terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O egoísmo é um medo de amar



Há quem chame amor ao impulso básico da paixão fulminante, que na atração física possessiva, quase incontrolável, procura satisfazer-se, consumir-se e saciar-se...

O amor pode chegar ao nosso coração vindo do céu... mas nunca serve para nós mesmos. Devemos fazê-lo chegar a quem dele precisa, amando com um único fim: a felicidade daquela pessoa concreta.
Há quem chame amor ao impulso básico da paixão fulminante, que na atração física possessiva, quase incontrolável, procura satisfazer-se, consumir-se e saciar-se...

Há também quem pense que o amor é uma alegria, que resulta da união de duas vontades que procuraram estar juntas e que partilham momentos, esperanças, dores e sonhos. Sendo que, aqui, segundo dizem, só há amor se os dois desejos se encontrarem em sintonia. O amor será então, para estas pessoas, algo que não existe completo em ninguém, que só existe quando dois anseios concorrem para o mesmo fim. Será pois algo que resulta de uma troca, de uma dupla entrega de um ao outro, sendo que quando uma das partes falha tudo perde o sentido e valor.

Mas talvez o verdadeiro amor seja algo diferente. Não visa satisfazer-se, nem procura qualquer retorno. É desinteressado, gratuito e dá-se sem condições. Só esta pureza é capaz de criar verdadeira felicidade a quem o recebe... e uma outra, talvez ainda mais profunda, a quem tem coragem de o escolher, viver e dar.

É preciso muita coragem para amar. Mas, depois, o amor vence sobre todos os medos!
Os egoístas têm medo de amar. Julgam que se bastam a si mesmos e que os outros são apenas seus instrumentos de prazer. Exigem tudo dos demais, abrem as suas portas apenas para receber. Mas nunca são felizes, porque ainda que lhes entreguem tudo, isso será sempre pouco... um breve sorriso de pequena satisfação e logo fazem uma exigência maior. Mas quem não é capaz de dar, também não consegue receber, desconhecem pois a felicidade de ser amados. Julgam que ser forte não é levantar o outro, mas derrubá-lo... nem sonham o que é o amor.

Os egoístas são cobardes. Usam as pessoas, fogem dos compromissos. Assusta-os o perigo de amar. O ridículo e o fracasso, suspeitam de mil males, sem nunca se darem conta que alguém assim é sempre vítima de si mesmo. Incapazes de compreender que só a vida que é vivida para os outros faz sentido. Que só pelo amor se chega à felicidade profunda e verdadeira, àquela que longe dos prazeres do momento, se ergue mais alta que o céu.

O egoísmo é uma espécie de paixão que se vai apoderando da pessoa. Desconfia-se de tudo. Teme-se o futuro. Chora-se até, pela frustração do mundo e dos outros não compreenderem a necessidade enorme que se sente de ser levado até à felicidade. Mas o egoísta não faz mais nada senão esperar que alguém generoso o venha servir.

Julgam que guardando o amor que há no seu coração para si mesmos, nada sofrem e tudo gozam. Quando, na verdade, assim vivem o maior dos sofrimentos: uma vida sem amor.

Nada vem ao acaso, nada existe sem causa. Se existe amor em nós, é para que amemos de verdade... para que a felicidade que despertarmos nos que amarmos, transborde e que, com ela, consigamos amar ainda mais.

Claro que ninguém é obrigado a fazer coisas impossíveis. Mas, na verdade, será que há coisas impossíveis? Quem ama, acredita!

Todos os dias morremos, nascemos e devemos amar.

O tempo da nossa vida é precioso, porque nada é mais veloz que os nossos anos. Depois da noite que a todos espera, nem as montanhas nem mar ficam... apenas o amor de que tivermos sido capazes.

José Luís Nunes Martins

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