sexta-feira, 8 de junho de 2012

Quando Bento XVI era pequeno














Menina de 7 anos pergunta a Bento XVI como é que era quando era pequeno

CRIANÇA:
Olá, Papa! Sou Cat Tien, venho do Vietname. Tenho 7 anos e quero apresentar a minha família. Ele é o meu papá Dan, e a minha mamã chama-se Tao, e ele é o meu irmãozinho Binh. Gostava muito de saber alguma coisa da tua família quando eras pequeno como eu.

PAPA:
Obrigado, amiga, e obrigado também aos teus pais. Bem, perguntas-me pelas recordações da minha família: são muitas! Gostava de dizer algumas coisas.

O ponto essencial para a família era para nós, sempre, o domingo, mas o domingo começa logo no sábado de tarde. O meu pai lia as leituras, as leituras do domingo, num livro muito difundido naquele tempo na Alemanha, onde também se explicavam os textos. Assim começava o domingo: entrávamos já na liturgia, numa atmosfera de alegria.

No dia seguinte íamos à Missa. Vivíamos numa casa perto de Salzburgo, por isso ouvíamos muita música - Mozart, Schubert, Haydn - e quando começava o Kyrie, era como se o céu se abrisse.

Depois, em casa era importante, naturalmente, o almoço juntos. Depois cantávamos muito: o meu irmão é um grande músico e já de pequeno compunha para todos nós, para que toda a família cantasse. O nosso pai tocava cítara e cantava. Todos esses são momentos inesquecíveis.

Depois, naturalmente, viajávamos e caminhávamos juntos, estávamos perto de uma floresta e caminhar na floresta era uma coisa muito bela, com aventuras, jogos, etc.

Numa palavra, éramos um só coração e uma só alma, com numerosas experiências comuns, também em tempos difíceis, porque vivíamos em tempos de guerra, antes da ditadura, e depois na pobreza. Mas este amor mútuo que havia entre nós, esta alegria também pelas coisas simples era forte, por isso podiam-se superar e suportar também essas dificuldades.

Parece-me que isto foi muito importante: que também as pequenas coisas nos tenham dado alegria, porque desse modo se expressava o coração do outro. Assim crescemos na certeza de que é bom ser um homem, porque víamos que a bondade de Deus se reflectia nos pais e nos irmãos.

E, para dizer a verdade, quando procuro imaginar um pouco mais como é que vai ser o paraíso, parece-me sempre que será como o tempo da minha juventude e da minha infância. Éramos felizes neste contexto de confiança, de alegria e de amor, e penso que no paraíso deveria ser semelhante a como foi a minha juventude. Nesse sentido, espero "voltar a casa", dirigindo-me para "a outra parte do mundo".

1 comentário:

  1. UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ ALMA

    "Parece-me que isto foi muito importante: que também as pequenas coisas nos tenham dado alegria, porque desse modo se expressava o coração do outro"..

    a mim também me parece importante, mesmo muito
    atendermos ás pequenas coisas,
    a esses detalhes que sempre nos transformam e onde mais importa isso aconteça: no nosso coração, alentando-nos e protegendo-nos, e nesse circunstancialismo, ousaremos darmo-nos num simples abraço..

    e como isso se manifesta relevante sobretudo no acreditarmos que há esperança num amanhã melhor

    porque nessa esperança perseveramos na Fé e na alegria indispensáveis ao nosso melhor provir..

    de "um só coração e uma só alma"
    seja na família,seja em Comunidade

    dulce ac

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