sábado, 14 de março de 2009

Salmo 170



Deus Vivo, Deus de Vivos e da Vida, Deus Bom…

Não sei muito bem como o sinto, mas apetecia-me dizer bem de Ti de uma maneira intocável, que fosse ao mesmo tempo simples, evidente e inegável. Mas, quando o fizesse, já não seria de Ti que falaria… porque não Te impões.

És um Deus Bom, não importa que não caibas no que eu digo. Não importa nada!

Louvo-te, a meio do que vivo, por estares aqui no meio comigo.
Envolves-me por todos os lados, conheces-me inteiro e amas-me assim.
Nada em mim Te é estranho nem novo… e não Te cansas de mim.

Louvo-te pelos dias assim, e pelos dias assim-assim.
Louvo-te pelas experiências com que a Vida se tece
e pela descoberta progressiva de que o caminho da Alegria, da Leveza,
da Libertação e da Paz coincide com o dom de mim mesmo.

Dar-se é a cura para as principais mazelas do coração humano
e o segredo para o crescimento verdadeiro.

Dar-se…
...lembrar-se de outro, sair de si, procurar no mais íntimo da memória aquela pessoa que está longe, ou perto mesmo mas perdida dentro de mim há tanto tempo… Procurar um rosto concreto, um nome, alguém, e sair de si. De maneira absolutamente gratuita e tomando a iniciativa. E dar-se… ou ligar, ou escrever, ou visitar… mas dar-se!

Há quem queira curar as solidões e as dores de ser comprando coisas.
Passa tão depressa…

Deus de todas as manhãs,
o dom de si mesmo é o segredo da Vida que não morre,
porque se vão da lei da morte libertando, como dizia o poeta, aqueles que vivem com amor.
E que, acima de tudo, reinventam as formas, os modos, as horas, os rostos…
de maneira a que tudo se torne novo e a vida possa renascer muitas vezes!

Deus Bom, a oblatividade é a terapia dos felizes.
O egoísmo definha as pessoas porque as centra em si mesmas,
e depois não vêem mais nada para além dos seus míseros problemas e queixumes…
O egoísmo torna as pessoas chatas, repetitivas, torna-as coitadinhas!
Sair de si é um dinamismo de cura interior muito forte porque nos descentra…

Em Ti emerge permanentemente a Vida, o Amor e a Felicidade
porque não estás fechado em Ti mesmo!
És Comunhão,
um dinamismo comunitário de Vida em que ninguém se guarda para Si…
Por isso um se chama Pai, porque é todo Dom para o outro,
todo entrega de Si mesmo…
Outro se chama Filho, porque é todo Acolhimento,
todo docilidade ao Amor do Pai e entrega filial nas Suas mãos…
E depois o “sem nome”,
Espírito como os outros dois, Santo como os outros dois, mas sem nome…
Espírito Santo mesmo, assim só, “sem nome”,
porque é assim o Seu jeito pleno de amar,
sem se nomear a Si próprio, sem retorno sobre si, sem dizer nunca “eu”
mas apenas o Tu do Pai e do Filho que gera um Nós familiar
no seio do qual a Vida não cessa de emergir…

A Vida emerge do Dom, da Comunhão…

Deus Bom, Deus-Família, Deus-Nós…
É um privilégio poder levantar o estore pela manhã e saborear tudo isto, sentar-se aqui assim, diante de um computador e partilhar com centenas de companheiros o gosto de estar vivo, de ir descobrindo os segredos mais importantes, de experimentar na própria carne que é no dom de si mesmo que o Ser Humano encontra o melhor da existência humana e o limiar desse Mistério de Presença e Proximidade do Teu Amor que se chama “Ruah”, Espírito Santo de tantos nomes, meu Amor, Alento, Sopro, Paráclito, Ternura, Sangue e Água Viva a jorrar do lado do Re-Suscitado como fonte de uma Nova Criação…

É um privilégio, Bom Deus,
um luxo do espírito
que dinheiro nenhum do mundo é capaz de comprar
nem virtude nenhuma é capaz de merecer,
este de sentir-se Pertença do Teu próprio Mistério Familiar,
sentir-se Filho e Herdeiro, como dizia o Paulo, de Graça…
Rui Santiago
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