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domingo, 30 de dezembro de 2018

ORAÇÃO PARA A NOITE DE ANO NOVO



ORAÇÃO PARA A NOITE DE ANO NOVO

Senhor, antes de entrar na agitação e no torpor do fim do ano, quero que esta tarde nos encontremos devagar e com calma. São poucas as vezes que o faço. Tu sabes que tenho dificuldade em rezar. Esqueci-me das orações que me ensinaram quando criança e não aprendi a falar Contigo de uma forma mais viva e concreta.

Senhor, na verdade, eu não sei muito bem se acredito em Ti. Passaram tantas coisas estes anos. A vida mudou tanto e eu envelheci tanto por dentro. Gostaria de me sentir mais vivo e mais perto de Ti. Ajudar-me-ia a acreditar. Mas é tudo tão difícil.

E no entanto, Senhor, eu Te necessito. Às vezes sinto-me muito mal dentro de mim. Os anos passam e sinto o desgaste da vida. Por fora tudo parece funcionar bem: o trabalho, a família, os filhos. Qualquer um me invejaria. Mas eu não me sinto bem.

Já passou um ano mais. Esta noite começaremos um novo ano, mas sei que tudo continuará igual. Os mesmos problemas, as mesmas preocupações, os mesmos trabalhos. E assim, até quando?

Como eu gostaria de poder renovar minha vida por dentro. Encontrar em mim uma alegria nova, uma força diferente para viver a cada dia. Mudar, ser melhor comigo mesmo e com todos. Mas na minha idade não se pode esperar grandes mudanças. Já estou demasiado acostumado a um estilo de vida. Nem eu mesmo acredito muito na minha transformação.

Por outro lado, Tu sabes como me deixo arrastar pela agitação de cada dia. Talvez por isso não me encontro quase nunca Contigo. Tu está dentro de mim e eu quase sempre estou fora de mim mesmo. Tu estás comigo e estou perdido em mil coisas.

Se ao menos eu Te sentisse como o meu melhor amigo. Às vezes penso que isso mudaria tudo. Que alegria se eu não tivesse esse tipo de medo que eu não sei de onde vem, mas que me afasta tanto de Ti.

Senhor, grava bem no meu coração que Tu para mim só podes sentir amor e ternura. Recorda-me desde o meu interior que Tu me aceita como sou, com minha mediocridade e o meu pecado, e que me amas mesmo que eu não mude.

Senhor, a minha vida está a passar e às vezes penso que meu grande pecado é não conseguir acreditar em Ti e no Teu amor. Por isso esta noite não Te peço coisas. Só que despertes a minha fé o suficiente para acreditar que Tu estás sempre perto e me acompanhas.

Que ao longo deste ano novo eu não me afaste muito de Ti. Que saiba encontrar-te nos meus sofrimentos e nas minhas alegrias. Então talvez eu mude. Será um ano novo.

José Antonio Pagola

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

A oração de um pai-Natal ao Menino Jesus



Meu querido e precioso Menino Jesus, eu não pretendo tomar o Teu lugar.

Eu só trago brinquedos e coisas e Tu trazes amor e graça.

As pessoas dão-me listas de desejos e esperam que elas se realizem; mas Tu ouves as orações do coração e garantes a Tua vontade de ajudar.

As crianças tentam ser boas e não chorar quando eu vou à cidade; mas Tu ama-las de verdade e esse Amor abundará. 

Deixo apenas um saco de brinquedos e alegria passageira por uma temporada; mas Tu deixas um coração de amor, para sempre.

Eu tenho muitos crentes a que se pode chamar de fama; mas eu nunca curei o cego ou tentei ajudar o coxo.

Tenho bochechas rosadas e uma voz cheia de riso; mas nenhuma mão com cicatrizes ou uma promessa do além.

Tu podes encontrar vários como eu na cidade ou num shopping; mas há apenas Um único Omnipotente para responder à chamada de um pecador.

E assim, meu querido e precioso Menino Jesus, ajoelho-me aqui para orar; para Te adorar a Ti neste Teu santo aniversário.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

A corajosa oração de 4 freiras antes de serem mortas por terroristas


missionárias mártires iêmen

FREIRAS REZAM A ORAÇÃO DO ESCUTA NA HORA DO MARTÍRIO
A corajosa última oração destas 4 freiras antes de serem mortas por terroristas

Senhor Jesus
Ensinai-me a ser generoso,
A servir-Vos como Vós o mereceis,
A dar-me sem medida,
A combater sem cuidar das feridas,
A trabalhar sem procurar descanso,
A gastar-me sem esperar outra recompensa,
Senão saber que faço a Vossa vontade santa,
Amen.

https://pt.aleteia.org/2018/11/22/a-corajosa-ultima-oracao-destas-4-freiras-antes-de-serem-mortas-por-terroristas/

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A pessoa que melhor escreveu sobre o amor




«A pessoa que melhor escreveu sobre o amor na era cristã foi Paulo de Tarso», diz Bono, vocalista dos U2

«Era um gajo duro. Superintelectual mas intenso e, claro, teve a experiência [de conversão] na estrada de Damasco. Passa a viver como fabricante de tendas. Começa a pregar e escreve uma ode ao amor, que toda a gente conhece como a Carta aos Coríntios: “O amor é paciente, o amor é gentil… O amor suporta tudo, acredita em tudo”.» Declarando-se «abençoado», Bono sublinha que «a graça e algumas pessoas realmente inteligentes» ajudaram-no: «A minha fé é forte. Lia os salmos de David continuamente. São espantosos. Ele é o primeiro “bluesman”, gritando a Deus: “Por que é que isto me aconteceu?”. Mas também há honestidade nisso»

Mais em http://www.snpcultura.org/a_pessoa_que_melhor_escreveu_sobre_o_amor_na_era_crista_foi_paulo_de_tarso_diz_bono_u2.html

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Tudo por Jesus



«Tudo por Jesus
Eu sou Teu,
e quero obedecer-Te em tudo.
Empregar toda a minha vida,
todas as minhas forças e talentos
somente naquilo
que for para a Tua maior glória
e fazer a Tua vontade.
Sim, meu Jesus,
tudo por Ti e tudo para Tua glória,
na vida, na morte
e para toda a eternidade.
Amén»

Santo Henrique de Ossó | 1840 - 1896 
Orações 

sábado, 23 de abril de 2016

Tarde Te amei!



“Tarde Te amei!” De Santo Agostinho, uma das mais arrebatadoras orações de todos os tempos
"Et ecce intus eras et ego foris et ibi te quaerebam, et in ista formosa quae fecisti deformis irruebam..."

1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.

2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…

3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.

4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.

5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.

6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!

7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…

8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!

Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

domingo, 20 de março de 2016

Quem sou eu diante do meu Senhor?



"Esta semana começa com a procissão festiva com os ramos de oliveira: todo o povo acolhe Jesus. As crianças, os jovens cantam, louvam Jesus.

Mas esta semana segue adiante no mistério da morte de Jesus e da sua ressurreição. Ouvimos a Paixão do Senhor. Fará bem a nós nos fazermos somente uma pergunta: quem sou eu? Quem sou eu diante do meu Senhor? Quem sou eu diante de Jesus que entra em festa em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a minha alegria, de louvá-Lo? Ou tomo distância? Quem sou eu, diante de Jesus que sofre?
Escutamos tantos nomes, tantos nomes. O grupo de líderes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns mestres da lei, que tinham decidido matá-Lo. Esperavam a oportunidade para prendê-Lo. Eu sou como um deles?

Escutamos também um outro nome: Judas. 30 moedas. Sou como Judas? Ouvimos também outros nomes: os discípulos que não entendiam nada, que adormeciam enquanto o Senhor sofria. A minha vida está adormecida? Ou sou como os discípulos, que não entendiam o que era trair Jesus? Como aquele outro discípulo que queria resolver tudo com a espada: sou como eles? Sou como Judas, que finge amar e beija o Mestre para entregá-Lo, pra traí-lo? Eu sou traidor? Sou como aqueles líderes que com pressa fazem o tribunal e procuram falsas testemunhas: sou como eles? E quando faço estas coisas, se as faço, acredito que com isto salvo o povo?

Eu sou como Pilatos? Quando vejo que a situação está difícil, lavo as minhas mãos e não sei assumir a minha responsabilidade e deixo condenar – ou condeno eu – as pessoas?

Sou como aquela multidão que não sabia bem se estava em uma reunião religiosa, em um julgamento ou em um circo, e escolhe Barrabás? Para eles é o mesmo: era mais divertido, para humilhar Jesus.
Sou como os soldados que atingem o Senhor, cospem Nele, insultam-No, se divertem com a humilhação do Senhor?

Eu sou como o Cirineu, que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz ?

Eu sou como aqueles que passavam diante da Cruz e zombavam de Jesus: “Era tão corajoso! Desça da cruz, e nós vamos acreditar Nele”. Zomba-se de Jesus…

Sou como aquelas mulheres corajosas, e como a Mãe de Jesus, que estavam ali, sofrendo em silêncio?

Sou como José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para levá-lo à sepultura?
Sou como as duas Marias, que permanecem diante do Sepulcro chorando, rezando?

Eu sou como aqueles líderes que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer: “Olha, ele dizia que iria ressuscitar. Que não seja mais um engano!”, e bloqueiam a vida, bloqueando o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não venha para fora?

Onde está o meu coração? Com qual destas pessoas eu me pareço? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana."

Papa Francisco

sábado, 19 de março de 2016

José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor


"...Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. ... Disse-lhe o anjo: 'José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.' José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor". (Mt 1,16.18-21.24a)

José a figura do homem justo = "ajustado ao Senhor"; José o silencioso que sacrificou o seu projecto de vida para colaborar na obra da Salvação aceitando receber em sua própria casa e na sua vida o Messias, “sem se lhe ouvir um queixume”; José exemplo da vida simples; José o que colocou à disposição do Senhor a sua liberdade e a sua legítima vocação humana de felicidade conjugal; José o que põe à frente da sua vontade, a vontade do Pai, por isso é o pai de todos os pais.

Teresa Olazabal



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Obrigadinho, ó Bloco!



Jesus Cristo, como aliás todos nós, tem um só pai e uma única mãe, não dois pais sem nenhuma mãe, nem duas mães sem nenhum pai. Isto não é religião, nem ideologia; é genética e biologia.

Como é sabido, o Bloco de Esquerda está a promover, sobretudo nas redes sociais, uma campanha com a imagem de Cristo e a afirmação de que “Jesus também tinha dois pais”. Ao que consta, esta iniciativa pretende assinalar uma data: 10 de Fevereiro de 2016, o dia em que, como também aí se diz, por certo em mau português, o “Parlamento termina discriminação na lei da adopção”.

Em fundo cor-de-rosa, a imagem de Cristo, provocadoramente kitsch, parece inspirar-se na tradicional iconografia do Sagrado Coração: Jesus aparece com olhar terno, com a mão esquerda sobre o seu coração, visivelmente flamejante e encimado pela cruz, e a direita em jeito de bênção. Sobre a sua cabeça, a frase: “Jesus também tinha dois pais”.

Esta afirmação tem dois erros assinaláveis: o primeiro é a afirmação de uma dupla paternidade de Cristo, quando ele próprio, logo no primeiro discurso que a Sagrada Escritura lhe atribui, confessa claramente ter um único pai, Deus, e fá-lo precisamente quando responde a Maria, sua mãe, que se tinha referido ao seu marido, José, como sendo pai do seu filho. Mais ainda, em todos os restantes textos bíblicos, Jesus nunca se refere a Deus como seu outro pai, nem sequer como um dos seus pais, mas sempre como o seu único e verdadeiro pai. Portanto, Jesus Cristo, como aliás todos nós, tem um só pai e uma única mãe, não dois pais sem nenhuma mãe, nem duas mães sem nenhum pai.

O outro erro é a insinuação de que haja alguém que “também” tenha dois pais. Ninguém há que os tenha, porque todos os seres humanos, sem excepção, são filhos dos seus progenitores, que são sempre uma mulher e um homem. Da mesma forma como é uma falsidade dizer que Cristo tinha dois pais, é igualmente mentirosa a afirmação de que alguém tenha dois progenitores do mesmo sexo. Por mais que a lei civil permita uma tal aberração, só é viável a geração havida de um homem e de uma mulher. Isto não é religião, nem ideologia; é genética e biologia.

A Conferência Episcopal Portuguesa já manifestou, pelo seu porta-voz, o seu desagrado pelo que entende ser uma ofensa de muito mau gosto. Segundo uma deputada do Bloco, esta iniciativa não pretende ofender a Igreja nem a religião, tratando-se apenas de mostrar às pessoas que sempre existiram famílias diferentes e que essa não é uma realidade nova, nem recente. Claro que a deputada tem tanta razão como teria quem, afixando cartazes com a imagem dela, neles escrevesse a frase ‘Em Portugal há políticos corruptos’ e depois, em jeito de desculpa, dissesse que não pretendia ofender a deputada, nem o Bloco de Esquerda, mas apenas mostrar às pessoas que sempre existiu corrupção entre os políticos e que, portanto essa não é uma realidade nova, nem recente…

Sem contradizer o órgão representativo do episcopado português, nem o seu porta-voz, entendo contudo muito esclarecedora esta iniciativa do Bloco de Esquerda. Não porque a considere razoável no contexto da liberdade religiosa, de pensamento e expressão, que não é, mas porque evidencia o que, não sendo novidade para muitos, talvez ainda não tivesse sido, até agora, manifestado tão clara e inequivocamente. Ou seja, a natureza essencialmente anticristã do Bloco de Esquerda e da sua política. Sem diabolizar este partido político, nem muito menos os seus militantes – alguns, honra lhes seja feita, até se demarcaram desta campanha – é óbvio que, depois deste incidente, nenhum cristão coerente poderá ser seu membro, ou nele votar, sem prejuízo da sua integridade, ou da sua inteligência.

De facto, esta campanha contra a Igreja católica, as demais confissões cristãs e, em geral, a liberdade religiosa, pôs a nu a ideologia anticristã do Bloco, senão mesmo a sua natureza antidemocrática e tendencialmente totalitária.

Por outro lado, não será exagerado afirmar, graças a esta campanha e não só, que os católicos portugueses fazem, de algum modo, parte da Igreja que sofre perseguição. Que grande honra, para nós, fazer parte do grupo dos milhões de católicos que são perseguidos pelos regimes totalitários comunistas, como os da China e da Coreia do Norte, e pelo fundamentalismo islâmico ou laicista! Obrigadinho, ó Bloco!

Esta ofensiva do Bloco de Esquerda contra os católicos e contra a liberdade religiosa, de pensamento e de expressão, não é sequer original. Por ora, é mais imbecil do que violenta, mais trocista do que mortífera, mais laroca do que sangrenta, mas promete ressuscitar, em futuros episódios, o pior legado do anticlericalismo português.

Não obstante os nossos brandos costumes, é bom recordar que os jesuítas foram expulsos de Portugal no século XVIII, pelo Marquês de Pombal; que, no século XIX, não só eles mas também todas as outras ordens religiosas foram extintas pelo liberalismo jacobino; e que, no século XX, voltaram a ser perseguidos todos os religiosos, bem como todos os bispos e padres do clero secular, pela primeira república. No século XXI, será que o Bloco de Esquerda dará continuidade a esta ignominiosa tradição?!

Avé, Bloco, morituri te salutant!

P. Gonçalo Portocarrero de Almada  
http://observador.pt/opiniao/obrigadinho-o-bloco/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Lembra-te que és pó



Jesus não nos manda gostar - manda amar. Mesmo que não gostes, ama! Tão contrário é o discurso do mundo. Amor agora significa um sentimento lamechas que faz crescer o umbigo e dura enquanto eu gosto.

Lembra-te que és pó e ao pó voltarás! Esta é a frase que nos é dita a nós, cristãos que vamos à Missa na Quarta-feira de Cinzas. Num ritual simples que inicia a Quaresma, ao ouvirmos a frase do Livro do Génesis e ao sermos marcados com a cinza imposta sobre a nossa cabeça, recordamos algo difícil de aceitar: somos frágeis como o pó.

Depois das máscaras de carnaval, que tantas vezes apenas exageram as máscaras que usamos quotidianamente diante dos outros, somos chamados à realidade. Tira as máscaras que usas diante de ti mesmo, diante dos outros, diante de Deus e aceita-te como és: criatura frágil e mortal. Este é, sem dúvida, um discurso do qual fugimos a sete pés. Somos educados e, a cada momento da vida, convidados a mostrar precisamente o contrário. O poder (económico, social, ou outro), a imagem, o sucesso, o controlo, não passam, afinal, de máscaras que escondem a nossa fragilidade. Não, não somos autossuficientes.

Basta um pingo de honestidade connosco próprios para reconhecermos que, juntamente com muita generosidade, altruísmo e preocupação com a justiça, no nosso coração convivem excessivas preocupações com a autoimagem, mesquinhezes, egoísmos, mentiras e injustiças. Impor cinza na cabeça, ajuda a reconhecer essa nossa pequenez necessitada de conversão. Quem não precisa de converter nada na sua vida, está no Céu, morreu e ninguém lhe disse.

Mas há uma fragilidade especial que nos habita a todos, mesmo aos arautos da autonomia absoluta. Temos um ponto fraco que se revela a nossa maior força: o amor. O que mais desejamos no íntimo de nós mesmos, é amar e sermos amados. E o nosso maior (único?) medo é não sermos amados. Chamamos-lhe solidão.

Lembra-te de quem és, lembra-te que és pó. E sabes que mais? Não faz mal seres frágil! Porque, paradoxalmente, este ponto fraco revela-se a força mais profunda e potente do ser humano. É a debilidade do amor que nos permite abrirmo-nos aos outros. É o amor, esse poder frágil, que impede de nos encerrarmos no poço da nossa pretensa autossuficiência. Se a morte é a evidência última da finitude humana, o amor é a única força que a vence. Mas não sai ileso. Leva a sua marca. Porque quem ama sofre. Porque amar não é gostar.

É dramática a imatura não distinção entre o amar e o gostar, tão própria da nossa cultura. Posso gostar ou não gostar, gostar mais ou gostar menos. Mas não posso não amar. O gosto encontra-se ao nível do sentimento; o amor ao nível da vontade. Os sentimentos vão e vêm, tantas vezes sem controlo da nossa parte. Mas a vontade tem a ver com a decisão. Nenhum casamento dura uma vida inteira porque marido e mulher gostam um do outro 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Um casamento (qualquer relação) dura porque ambos decidem que dure. Sim, porque se amam, mesmo que haja dias em que seja difícil gostarem um do outro.

Jesus Cristo não nos manda gostar de ninguém. Nem podia fazê-lo, porque não é sempre possível gostar dos outros. Jesus manda amar. Manda mesmo amar os inimigos. Não é possível gostar do inimigo. Mas, mesmo que não gostes, ama! Tão contrário é o discurso do mundo. Essa palavra gasta já não quer dizer entrega, serviço, ou desejo que o outro cresça como pessoa. A palavra amor agora significa um sentimento lamechas e egoísta que me faz crescer o umbigo e que dura enquanto eu gosto.

A cruz de Jesus continua a ser a grande parábola real da vida. Ali se revela o Deus escondido do amor e da entrega até ao fim. E daquela trave, que tinha tudo para ser uma maldição, nasce uma vida nova, um novo amor, um sonho de eternidade. Afinal, as dores de Jesus na cruz eram autênticas dores de parto. É esse amor que se celebra daqui a quarenta dias, na Páscoa. Que bom seria se conseguíssemos ver e viver as cruzes que a vida nos oferece ou impõe como dores de parto, não nos encerrando em nós mesmos, mas gerando mais vida à nossa volta. Boa Quaresma.

P. Miguel Almeida, sj
Sacerdote jesuíta

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quaresma


“A Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus. Quantas páginas da Sagrada Escritura se podem meditar nas semanas da Quaresma, para redescobrir o rosto misericordioso do Pai!

Com as palavras do profeta Miqueias, podemos também nós repetir: Vós, Senhor, sois um Deus que tira a iniquidade e perdoa o pecado, que não Se obstina na ira, mas Se compraz em usar de misericórdia. Vós, Senhor, voltareis para nós e tereis compaixão do vosso povo. Apagareis as nossas iniquidades e lançareis ao fundo do mar todos os nossos pecados (cf. 7, 18-19)”.

(Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia - Papa Francisco)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O ódio




«Poucas pessoas conseguem ser felizes sem odiar alguma outra pessoa, nação ou credo» (Bertrand Russell). «Quando odiamos alguém, odiamos na sua imagem alguma coisa que está dentro de nós» (Herman Hesse).

O ódio é uma cadeia que esmaga desde sempre a humanidade, sufocando-lhe o sopro vital mais profundo. A primeira e amarga constatação é atribuída a um filósofo anticonformista que em 1950 obteve o prémio Nobel da Literatura, Bertrand Russell (1872-1970).

Apesar de algum excesso na formulação («poucas pessoas» é um exagero), é todavia verdade que para alguns o ódio é quase um alimento indispensável, sem o qual não conseguiriam viver.
E na verdade, é preciso reconhecer que, mesmo em pessoas caracterizadas pela mansidão, está presente às vezes uma ponta de ódio, acompanhada por um frémito de prazer.

Chegados aqui, torna-se significativo o juízo contido na segunda frase, que extraio de um romance menor, "Demian" (1919), do celebrado (talvez demasiadamente) romancista alemão Hermann Hesse.
Odiar outro nasce muitas vezes do facto de descobrirmos nele qualquer coisa de detestável que não queremos reconhecer em nós mesmos. Mas há pior: por vezes o ódio em relação floresce de um ciúme secreto, o de se dar conta que o outro é melhor que nós.

A gerar o ódio não está, portanto, apenas o mal, mas paradoxalmente também o bem de outro, invejado e por nós não possuído.

Compreende-se então quanto é importante o apelo constante de Cristo a vencer esta obscura energia, substituindo-a pela força doce e delicada do amor, primeiro e único mandamento da moral evangélica.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi

sábado, 31 de outubro de 2015

Precisam-se admnistradores



Precisam-se "Administradores fiéis e prudentes”!
É convite a andarmos sempre atentos para não nos tornamos donos dos bens e imprudentes no seu uso ou seus maus administradores...
"Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens"Jesus hoje

Ismael Teixeira

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ó alma minha!



«Ó alma minha!
considera o grande deleite e grande amor
que tem o Pai em conhecer a Seu Filho
e o Filho em conhecer a Seu Pai,
e o ardor com que o Espírito Santo se junta com Eles,
e como nenhuma das Três Pessoas se pode apartar
deste amor e conhecimento,
porque são uma mesma coisa.

Estas soberanas Pessoas conhecem-se,
estas amam-se
e umas com as outras deleitam-se.

Pois que necessidade há de meu amor?
para que o quereis, Deus meu,
ou que ganhais?

Oh! Bendito sejais Vós
Oh! Bendito sejais Vós, Deus meu,
para sempre!

Louvem-Vos todas as coisas, Senhor, sem fim
pois não o pode haver em Vós.»

Santa Teresa de Jesus | 1515 - 1582 
VII Exclamação

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Se é só isso, conta comigo!



«A jovem com o lenço é a Beatriz Correia, por quem rezámos na colónia. Tem um linfoma. Tenho falado com ela e voltou o domingo passado à catequese. Depois de ela ter dito que sim que gostava de voltar, disse-lhe que este era o ano do Crisma. Ela perguntou-me: "e o que é preciso para eu receber o Crisma?" - Respondi-lhe: "seres assídua à Missa e à Catequese, mas sobretudo quereres apronfundar a tua amizade com Jesus." - Respondeu de imediato: "Se é só isso, conta comigo!"»

Catequista

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Santa Teresa de Lisieux

«A caridade deu-me a chave da minha vocação.
Compreendi que se a Igreja tinha um corpo
composto de diversos membros,
o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava:
compreendi que a Igreja tinha um coração,
e que esse coração estava ardendo de amor.
Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja;
que se o Amor se apagasse,
os apóstolos já não anunciariam o Evangelho,
os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue...
Compreendi que o Amor encerra todas as Vocações,
que o Amor é tudo,
que abarca todos os tempos e todos os lugares...
numa palavra, que é Eterno!...
Então, num transporte de alegria delirante, exclamei:
“Ó Jesus, meu Amor! Encontrei finalmente a minha vocação:
a minha vocação é o Amor!...”»
Santa Teresa do Menino Jesus | 1873 - 1897
Manuscrito B. 3Vº (inspirado em 1 Cor 12-13)
Senhor,
Tu és Amor.
Concede-me a graça
de tudo fazer por amor
e amando.
Assim estarei sempre
fortemente unido a Ti.
Assim seja!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Deus que se fez Palavra



Às vezes pensamos que o que é Sublime
tem de ser Enigmático.
Quando queremos solenizar o profundo,
arranjamos maneira de o tornar incompreensível.
Sim, achamos que a incompreensão
é uma boa homenagem ao Mistério
e, então, deixamo-nos ficar assim,
consolados num não-querer-saber
ao qual chamamos, convictamente, "fé"!

Mas quando despertamos para a inquietação
latente nas palavras e nas fórmulas da nossa Fé,
quando nos deixamos cutucar
pelas insinuações novas que vêm de dentro das afirmações de sempre,
percebemos que vamos ser levados pela mão
por caminhos inesperados
a ver belezas, descobrir sabores, purificar imagens,
curar feridas, refazer esperanças, partilhar significados...

Todas as palavras que se aguentam
com o passar longo do tempo,
é porque têm as entranhas habitadas.
As palavras impregnadas na história
são palavras empenhadas de histórias.

Assim é com as tantas da nossa Escritura,
empenhadas da Inscritura sempre nova e surpreendente
do Deus que se fez Palavra para conversar conosco".

Pe. Rui Santiago, in Estou em Crer

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Felizes os que choram



Apesar de parecerem pedaços de solidão, as lágrimas são gotas de amor que nascem aos pares.

As tristezas não são aflições. A tristeza é o que fica depois da desgraça do momento. Estar triste dura.

Os naturais tormentos da vida ensinam-nos que ser feliz é uma forma de viver nas profundidades imutáveis da existência, não nas superfícies e aparências agitadas e passageiras da vida.

A fragilidade humana leva a que por vezes tenhamos de experimentar o que julgamos ser o desaparecimento da nossa felicidade... perdemos e sentimos as perdas. Perdemos o que temos, mas não o que somos. Amar é dar-se. Os que nos amaram deram-se-nos. Não se perderam porque existem em nós. Sou também aquele que me amou. Que me ama.

A dor é um mal. Por vezes, chega através da culpa. Quando não percebemos bem o que sentir e o que pensar. Quando dizemos o que era para calar ou fazemos silêncio do que era para dizer. Quando não escolhemos bem o que fazer ou como fazê-lo.

Por vezes, a mágoa é funda. Tantas vezes é a própria liberdade que parece ser o nosso castigo. Quanto mais opções temos adiante, maiores serão depois os arrependimentos.

Mais profunda do que a pena é a saudade verdadeira. A pena é uma impressão de desgosto que se crava no coração. A saudade é muito mais doce mas, qual espada, muito mais dura, afiada e longa. Parece destruir o que celebra. Trata-se de uma das tristezas mais fundas... a de se haver perdido o que se teve, a de se continuar a amar o que já não está aqui connosco. A de se continuar a ser dois depois de deixarmos de sentir o outro.

Há quem, mesmo triste, escolha alimentar-se da luz. E quem, em igual situação, prefira alimentar as sombras. Um amor que se fez ausente dói, mas o sofrimento só existe porque o bem não desapareceu. Está ali. Não foi destruído ou esquecido, pois, nesse caso, não se sofreria, porque teria desaparecido também a razão pela qual sofrer.

A saudade é um bem pelo qual se sofre.

Uma saudade que se extingue é sinal de um amor que não existiu. Os amores que acabam nunca são verdadeiros...

A vida é uma alegria profunda. Um mistério. Um milagre.

Não há tristeza pura... porque flutua sempre nela uma certa paz: a da certeza de um além que existe.

Todas as lutas são lutos... e os lutos são marcas da verdade e da tristeza de quem é feliz…

O luto é uma gravidez ao contrário. Um processo lento por onde o matéria se vai convertendo em espírito. Enriquecendo-nos pelo amor de que nos faz criadores.

O consolo de quem chora é a certeza de que quando se ama... a felicidade está tudo e é para sempre.

As lágrimas são silêncios que abrem os nossos olhos à luz.

José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Deus aprova provando



«Jesus fez-me compreender que,
àqueles cuja fé
é do tamanho de um grão de mostarda,
concede milagres,
e faz as montanhas mudarem de lugar,
para consolidar esta fé tão pequena;
mas para os seus íntimos,
para a sua Mãe,
não faz milagres
antes de ter experimentado a sua fé.»

Santa Teresa do Menino Jesus | 1873 - 1897
Manuscrito A. 67vº
Senhor,
quantas vezes me parece
que os bons deveriam ser recompensados
pelas suas lutas
e nada de menos bom lhes deveria suceder!
Mas este pensamento, Senhor,
tornaria a minha relação com Deus
um simples comércio.
Tu, Senhor, tens critérios muito diferentes dos meus;
Tu aprovas não recompensando,
mas provando os teus amigos,
os teus íntimos,
para que a sua fé cresça
e se transforme de humana em divina,
para que nunca caiam na tentação
de se acharem credores de Deus,
mas olhem para Ti como o Deus bom,
que de todas as situações tira o bem do mal
e “concorre em tudo
para o bem daqueles que O amam”.