segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O ódio




«Poucas pessoas conseguem ser felizes sem odiar alguma outra pessoa, nação ou credo» (Bertrand Russell). «Quando odiamos alguém, odiamos na sua imagem alguma coisa que está dentro de nós» (Herman Hesse).

O ódio é uma cadeia que esmaga desde sempre a humanidade, sufocando-lhe o sopro vital mais profundo. A primeira e amarga constatação é atribuída a um filósofo anticonformista que em 1950 obteve o prémio Nobel da Literatura, Bertrand Russell (1872-1970).

Apesar de algum excesso na formulação («poucas pessoas» é um exagero), é todavia verdade que para alguns o ódio é quase um alimento indispensável, sem o qual não conseguiriam viver.
E na verdade, é preciso reconhecer que, mesmo em pessoas caracterizadas pela mansidão, está presente às vezes uma ponta de ódio, acompanhada por um frémito de prazer.

Chegados aqui, torna-se significativo o juízo contido na segunda frase, que extraio de um romance menor, "Demian" (1919), do celebrado (talvez demasiadamente) romancista alemão Hermann Hesse.
Odiar outro nasce muitas vezes do facto de descobrirmos nele qualquer coisa de detestável que não queremos reconhecer em nós mesmos. Mas há pior: por vezes o ódio em relação floresce de um ciúme secreto, o de se dar conta que o outro é melhor que nós.

A gerar o ódio não está, portanto, apenas o mal, mas paradoxalmente também o bem de outro, invejado e por nós não possuído.

Compreende-se então quanto é importante o apelo constante de Cristo a vencer esta obscura energia, substituindo-a pela força doce e delicada do amor, primeiro e único mandamento da moral evangélica.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi

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