segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Recado de Jesus



Alegra-me que sintas dentro de ti a tua Desimportância. O sentimento da Desimportância de si é profundamente libertador. Nem que mais não seja, porque é verdadeiro, e a Verdade Liberta! Daqui a cem anos… daqui a cem anos, a que ritmo girará o mundo sobre o teu esquecimento? Esses átomos que agora formam o teu corpo, porque recantos da galáxia andarão dispersos?

Saboreia essa liberdade de não seres imprescindível. Colhe as flores dos caminhos por onde passas, porque depois de ti ainda ficarão quase todos por percorrer. A humanidade inteira em todo o seu tempo não os percorreu ainda todos. O que esperarias alcançar com os teus diminutos pés? E quantas flores te cabem nos braços?

Experimenta a Graça da Vida e o seu encanto e sê fiel aos dons que recebes constantemente. Sê agradecido… nada nos faz melhor do que vivermos maravilhados e agradecermos muitas vezes o que é bom! Há coisas boas. E são para ti. Dou-tas eu, porque te amo.

Lembra-te muitas vezes que tudo gira sem ti e não podes ser o centro da vida de ninguém. Não faz sentido. Não vales assim tanto. E seres o centro da vida de alguém, obriga-te a parar aí. O centro é o que está quieto enquanto tudo o resto gira.

E, acima de tudo, não te esqueças que esse sentimento de Desimportância te compromete profundamente a dares o melhor de ti! Porque a verdade é que podes… Podes dar o melhor de ti porque, afinal, quem te julgas para achares que não podes falhar? Tens que dar o melhor de ti, a tua Desimportância impele-te a isso, porque te liberta da responsabilidade de fracassar. O que julgas que acontece quando te enganas? O mundo gira e a história avança…

Se fosses assim tão imprescindível e marcante para o destino do mundo, seria um peso enorme sentires dentro de ti o impulso de dares o melhor. Porque quem dá o melhor tem que enganar-se várias vezes. Isso porque o tal “melhor” não se tem, mas “constrói-se” enquanto se puxa por ele para se dar… Mas tu podes dar o melhor. Tu deves dar o melhor de ti porque tens toda a Desimportância para te enganares e começares de novo sem que a marcha do mundo soluce.

Amo-te muito, assim, do tamanho que tens e com a beleza que eu mesmo te dei. És mais precioso que o ouro para mim, não te trocava por todos os tesouros dos grandes do mundo. Fico encantado quando intuis a largueza da história e a coreografia do cosmos que te envolvem e te sentes livre, solto… Fico feliz quando consigo fazer-te experimentar essa leveza de
pertencer, não de possuir,
de agradecer, não de controlar,
de admirar, não de descrever.
De seres meu e todo para mim.
E adoro quando percebes que isso te chega.

Rui Santiago

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2 comentários:

  1. Obrigada Senhor! A Tua graça me basta!

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  2. "Tu deves dar o melhor de ti porque tens toda a Desimportância para te enganares e começares de novo sem que a marcha do mundo soluce."

    É bem verdade Pe. Nuno.
    No fundo o que devemos é ter aquela atitude: de humildade perante a Vida, perante sobretudo as pequenas coisas da vida, valorá-las, e começar de novo... se for preemente que o façamos.
    Estaremos sempre em tempo!
    Muito bonito o texto que hoje nos trouxe!

    "Coisas, Pequenas Coisas

    Fazer das coisas fracas um poema.

    Uma árvore está quieta,
    murcha, desprezada.
    Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
    e lhe sopra os dedos,
    ela volta a empertigar-se, renovada.
    E tu, que não sabias o segredo,
    perdes a vaidade.
    Fora de ti há o mundo
    e nele há tudo
    que em ti não cabe.

    Homem, até o barro tem poesia!
    Olha as coisas com humildade.

    (Fernando Namora)

    E uma boa noite, abençoada.
    Dulce.

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