quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Armada Voluntária de Estudantes




No mês passado passei alguns dias na cidade de Christchurch na Nova-Zelândia, uma cidade devastada por dois grandes terramotos num curto período de tempo. O centro da cidade era ainda uma paisagem severa – torres arruinadas e desintegradas, estradas largamente rasgadas, montanhas de cascalho e de metal dobrado. No entanto, um dos mais efectivos dispositivos de serviços de emergências e de limpeza foi assegurado por uma tropa de jovens, a “Armada Voluntária de Estudantes”, que foi reunida num milagroso curto período de tempo por tweets e mensagens de texto.
Todo o processo foi a inspiração de um estudante, Sam Johnson, que se deu conta da capacidade dos media electrónicos em fazer as coisas acontecer de uma forma rápida e efectiva. Disseram-nos que uma das recentes revoltas políticas no meio oriente foi possível apenas através deste tipo de contacto. Neste caso foi um simples acto de serviço prático levado a cabo sem espalhafato e com uma estrutura institucional mínima: uma lição do que podemos conseguir com os nossos recursos tecnológicos quando a nossa visão está clara.

O Sam actuou na confiança. Ele acreditou que se um apelo saísse as pessoas responderiam pois estava convencido que quando se pergunta a alguém em simples termos se querem ou não fazer do mundo um lugar mais humano e compassivo, a maior parte dirá que sim. Face a um terrível desastre, com quase duzentas pessoas a morrer e muitos desalojados, com uma cidade imobilizada, a pergunta era muito directa.

Confrontados com uma horrível catástrofe natural, muitos perguntam-se se podem confiar em Deus. Pode haver respostas teóricas, mas a resposta prática é que se pode confiar em Deus se nós respondermos com coragem e generosidade ao apelo de Deus através dos mais necessitados. E construímos a nossa própria confiança em Deus pensando nos que respondem desta forma, nos que mostram que essa efectiva, rápida e generosa compaixão é possível.

Se pudermos fortalecer a nossa convicção reflectindo sobre vidas e acções como esta, sentimos muito melhor que nós próprios podemos arriscar-nos ao convidar os outros a juntar-se a nós neste serviço, enviando talvez um convite pelos meios electrónicos dizendo “Vem e trabalha connosco, o mundo precisa que demos um sinal de confiança”.

No primeiro Natal, Deus enviou um convite na forma de uma vida humana, Jesus de Nazaré. Deus confiou na sua criação para responder. E mesmo quando a reacção foi de medo e ódio e conduziu Jesus à Cruz, Deus continuou a confiar que somos capazes de responder ao convite do amor, e nunca parou de nos chamar e nos incitar pelo seu Espírito. A nossa própria acção de confiança reflecte a confiança de Deus no mundo, e fluirá da liberdade, suportada pelo Espírito de Deus, de continuar a convidar os nossos companheiros homens e mulheres ao amor.

A história de Christchurch é uma lembrança que pequenos actos de confiança podem fazer uma grande diferença. Espero que o vosso encontro, as vossas orações e meditações aprofundem a vossa dependência na confiança de Deus na sua criação, mostrada pela dádiva da vida, morte e ressurreição de Jesus, e que vos ajude a arriscar a confiar que outros se juntarão no trabalho do Reino de Deus.
Com afeição e bênçãos sempre,

O Arcebispo de Cantuária, Dr Rowan Williams

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