terça-feira, 12 de maio de 2015

100 anos do nascimento do Irmão Roger de Taizé



Irmão Roger, de Taizé - essencial é a caridade viva, o espanto do amor vivido permanentemente

O seu rosto é a expressão do ancião, onde bebemos a sabedoria adquirida. É ele que, antes de nos sentarmos, traz um termo com chá e uma lata de biscoitos. No quarto, há um divã, uma lareira, uma pequena mesa de trabalho. Num dos cantos, um ícone e algumas flores fazem o pequeno oratório do irmão Roger, prior de Taizé. Ao lado, uma placa onde estão fixados cartões e pequenas mensagens recebidas. A conversa é feita de palavras e silêncios. Suspende algumas frases na busca da expressão certa. Enquanto pensa, o rosto adquire olhares diferentes até à exclamação seguinte, que antecede sempre algumas palavras-chave: a reconciliação, a coragem de lutar, a vida em comum.

Nascido em 1915, o suíço Roger Schutz fundou a comunidade monástica de Taizé, pequena aldeia da Borgonha (França), em 1940, quando se dirigiu para a aldeia e começou por acolher pessoas que fugiam dos nazis e da França ocupada. «A confiança em Deus não ignora os sofrimentos de tantos necessitados através do mundo», diz. «Uma paz mundial é essencial para que o sofrimento seja aliviado», mas alerta para «o crescimento da pobreza no mundo», que «é fonte de novos conflitos».

Em Dezembro de 2004, o irmão Roger presidiu em Lisboa ao último Encontro Europeu de Jovens promovido pela sua comunidade como parte da Peregrinação de Confiança sobre a Terra. A 16 de Agosto seguinte seria morto, em plena Igreja da Reconciliação, em Taizé, por uma mulher perturbada.

Recordava com frequência o exemplo da mãe e da avó, que lhe inspiraram a vontade de reconciliação entre os cristãos: «É urgente, não podemos permanecer divididos». Na comunidade que fundou, vivem cerca de uma centena de monges católicos e protestantes.

Taizé, insistia, não queria um movimento de jovens à sua volta, mas antes que cada um viva «o Evangelho no sítio onde habita».

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