sábado, 26 de setembro de 2015

Quem sãos verdadeiros inimigos

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Os amigos combatem o pior de nós, os inimigos o melhor. Os amigos criticam quase sempre, os inimigos poucas vezes. Chegam até a aplaudir. Essa é a sua forma de chegar mais perto, de ganhar a confiança de um peito aberto. Anima-os o ódio, um desejo de destruição que arruína mais quem o tem do que aquele a quem é apontado.
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Os amigos corrigem-nos porque nos dão valor, do mesmo modo como reparamos um objeto importante, mas deitamos para o lixo um outro que julgamos não merecer a o esforço de tentarmos arranjá-lo. Os inimigos corrigem-nos porque não nos dão valor e querem dessa forma justificar o seu desprezo. Aos amigos dói-lhes corrigir, como aos pais castigar os filhos, enquanto os inimigos sentem um perverso prazer em castigar, porque julgam que assim fica legitimado o seu desamor...
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Há quem seja capaz de muito mal. As suas maiores armas são: a calma com que analisam os detalhes, a racionalidade com que dominam os instintos e a frieza com que aplicam os seus golpes. Sem piedade nem culpa. Apenas uma vontade infernal que cumprem. Sim, que os infernos não são senão partes destruídas do paraíso.
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O maior inimigo de qualquer um de nós é a má vontade. A vontade de não criar. O desejo do mal. A ideia de que tudo à nossa volta é adverso e hostil, contrário e aborrecido, indisposto e detestável. A maior parte dos que se fazem inimigos são pessoas que cobiçam, que se orgulham de algo que não tem grande valor, gente que tem medo. E eis que o ódio lhes dá uma ilusão de poder, valor e ousadia.
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Há pessoas que, não sendo capazes de analisar e avaliar os erros próprios, os danos e as faltas dos outros, tentam de forma desproporcional destruir tudo apenas porque se deram conta de um pequeno erro. Como se uma porta encravada justificasse a destruição de um palácio.
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A raiva estende os seus ramos nos espaços vazios, no aborrecimento das vidas que se contentam com pouco sentido. Ninguém nasceu para ser apenas normal. Cinzento. Alguns que assim se encontram dão-se conta de que há outros que têm nas suas vidas cores, alegrias e vida, muita vida... Por esta altura, uns assumem ousar seguir-lhes o exemplo; outros, pretendem ultrapassar a sua desgraça através da destruição dos dons de quem lhes torna evidente o seu fracasso. Um dos grandes sucessos dos inimigos é fazer-nos acreditar que dizem a verdade quando falam a nosso respeito.
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Os momentos mais decisivos dos nossos dias são aqueles em que, não tendo nada planeado e concreto para fazer, decidimos o que fazer ou... desfazer. Há quem prefira passar o tempo a destruir os castelos que outros erguem na areia da praia... em vez de sentirem o carinho do sol na pele, o aroma único que se liberta no quebrar das ondas, a alegria tão profunda, simples e infantil de agarrar a praia inteira numa mão cheia de areia... e ser feliz por poder construir castelos que, mesmo resistindo pouco tempo, são sempre sinal de uma vontade de construir um bem que dure.
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A traição resulta quase sempre da incapacidade de compreender o bem onde ele está. Julgando que o diferente é melhor, só porque é diferente. Mas faz-se pior quem assim se engana a si mesmo, nessa preguiça absoluta de sentir, pensar e ser melhor. Uma aparência de felicidade pode não ser mais que uma máscara que esconde uma grande podridão.
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O rancor muitas vezes aguarda durante anos até poder manifestar a sua sede de vingança, não por um mal que foi feito, mas por um bem que se detestou. Por isso, uma das maiores dores que sente alguém que é mau é ser perdoado do seu mal.
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O inimigo alberga um ódio que é uma esperança de vingança de um suposto mal exterior a si. Sente-se triste e acusa o outro disso. Uma espécie de vingança de medroso.
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Nenhum de nós tem forma de não ser alvo de ódio, pois tanto o bem como o mal que fazemos o podem despertar da mesma maneira.
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Há pessoas más cujo ódio nos louva. Somos diferentes delas, e ainda bem. Mas importa que nunca as levemos ao desespero… aceitando com paciência a sua existência.
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Os nossos maiores inimigos são os nossos erros, vícios e paixões. Devemos aprender com eles, agradecer-lhes os espinhos que cravam, pois reforçam a nossa capacidade de andarmos despertos e de nos aperfeiçoarmos.
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O número dos inimigos aumenta na proporção do nosso valor. Mas são esses mesmos adversários que impossibilitam que nos tornemos vítimas da nossa importância.
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Os amigos tendem a gostar muito do que nos custa a alcançar e a desvalorizar o que nos é fácil…. Já os inimigos preferem que nada façamos e odeiam o que fazemos de mais difícil e elevado. Uns querem o melhor de nós, outros, o pior.
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