sábado, 22 de novembro de 2014

A verdade é o silêncio



Umas mãos vazias cheias de amor, dispostas a criar o que for preciso, são o melhor e mais belo presente que podemos dar a alguém!

Cada homem tem em si uma fonte de vida, de onde lhe nascem todos as suas obras: o sentir, o pensar, o dizer, o calar e o agir. É um silêncio carregado de sentido, uma fonte que não deixa nunca de correr... uma tempestade boa.

Aquele que quer ser feliz deve dar-se. Ser é amar e amar é dar-se. Ninguém pode ser nada se não na sua relação com os outros e com o mundo. O ser mais perfeito seria imperfeito se se fechasse em si mesmo e assim se reduzisse à sua própria individualidade. A vida é o dom de ser dom. Serve para se chegar à vida do outro. Para ser o que lhe falta... amando-o.

A felicidade só é possível quando compreendo que não preciso senão do essencial e resolvo libertar-me do que  me sobra.

É comum, que os mais generosos sejam aqueles que menos têm. Estes, são capazes de dar o devido valor à verdadeira carência, distinguindo de forma sábia o que é importante de tudo quanto apenas o parece ser. Na verdade, são bastantes os que, afortunados, vivem atormentados pela possibilidade de não só perderem o que têm, como ainda de não conseguirem o sempre muito que ainda sonham alcançar... nunca têm descanso, nem paz. Talvez nem saibam o que é o silêncio...

Só uma pessoa capaz de se dar, de se realizar, é feliz. Quem vive centrado em si , mesmo que passe o tempo a alimentar o seu egoísmo, nunca terá paz.

Prefiro dar. Ser quanto me chegue e ainda sobrar, antes assim do que ser um imenso desejo que tudo absorve dos outros sem retribuir. Um buraco negro que tudo a si atrai....capaz de fazer desaparecer estrelas... e como ao mal sucede sempre o mal... destrói e destrói-se.

Quem procura receber é, em si mesmo uma falta, uma carência, um desejo ardente que se consome. Há que aceitar o que os outros nos queiram dar, mesmo que seja a sua indiferença; uma coisa má é servir-se dos outros para os nossos projetos pessoais; o amor verdadeiro é gratuito e silencioso, enquanto o egoísta é interesseiro e barulhento.

Umas mãos vazias cheias de amor, dispostas a criar o que for preciso, são o melhor e mais belo presente que podemos dar a alguém!

Que as minhas mãos sejam de quem delas precisa. Que o meu silêncio seja um espaço onde o outro se encontre a si mesmo e descubra a sua paz.

Longa é uma vida cheia. Quando somos capazes de nos despreocuparmos, de nos descentrarmos de nós mesmos e das nossas necessidades, tornamo-nos mais capazes de ser felizes com o pouco que temos e somos.

A nossa verdade somos nós. A verdade é a presença. Aqui. Em silêncio.

Mas a verdade nunca chega a tocar quem não a quer aceitar. O silêncio é tantas vezes sentido como um vazio... quando é, afinal, a resposta que tanto procuramos.

Um silêncio é a mais bela forma de dizer o amor.

Para sermos anjos (e não é nada do outro mundo) basta que tenhamos a coragem de estar presentes, de acreditar que o silêncio pode dizer muito... e de escolhermos gestos simples que possam levar ao outro o essencial que lhe falta.

Presença. Silêncio. Simplicidade.

José Luís Nunes Martins

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