terça-feira, 7 de agosto de 2012

“O senhor bem sabe porque é que estou assim!”…



De facto eu não sabia.
Nem sequer desconfiava. Mas disse-o, apesar de saber que, nestas alturas, é quase ainda mais ofensivo admiti-lo…
A verdade é que era fácil de perceber que ela estava triste.
E magoada. E também dava para perceber que era comigo: os olhos habitualmente não mentem…
A beleza e o encanto da relação com os outros está na delicadeza do íntimo de cada um, que aprendemos a ir descobrindo a pouco e pouco.
Mas essa é também a grande dificuldade e o desafio de qualquer relação…
Estou constantemente a tropeçar em situações destas que me fazem lembrar muitas vezes uma história que ouvi o Pe. Peter contar há cerca de trinta anos: a de um elefante numa loja de porcelana…
É claro que o defeito não está na porcelana.
Está no elefante.
E ninguém gosta de se sentir elefante no que toca à sensibilidade.
Mesmo que escolha sê-lo como defesa para todos os equívocos e ambiguidades
das relações humanas…
Aqui há uns anos, em casa de uns amigos (já não me lembro onde…), serviram-me café numa chávena de porcelana tão fina que passei o tempo todo com medo de ficar com um bocado da chávena na boca.
Do café não me lembro. Mas lembro-me de respirar de alívio quando acabei de o beber e constatei que a chávena estava sã e salva…
Na relação com os outros e principalmente na relação com Deus são várias as escolhas que temos de fazer.
Ou optamos pela indiferença e insensibilidade, ou nos abrimos ao mistério do outro, à grandeza e à beleza de cada um, aceitando pagar o preço de, volta e meia, sentirmos o desconforto de um elefante desastrado…
Ou fixamos o nosso olhar no outro e apreciamos a beleza da relação, ou vivemos fechados sobre nós não conseguindo ver mais longe do que o elefante que somos…
O Amor e a Presença de Deus na nossa vida é uma realidade que podemos ignorar.
Ou banalizar.
Mesmo quando julgamos dar-lhe muita importância, podemos pensar nela e vivê-la sem nunca nos deslumbrarmos verdadeiramente com a beleza e grandeza infinitas desse Amor…
E também podemos ter consciência desse Amor de uma forma que nos esmaga, que nos deixa prisioneiros do medo de morrer só porque O “vimos”.
E isso acontece sempre que fixamos o olhar no elefante que há em nós e não na grandeza do Deus que nos ama e nos acolhe assim como somos, que nos conhece melhor do que nós próprios, porque somos d’Ele…

Pe. Luís Alberto Martins de Carvalho

1 comentário:

  1. "A beleza e o encanto da relação com os outros está na delicadeza do íntimo de cada um, que aprendemos a ir descobrindo a pouco e pouco.
    Mas essa é também a grande dificuldade e o desafio de qualquer relação…"

    Uma Verdade intransponível.
    Por isso, façamos o que pudermos para que: onde for que estivermos e com quem for, permitirmos que esse Amor e essa presença de Deus em nossas Vidas se torne visível, precisamente aí, na entrega ao nosso semelhante..

    Muito bonita de tão significativa aos nossos dias, esta mesma mensagem.

    dulce ac

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