quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Cumpre o que prometes




As palavras não são vento que sai de nós. Com elas se diz a verdade, através delas se constroem realidades, mas é também com o seu poder que se criam mentiras – buracos onde se quer que os outros caiam.

Uma promessa que cumpro é uma garantia que dou aos outros – e a mim mesmo – de que a confiança em mim depositada não se perde, frutifica. Uma mentira – ou uma simples promessa vã – faz o contrário, corrói os pilares do que sou, destrói-me... quando minto, sou eu próprio que assumo que não mereço a verdade, que não sou digno nem da minha própria confiança. Eis porque é quase irrelevante que uma determinada mentira seja descoberta pelos outros: quando alguém mente, sabe que mente. Quer mentir. Não quer verdade. Não quer ser autêntico.

Julgar que as próprias palavras são passageiras é desprezar-se. Reconhecer um erro é bom, tentar desculpar-se, alegando que todos cometemos erros, já é um artifício para a irresponsabilidade... até porque é possível que a maior parte dos outros não cometa os mesmos erros que nós.

É essencial ter presente que o eco da palavra dada com honra ficará para sempre no coração daquele a quem se destina, mas marcará ainda mais o chão da alma de quem decidiu proferi-la.

Quem quer ser melhor, levanta-se cedo. Não quer sonhar com mundos fáceis e impossíveis. Quer viver o melhor de todos os possíveis, por mais difícil que seja.

Importa cuidar bem do silêncio em que embrulhamos as nossas palavras. Ele diz sempre mais do que as próprias palavras. Pode ser sinal de presença ou de ausência. A verdade ou mais uma mentira. O bem ou um mal. O silêncio pode ser uma armadura que protege ou uma espada que mata...

Prometer a alguém o nosso bom silêncio será um dos mais belos gestos que podemos realizar, não a promessa em si, mas o que fizermos para a cumprir.

Um dos desígnios mais altos da existência será o de fazer da própria vida uma certeza de bem.


José Luís Nunes Martins, 
(ilustração de Carlos Ribeiro)

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