segunda-feira, 20 de abril de 2015

O vento que decidirmos ser



Uma das mais importantes escolhas que cada um de nós deve fazer é a de escolhermos qual o foco principal da nossa atenção e cuidado. Se o mundo à nossa volta, a fim de o mudar, ou se o interior de nós mesmos.

Quase todos os bens e males da nossa existência partem do nosso interior, pelo que será aí que importa aperfeiçoar, de forma profunda, tudo o que existe no nosso íntimo.

Um dos trabalhos mais importantes de cada um de nós será o de saber bem o que queremos. O segredo da felicidade pode estar aí: alterar em nós o que nos possa estar a causar desnecessárias ansiedades. Quantas vezes desejamos algo que está fora da nosso controlo?

Existem três tipos de coisas: as que dependem apenas de nós; as que escapam por completo à nossa decisão; e, aquelas sobre as quais temos algum controlo, mas não total.

Se fizermos a nossa alegria depender de algo que não está na nossa mão, então será fácil que nos sintamos roubados de algo que, na verdade, nunca foi nosso. Mesmo nos casos em que o conseguimos obter, a ansiedade associada à posse, até pela iminência de o perder da mesma forma que o ganhámos, é algo que perturba de forma séria a nossa liberdade e a nossa tranquilidade.
Não faz muito sentido que percamos o nosso tempo todo a tentar conquistar o que não depende de nós. Será uma futilidade e uma perda de energia e tempo que podia e devia ser utilizado naquilo que é essencial e está ao alcance da nossa mão.

Se eu for capaz de moderar os meus desejos, procurando valorizar mais o que tenho em vez de buscar o que não tenho, se eu for capaz de fazer tudo o que está ao meu alcance a fim de melhorar a minha vida, mais do que esperar por um milagre qualquer que me coloque nas mãos aquilo pelo qual não lutei, então estarei no caminho certo e serei bem mais feliz, ainda que não chegue aos patamares que sonho. Porque, ainda assim, terei chegado mais alto do que aqueles, em vez de se levantarem, preferem ficar deitados à espera que as suas fantasias se realizem sozinhas.

Algo que está nas nossas mãos é a possibilidade, e o dever, de estabelecermos os nossos objetivos. O que pretendemos alcançar e o que estamos dispostos a fazer a fim de os conseguir. Outra dimensão essencial e que depende apenas de nós, é o conjunto dos nossos valores, bem como a determinação de viver de acordo com eles. Os nossos objetivos e valores deviam ser um ponto central da nossa preocupação diária. Atribuir o devido valor a cada coisa pode poupar-nos a muito sofrimento…

A importância para nós de tudo o que há no mundo, interior e exterior a nós, é definida por cada um. Sou eu que valorizo ou desvalorizo um objeto, uma atitude, ação ou mesmo uma pessoa. A forma como olho para o mundo altera-o e altera-me a mim. Podemos aprender a escutar e a compreender de uma forma diferente e, com isso, mudarmos boa parte do mundo em que vivemos.

Se amanhã fará sol ou chuva não deve ser uma preocupação minha. O que posso, quero e devo fazer… sim, devia preocupar-me hoje e ocupar-me amanhã! Para ser feliz, devo fazer o que está hoje ao meu alcance… quanto ao resto, ainda que não cumpra a minha expectativa, não tem que ser alguma coisa que me frustra por completo… serei feliz, pois tê-lo-ei merecido. Apesar de tudo, mais vale merecer o que se não tem do que ter o que se não merece… afinal, é melhor ser cego do que ter olhos e não querer ver…

Há que estabelecer metas, interiores e exteriores. Procurando levar ao limite as nossas forças e talentos.

Já há muita gente infeliz, os que se preocupam mais em ser amados do que em amar, não fazendo nada para sequer se tornarem amáveis…

A felicidade depende do que eu decidir ser no meu íntimo, assim como também depende do mal que eu posso impedir-me de escolher. Sermos bons, humildes e diligentes depende apenas de nós. Só de nós. Se não o chegarmos a ser, a responsabilidade é nossa. Nenhum de nós será feliz por circunstância, mas sempre devido a um conjunto de escolhas profundas… que nos definem… tal como queremos ser.

Rumo ao melhor de mim, não é o vento que me leva, mas a minha vontade de ir.

José Luís Nunes Martins

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