quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Igual é impossível


A zona mais preguiçosa da inteligência tende a encontrar semelhanças entre pessoas, situações e simples objectos. Já a zona mais elevada da nossa capacidade de pensar detecta diferenças. O nosso universo mental tende a refugiar-se no que já conhece e integra a novidade como simples variação do conhecido. Uma pessoa recente na nossa vida, por exemplo, tende a ser enquadrada sempre como parecida com outras que já conhecemos, e chegamos ao ponto de prescrever, qual fórmula química, a quantidade de cada um dos constituintes-base no todo que temos diante de nós.

Enfim, mentes mais básicas muito dificilmente são surpreendidas, porque se tornaram hábeis em asilar-se num conjunto que julgam ser o máximo mundo possível.

Mais raro, mas muitíssimo mais inteligente, é, mesmo perante coisas superficialmente parecidas, achar-lhes as diferenças. Em cada coisa nova pode descobrir-se a excepção que o universo ali nos revela.

Talvez por isso nos sintamos realmente vivos nos momentos de improviso, quando não há qualquer plano prévio. Nesses instantes, quais caçadores, deixamo-nos diluir e envolver no ambiente e ficamos atentos a cada pequena surpresa. Mas com algum tempo e fraca inteligência acabamos por nos acomodar e trocamos um absoluto gozo da vida por um cómodo jogo dos cromos repetidos.

No caminho da sabedoria aprende-se a admirar, a calar mais que a dizer, para atingir um ponto onde se compreende que nem mesmo numa paz de espírito sublime existem sequer dois silêncios iguais. 

Investigador

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