quinta-feira, 9 de abril de 2009

Deus nunca dá nada



Falamos muitas vezes dos dons de Deus mas, se pensarmos bem, vemos que Deus nada dá. Deus empresta sempre.

O maior dom de Deus é a nossa vida, que poderemos gozar durante alguns anos, mas que no fim temos de devolver ao dono e ficar sem ela. Isto, qualquer que seja a forma como o consideremos, nunca pode ser chamada uma dádiva, mas um empréstimo. O nosso corpo, inteligência, dotes naturais, tudo isso vai tendo de ser entregue.

Consideramos com pena alguns idosos, que foram pessoas extraordinárias, e agora se encontram muito limitados, porque foram devolvendo o que eram a quem lho deu. A natureza, o mundo, a beleza, a riqueza, a paz, todas as coisas que Deus dá, acabamos por deixar.

A razão disto é evidente: nós estragamos aquilo que Deus nos dá. Fomos feitos livres e usamos mal essa liberdade. Se Deus não exigisse os seus dons de volta, tudo seria destruído. Até aquelas coisas que Deus tinha previsto dar-nos para sempre, como a nossa liberdade e a nossa alma eternas, até essas perdemos definitivamente pelo pecado. Por isso, em todo o universo há apenas uma coisa que Ele nos deu definitivamente.

Deus emprestou-nos a coisa mais preciosa que tinha, o Seu Filho. E nós, como a tudo o resto, estragámo-lo. Mas o Pai ressuscitou o Verbo encarnado e deu-no-lo de novo, desta vez de uma forma que não podemos estragar. Agora temos Cristo connosco para sempre. E com Ele recebemos todos os outros dons que perdêramos, a vida, a liberdade, a alma, a felicidade. É este único dom o que celebramos nestes dias da Páscoa.

João César das Neves
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1 comentário:

  1. USUFRUTO


    O que julgamos ter é apenas usufruto.

    Se desprendido eu usufruir e logo não regateando os dons que Deus me deu, que apenas me foram emprestados como o diz o Padre Nuno e sem ganância, sabendo que são Suas manifestações e, por via de Seu Filho, logo de nós todos, da Humanidade também, então nada terei a recear pois o que é Dele a Si regressará, permanecerá e como Graça de todos será apenas, o que já não é pouco (!), usufruto.

    A Vida foi-me emprestada para que dela usufruísse de graça e na Graça, dela fazendo o melhor que possa e consiga.

    A Vida não é minha mas deste modo, é digna e vale apena ser Vivida!


    Jaime Latino Ferreira
    Estoril, 9 de Abril de 2009

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