sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A grandeza do silêncio



O que são as “coisas grandes” que estamos chamados a fazer?! Confundimos grandeza com aparato e estragamos tudo, porque quase todo o aparato é inconsequente. Esfuma-se e ficam as cinzas. O “tamanho” de uma acção não se mede pelo estardalhaço que faz mas pelos ritmos que gera, pelas consequências que deixa, pelas pessoas que toca…

A fecundidade de uma vida não depende da quantidade de gente que te conhece o rosto, te sabe o nome e te escuta as palavras, mas da quantidade de gente que consegues fazer habitar dentro de ti e à qual acabas por tocar pelos ritmos que geram os gestos simples e despretensiosos que fazes no silêncio. Nunca saberão o teu nome… mas devem-te a ti e ao teu gesto silencioso, coisas muito bonitas que fizeste despertar no coração de outros para que se realizassem.

A tua vida torna-se bonita, eficaz, fecunda, feliz, se fores tornando o teu silêncio cada vez mais parecido ao Silêncio de Deus, um Silêncio cheio de atenção, que inspira, suscita, motiva, aponta, descobre… Não um silêncio fechado em si, um silêncio “no canto”, mas um Silêncio cheio, que envolve tudo, que não está num canto da vida mas no encanto da vida.

Gostava de dizer-te nesta manhã que não há “gestos pequenos”, senão aqueles que se fazem propositadamente para parecermos grandes. Não há “vidas pequenas”, senão aquelas que se recusam a ser simples e verdadeiras. Não há ninguém “insignificante”. Ninguém!

E, na hora do sol se pôr sobre nós, só Deus mesmo saberá tudo… Nós, iremos descobrindo, pouco a pouco, enquanto o nosso Silêncio se for tornando, como o de Deus, Revelação e Encontro, e todos aqueles que nunca te souberam o nome sequer nem te conheceram o rosto, de repente, se reunirem à tua volta e te transfigurarem eternamente no seu abraço agradecido. E eles mesmos te mostrarão que, afinal, tens um jeito de Dançar na Festa do Reino absolutamente extraordinário!

E vais sorrir, tenho a certeza, ao lembrares-te que os passos mais bonitos desta Dança os treinaste todos no silêncio.

Rui Santiago
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