terça-feira, 24 de abril de 2012

A incoerencia da verdade

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Há em cada coisa um pedaço de tudo. Em cada detalhe, uma harmonia. No mundo em que vivemos, com a inteligência de que somos capazes, é preciso aprender que o sentido da vida pode não caber na nossa cabeça. Existem coisas que não compreendemos porque a sua razão é mais complexa do que aquilo que conseguimos abarcar.

É sábia a ignorância que não se empina, mas se anula, abrindo espaço para que os significados mais profundos possam descobrir-se.

A coerência pode funcionar como um sinal inequívoco da falsidade. A verdade é de uma ordem diferente daquilo que faz sentido ao espírito humano. Quando numa história tudo encaixa perfeitamente, o mais provável é que existam por ali mentiras a tapar os pedaços do incompreensível. A imperfeição funciona como a marca da autenticidade, quando admite o espaço que a humildade deve reservar ao que nos ultrapassa.

Por vezes, por desconhecermos as nossas motivações, criamos narrativas ficcionadas que parecem explicar as nossas emoções e decisões, e isto sem darmos conta de que estamos a mentir a nós mesmos. É, nalguns casos, tão recorrente, que chegamos a tomar a vida do personagem pela nossa própria... e tudo isto por simples falta de humildade para lidar com o que realmente somos... e que não nos é dado compreender quando queremos.

Sem que possamos perceber porquê, por vezes a verdade, que entre nós viaja incógnita, descobre-se – a si mesma. Nós quase nunca estamos atentos, e quando estamos, deslumbrados tentamos tocar-lhe... sem perceber que somos nós que devemos esperar ser tocados por ela.

Investigador

1 comentário:

  1. "Sem que possamos perceber porquê, por vezes a verdade, que entre nós viaja incógnita, descobre-se – a si mesma.

    Nós quase nunca estamos atentos, e quando estamos, deslumbrados tentamos tocar-lhe... sem perceber que somos nós que devemos esperar ser tocados por ela."..

    Grande coerência encontro nestas palavras, na incoerência da verdade, de nos reconhecermos na imperfeição de que somos feitos..

    Muito, mas mesmo muito boa esta reflexão à nossa vida.
    Obrigado, Padre Nuno.

    dulce ac

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