domingo, 2 de fevereiro de 2014

Vende tudo e vem



Um dia, um grupo de jovens reuniu-se para rezar.
Mas nenhum deles sabia rezar.
Então, porque não sabiam rezar,
puseram-se a escutar o silêncio.
Até que o líder do grupo que mal sabia falar, disse duas palavras:
- Estamos a escutar.
E os outros continuaram a rezar.
Foram 5, 10, 15 minutos... sem fazerem barulho.

No meio deles estava uma bíblia aberta. E um leu:
- «Vai! Vende tudo o que tens,
dá o dinheiro aos pobres
e segue-me».

E, quando alguns já estavam quase a dormir,
um levantou-se e pôr-se a ir.
Partiu. Saiu do grupo que estava a escutar
e pôs-se a andar.

Fez a mala, deu dois beijos na mãe, abraçou as crianças, passou no campo onde estava o pai e disse-lhe:
- Meu pai, vou partir.
Deixo as minhas coisas para quem delas precisar.
Ontem, era menino e não sabia entender.
Mas hoje, parece-me que vi.
Há muito tempo que ando a perceber o mundo.
O paizinho sabe que aos poucos fui criando uma consciência feliz.
Critiquei o mundo.
E hoje vejo bem que a banalidade é cada vez maior.
Por isso, vou começar um novo estilo de vida.

O pai chorou.
E com o rosto pleno de bondade, perguntou:
- O que disse a tua mãe?
- A mãezinha ficou em silêncio, como quem escuta.
- Vai, meu filho, tudo o que temos é teu.
Mas se vês uma coisa melhor
que isto que nós temos, vai.
Procura-a com todas as tuas forças. Segue-a!
O jovem pegou nas mãos do pai que eram duras.
E pôs-se a caminhar.

Ele não sabia quase nada do que lhe ia acontecer.
Depois de várias horas sentiu fome.
Chegou a uma casa, bateu e pediu pão.
Estavam lá vários jovens que, quando o viram com um ar tão cheio de infinito,
o mandaram entrar.

Entrou, comeu, bebeu e perguntou:
- Isto é a família de quem?
Um dos outros respondeu:
- Isto quer ser a família de toda a gente.
Estamos aqui todos juntos,
porque Jesus Cristo nos agarrou.
Vivemos unidos, planeamos e rezamos em conjunto.
Tudo o que ganhamos pomos em comum.
Não vamos casar.
Procuramos que as pessoas se sintam bem em nossa casa.
Estudamos para aprofundar a nossa fé.

O jovem ficou atrapalhado por a sua pergunta ser tão fora do tom da resposta.
Antes de se deitar,
ficou muito tempo em silêncio, a escutar,
pois não sabia como havia de rezar.
E, de manhã, pediu para ficar.


P. José Luís, CSh

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