sexta-feira, 27 de julho de 2012

Desiderata



Caminha serenamente por entre o barulho e a agitação,
e lembra-te da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível sem capitulares,
mantém-te em boas relações com todos.
Diz a tua verdade com calma e clareza, e escuta os outros
ainda que menos dotados e ignorantes;
também eles têm a sua história.
Evita as pessoas ruidosas e agressivas:
elas são uma mortificação para o espírito.
Se te comparas com os outros, podes tornar-te vaidoso e amargo;
pois haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti.
Alegra-te com as tuas realizações e com os teus planos.
Aprecia a tua carreira, por modesta que seja: é um bem real,
entre os sucessos mutáveis do tempo.
Sê prudente nos teus empreendimentos!
O mundo está cheio de astúcia.
Mas que isto não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela exista.
Muita gente luta por altos ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo.
Sê tu mesmo. Especialmente, não simules amizade.
Nem sejas cínico em relação ao amor, pois,
sob a aparência de secura e desencanto, ele é perene como a relva.
Acolhe de bom grado o conselho dos anos,
e abandona com dignidade as coisas da juventude.
Alimenta a fortaleza de espírito a fim de poderes suportar alguma súbita desgraça.
Mas não te angusties com imaginações.
Muitos temores são filhos do cansaço e da solidão.
Para além de uma disciplina salutar, trata-se com delicadeza.
És filho do universo, nada menos que as árvores e as estrelas; tens o direito de o habitar.
Seja isto claro ou não para ti, não há dúvida que o universo vai evoluindo como deve.
Por isso, procura a paz com Deus, seja qual for a tua ideia que d'Ele fazes.
Sejam quais forem as tuas lutas e aspirações,
conserva a paz contigo mesmo no meio do bulício da vida.
Não obstante a mentira, o cansaço e os sonhos desfeitos, este mundo é maravilhoso.
Tem cautela. Esforça-te por ser feliz!


Max Ehrmann (1927).
Tradução de João Valente Cabral, feita em Moçambique, talvez em 1972.

2 comentários:

  1. Padre Nuno,
    Muito obrigado pela partilha. Adorei este poema que não conhecia de Max Ehrmann (1927). Também encontrei uma canção muito bonita, sobre a versão em inglês, que publiquei em:
    http://makeitabetterplaceforus.blogspot.pt/2012/07/desiderata.html
    Abraço,
    Manuel Filipe Santos.

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