. Agrada a Deus quem substitui a cultura de ressentimento por um estilo de vida assente na bondade. Sim, exercite-se a mente em tudo o que seja de “boa fama, virtuoso e digno de louvor.” Ponha-se em prática o que já se sabe de ginjeira e a paz de Deus será experimentada."

Jónatas Figueiredo


quinta-feira, 12 de junho de 2014

As lojas que vendem vento...

As lojas que vendem vento...

Que saudades!

É verdade!

Que saudades eu tenho do tempo em que lia Cervantes!

Que saudades do tempo em que a imaginação voava pelas lezírias de Castilla la Mancha, por onde a imaginação se perdia entre moinhos e gigantes à procura da Dulcineia de antanho.

Que saudades eu tenho do Quixote, e do vento e do sol e das planícies, do vento que enfunava as velas dos moinhos por onde girava o vento das quimeras e do sol que amadurecia o pão ganho com trabalho honesto!

Infelizmente, neste tempo em que as “manchas” não estão já só por Castela, do Quixote sonhador e generoso só sobrou o Sancho rústico, bronco, egoísta, calculista, carreirista... diplomado.

Que saudades de saber de onde soprava o vento!

Que raiva por perceber de onde sopram agora os novos ventos!

Num tempo em tudo se mercadeja, até e sobretudo a dignidade cada vez mais percebemos que até o vento se vende... isso mesmo, o vento que enfuna as velas dos moinhos... esse, também esse está à venda... e há lojas de vender vento!

Lojas “musicais”, com nomes ilustres e sonantes... Pobre Bach, pobre Mozart, pobre Beethoven, pobre Quixote, pobres nós... pobres de nós... só ficamos com o Sancho, mais a pança, que nunca está saciada...

Hoje, do meu mundo, sobra-me a minha cidade, sobra-me um espaço onde cada vez mais me perco no vozear estonteante de messias desejados, de virgens mais castas que a casta Susana, a gritar inocência, que se vão passeando pelas lojas, pelas tais lojas que vendem vento, com nomes sonantes e tudo!

Não, não fui eu, não fomos nós... foram eles... sempre eles, os outros, os sem nome, os inomináveis, eles sim... são os culpados... nós não, nunca!



Hoje, na minha cidade, sobra-me o fastio do centro comercial, atafulhado de miríades de cores e de provocações. Cheios! Cheios até mais não poder ser de lojas que vendem vento, como se não houvesse amanhã!

Os neons ofuscam a pouca visão que ainda me resta e que me vai permitindo vislumbrar as montras... das lojas que vendem vento.

São ventos outros os que vão soprando, pelos corredores do centro comercial da minha cidade, das promoções infinitas, dos desatinos consumados, do vozear alvoroçado das virgens, estouvadas, azougadas, apoucadas...

Pelos corredores, olhando as montras escondidas pelo brilho dos neons, vou tentando perceber qual é a loja que está no comando.

É, no centro comercial da cidade que me resta, resta-me ir percebendo qual é a loja de turno, assim mesmo, como nas farmácias... qual é a loja de turno que está a dar as ordens que hão de ser cumpridas no Centro Comercial, pelas outras lojas, à espera que chegue a sua vez, à espera que chegue o seu turno.

Por aqui, vou eu comprando a existência que me resta, vou eu sonhando, quixotescamente a esperança que me não morre, a esperança que me mora, que eu habito e que me habita.

Por aqui vou eu, vamos nós, nós que não somos os outros... porque somos simplesmente nós.

Vamos, Francisco, vamos à Jordânia, à Palestina, a Israel, vamos ao mundo, ainda que vamos sozinhos, deixa lá, vamos os dois!

Da última vez que lá estivemos, naqueles 3 dias fabulosos, nós por cá, fizemos os nossos alinhamentos noticiosos como tinham que ser feitos... eleições europeias, seleção de futebol, zanga das comadres e depois, ah sim... depois... vieste tu, Francisco! Depois vimos-te a fazer tudo o que tinha que ser feito, a dizer tudo o que tinha que ser dito... mas já estávamos lançados na discussão que importava... o gelo na perna do Ronaldo era muito mais importante...

Mas nós vamos, Francisco, lá estivemos no dia 8 de junho em Roma, com o Shimon Peres e o Mahmoud Abbas, lá rezámos pela paz.

As comadres ainda devem andar zangadas por essa altura, o gelo da perna do rapaz ainda não deve ter derretido, a Europa lá andará de armas e bagagens entre Bruxelas e Estrasburgo, mas nós vamos!



Fr. Fernando Ventura, ofm cap
© SNPC | 11.06.14

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Chamados a dizer irmão

Foto

"Para chegar à paz, somos chamados a dizer uma palavra: «Irmão»" 
(Papa Francisco).

"Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!
Tentámos tantas vezes e durante tantos anos
resolver os nossos conflitos com as nossas forças
e também com as nossas armas;
tantos momentos de hostilidade e escuridão;
tanto sangue derramado;
tantas vidas despedaçadas;
tantas esperanças sepultadas...
Mas os nossos esforços foram em vão.
Agora, Senhor, ajudai-nos Vós!
Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz,
guiai-nos Vós para a paz.
Abri os nossos olhos e os nossos corações
e dai-nos a coragem de dizer:
«nunca mais a guerra»;
«com a guerra, tudo fica destruído»!
Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos
para construir a paz.
Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas,
Deus Amor que nos criastes
e chamais a viver como irmãos,
dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz;
dai-nos a capacidade de olhar com benevolência
todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. Tornai-nos disponíveis
para ouvir o grito dos nossos cidadãos
que nos pedem para transformar
as nossas armas em instrumentos de paz,
os nossos medos em confiança
e as nossas tensões em perdão.
Mantende acesa em nós a chama da esperança
para efectuar, com paciente perseverança,
opções de diálogo e reconciliação,
para que vença finalmente a paz.
E que do coração de todo o homem
sejam banidas estas palavras:
divisão, ódio, guerra!
Senhor, desarmai a língua e as mãos,
renovai os corações e as mentes,
para que a palavra que nos faz encontrar
seja sempre "irmão",
e o estilo da nossa vida se torne:
shalom, paz, salam!
Amen.»"

Papa Francisco

quarta-feira, 4 de junho de 2014

25 anos depois de Tiananmen




Neste dia não posso deixar de homenagear, como dizia Popper, "the countless men and women of all creeds or nations or races who fell victim to the fascist and communist belief in Inexorable Laws of Historical Destiny". Hoje em particular, os jovens que, com uma coragem imensa, estiveram na Praça de Tiananmen há 25 anos. Não se sabe ao certo os mortos, estima-se desde 500 a milhares. O certo é que, nesse dia, o Exército Chinês abriu fogo perante civis desarmados. Há duas razões pelas quais esta data me afecta especialmente - não só porque a maioria dos mortos tinham a minha idade, mas porque também, já estive na Praça da 'Paz Celestial' (= Tiananmen) e foi uma sensação indescritível, de tentar perceber a dimensão do massacre que ali ocorrera, enquanto que a guia turística (membro do Partido claro) falava "ah e tal, houve aqui um punhado de troublemakers, nada mais". Naquele momento isso causou-me uma angústia profunda - pensar naquela gente, com a minha idade, e tendo as mesmas aspirações que eu, que foi massacrada sem misericórdia em nome de uma ideologia totalitária, e pelo seu 'Exército Popular de Libertação'.

in O POVO

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O homem que ensinou a perdoar



Tinha a sabedoria da paz. Preferiu a reconciliação ao ódio e devolveu a África do Sul à comunidade internacional. Esteve apenas cinco anos no poder efectivo, mas promoveu o perdão e conseguiu unir um país ferido por décadas de apartheid. Nelson Mandela morreu aos 95 anos.

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sábado, 7 de setembro de 2013

Jejum e oração pela Síria


Para hoje, 7 de Setembro de 2013, o Papa Francisco convocou um dia de jejum e de oração pela paz na Síria e no mundo inteiro. Esta iniciativa pontifícia tem uma abrangência ecuménica, porque todos os crentes e homens de boa vontade estão convidados a unirem-se a esta jornada pela paz mundial.

Na iminência de uma intervenção militar no Oriente Médio, não podia ser mais oportuna esta convocação. É óbvia a necessidade de recorrer, com urgência, a todos os mecanismos políticos e militares susceptíveis de impedir a guerra, quer junto das grandes superpotências mundiais, quer também no âmbito das principais instituições internacionais, como a ONU, a NATO, etc. Mas, talvez não seja tão transparente a eficácia dos meios agora mobilizados pelo Santo Padre a favor da paz.

"Si vis pacem, para bellum", diziam os antigos. Isto é: se queres a paz, prepara-te para a guerra. Outra é, contudo, a lógica cristã: se queres a paz, reza e jejua. Estes meios podem parecer muito sobrenaturais, mas são também, por estranho que pareça, muito humanos. De facto, ante uma injustiça, qualquer cidadão tende a manifestar-se junto do poder, que é o que fazem os cristãos, quando rezam ao Senhor dos exércitos. Para reforçar as suas pretensões, algumas pessoas, mesmo não sendo crentes, fazem greve da fome, que outra coisa não é do que a versão laica do jejum cristão.

Estas são as principais armas do exército do Papa, que Estaline desdenhou, mas que pôs termo, sem um tiro sequer, a mais de setenta anos de impiedoso imperialismo soviético. Já não é preciso ter fé para crer no poder da oração e do jejum, basta ter alguma memória histórica.

Bem-aventurados sejam os que promovem a paz!

Gonçalo Portocarrero de Almada
www.ionline.pt/iOpiniao/jejum

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A paz sem vencedor e sem vencidos


Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos


Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual (1972)