sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Amo-te!



Eu tive uma relação bastante boa com o Senhor. Pedia-lhe coisas, conversava com Ele, louvava-O, agradecia-Lhe...

Mas sempre tive a incómoda sensação de que Ele queria que eu O olhasse nos olhos... coisa que eu não fazia. Eu falava-Lhe, mas desviava o meu olhar quando sentia que Ele estava a olhar para mim. Olhava sempre para outro lado. E sabia porquê: tinha medo. Pensava que nos Seus olhos iria encontrar um olhar de reprovação por algum pecado do qual eu não me tivesse arrependido. Pensava que nos Seus olhos ia encontrar uma exigência; que havia alguma coisa que Ele queria de mim.

Por fim, um dia, reuni a suficiente coragem e olhei. Não havia nos Seus olhos reprovação nem exigência. Os Seus olhos limitavam-se a dizer: “Amo-te”. Fiquei a olhar fixamente durante muito tempo. E ali continuava a mesma mensagem: “Amo-te”. E, tal como Pedro, sai para fora e chorei”

Antony de Mello, El canto del pajaro, p. 148:

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