quarta-feira, 6 de março de 2013

Deus, no fundo, não deve existir


 

Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos
fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível.

E Deus? O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido.

Mas vejamos o caso ainda mais em profundidade. Deus tem verdadeiramente um lugar no nosso pensamento? A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deve existir.

Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua.

E também nos nossos sentimentos e vontade não há espaço para Ele. Queremo-nos a nós mesmos,
queremos as coisas que se conseguem tocar, a felicidade que se pode experimentar, o sucesso
dos nossos projectos pessoais e das nossas intenções.

Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus.

E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros.


Bento XVI
Missa de Natal - 24-12-2012

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