quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Croissants para Bento XVI

Foto: Quem vive na Casa Santa Marta garante que o clima é muito cordial e
bem-disposto. Mas os homens da segurança têm agora mais dores de
cabeça, porque a rotina não encaixa no "estilo Bergoglio" e, por isso,
nunca se sabe o que pode acontecer.

Há dias, durante o pequeno-almoço, o Papa não estava na sua mesa
habitual, nem em qualquer outro lado. Começou a gerar-se uma grande
agitação, com vários homens de fato escuro e agentes de segurança
enervados a passar revista a toda a casa. Onde estava o Papa? Por onde
se teria metido? Toda a gente foi interrogada, a casa passada a pente
fino, mas nada! Depois de uns valentes minutos de angústia,
descobriram-no finalmente. Bergoglio caminhava pelo jardim, com
passada decidida e um saco de papel na mão. Quando finalmente os
homens da segurança lhe falaram do susto devido à sua ausência
inesperada, Francisco riu-se e explicou que ia ao mosteiro Mater
Ecclesia, onde vive Bento XVI, levar-lhe uns croissants mornos,
"acabadinhos de fazer, como ele gosta".

É assim este Papa: terno e atencioso com todos. E tão depressa leva
bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não hesita em pegar no
telefone e dar os parabéns aos seus amigos e, se não atendem, deixa
afectuosos recados no voicemail do telemóvel. Dedica mais horas a
saudar, abraçar e beijar pessoas de todas as idades do que a falar e a
ler discursos. Preocupa-se sobretudo com o lado humano e concreto das
pessoas com quem se cruza, ao ponto de ter pedido à mãe de um bebé
acabado de beijar que lhe pusesse um chapéu porque tinha a cabeça
muito quente, ou ainda, no caso de um outro pequenino que chorava com
fome, devolveu-o à mãe para ela amamentar o bebé, mesmo ali, na Praça
de São Pedro! E como é um Papa "todo-o-terreno", tão preocupado com o
quotidiano da vida terrena quanto o é com a vida eterna e salvação de
cada um, a misericórdia é talvez a sua palavra preferida, porque
remete para a esperança e alegria.

Se pudesse, Francisco gostaria de abraçar todos, "com amor e ternura
como fazem as mães" – tal como explicou numa entrevista, arqueando os
braços como se segurasse um bebé – porque "é assim que deve ser a
Igreja: dar carinho, cuidar e abraçar". E não é este também o melhor
retrato de Francisco?

Quem vive na Casa Santa Marta garante que o clima é muito cordial e bem-disposto. Mas os homens da segurança têm agora mais dores de cabeça, porque a rotina não encaixa no "estilo Bergoglio" e, por isso,
nunca se sabe o que pode acontecer.

Há dias, durante o pequeno-almoço, o Papa não estava na sua mesa habitual, nem em qualquer outro lado. Começou a gerar-se uma grande agitação, com vários homens de fato escuro e agentes de segurança enervados a passar revista a toda a casa. Onde estava o Papa? Por onde se teria metido? Toda a gente foi interrogada, a casa passada a pente fino, mas nada! Depois de uns valentes minutos de angústia, descobriram-no finalmente. Bergoglio caminhava pelo jardim, com passada decidida e um saco de papel na mão. Quando finalmente os homens da segurança lhe falaram do susto devido à sua ausência inesperada, Francisco riu-se e explicou que ia ao mosteiro Mater Ecclesia, onde vive Bento XVI, levar-lhe uns  croissants mornos, "acabadinhos de fazer, como ele gosta".

É assim este Papa: terno e atencioso com todos. E tão depressa leva bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não hesita em pegar no telefone e dar os parabéns aos seus amigos e, se não atendem, deixa afectuosos recados no voicemail do telemóvel. Dedica mais horas a saudar, abraçar e beijar pessoas de todas as idades do que a falar e a ler discursos. Preocupa-se sobretudo com o lado humano e concreto das
pessoas com quem se cruza, ao ponto de ter pedido à mãe de um bebé acabado de beijar que lhe pusesse um chapéu porque tinha a cabeça muito quente, ou ainda, no caso de um outro pequenino que chorava com
fome, devolveu-o à mãe para ela amamentar o bebé, mesmo ali, na Praça de São Pedro! E como é um Papa "todo-o-terreno", tão preocupado com o quotidiano da vida terrena quanto o é com a vida eterna e salvação de cada um, a misericórdia é talvez a sua palavra preferida, porque remete para a esperança e alegria.

Se pudesse, Francisco gostaria de abraçar todos, "com amor e ternura como fazem as mães" – tal como explicou numa entrevista, arqueando os braços como se segurasse um bebé – porque "é assim que deve ser a Igreja: dar carinho, cuidar e abraçar". E não é este também o melhor retrato de Francisco?

Aura Miguel

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