sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Igreja é como a lua


Para sua Santidade Bento XVI, a Igreja é como a lua: Mesmo que seja um deserto de pedras e areia, dá-nos uma luz que não é sua, iluminando a nossa noite.
Podemos pensar na Igreja católica comparando-a à lua devido à relação lua-mulher (mãe) e ao facto de que a lua não tem luz própria mas recebe-a do sol, sem o qual seria escuridão total. A lua resplandece, mas a sua luz não é sua mas de outro.
A sonda lunar e os astronautas descobriram que a lua é apenas uma estepe rochosa e desértica, como montanhas e areia, viram uma realidade diferente à de antigamente: não como luz. E, com efeito, a lua é em si mesma e por si mesma só deserto, areia e rochas Contudo, também é luz e como tal permanece inclusive na época dos voos espaciais.
Acaso não é esta uma imagem exacta da Igreja? Quem a explorar e escavar com sonda, como a lua, apenas descobrirá deserto, areia, pedras, as fragilidades do homem e a sua história através do pó, dos desertos e das montanhas. O facto decisivo é que ela, apesar de ser apenas areia e pedra, também é luz em virtude de Outro, o Senhor.
Eu pertenço à Igreja porque creio que hoje, como ontem  e independentemente de nós, por detrás da “nossa Igreja” vive a “Sua Igreja” e não posso estar perto d’Ele se não permanecer na “Sua Igreja”. Eu estou na Igreja porque, apesar de tudo, creio que, verdadeiramente, não é nossa mas “d’Ele”.
É a Igreja que, não obstante todas as fraquezas humanas que nela existem, nos dá Jesus Cristo; só por meio dela é que eu O posso receber como uma realidade viva e poderosa aqui e agora.
Sem a Igreja, Cristo evapora-se, despedaça-se, anula-se. E o que seria a humanidade privada de Cristo?
Eu estou na Igreja pelas mesmas razões  porque sou cristão. Não se pode acreditar solitariamente. A fé só é possível em comunhão com outros crentes. Pela sua mesma natureza, a fé é força que une. Esta fé ou é eclesial ou não é fé. Aliás, assim como não se pode acreditar solitariamente, mas só em comunhão com outros, também não se pode ter fé por livre iniciativa própria ou por invenção.
Eu permaneço na Igreja porque creio que a fé , que só se vive nela e não contra ela, é uma verdadeira necessidade para o homem e para o mundo.

(Resumo de um testemunho pronunciado na Alemanha em 1971)

1 comentário:

  1. "Não se pode acreditar solitariamente"

    Meu Deus, este texto é lindo, de tão perfeito, também a outros sentires, ao meu..!

    E a fé, na verdade, é na vida partilhada que revela a sua essência, uma força que nos transcende e chega ao outro irmão, e dele para mim.

    É um viver o testemunho de Jesus, que torna Deus tão presente e visível à nossa vida.

    Obrigado, Padre Nuno!

    dulce ac

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