domingo, 13 de novembro de 2011

A mulher


"Quem poderá encontrar uma mulher virtuosa? O seu valor é maior que o das pérolas. Nela confia o coração do marido e jamais lhe falta coisa alguma. Ela dá-lhe bem-estar e não desventura, em todos os dias da sua vida. Procura obter lã e linho e põe mãos ao trabalho alegremente. Toma a roca em suas mãos, seus dedos manejam o fuso. Abre as mãos ao pobre e estende os braços ao indigente. A graça é enganadora e vã a beleza; a mulher que teme o Senhor é que será louvada" (Prov 31, 10-31).

"É curioso notar que, neste dia em que a Palavra de Deus nos exorta a trabalhar, a fazer render os nossos dons, nos apresente como modelo de trabalho, empenho e dedicação a mulher.

«Nas mulheres podem-se encontrar quatro qualidades: são gu-losas, curiosas, preguiçosas e ciumentas. São também choramingonas e tagarelas». Assim se exprimiam os rabis do tempo de Jesus e, meio a sério meio a brincar, acrescentavam: «Quando Deus criou o mundo, tinha à disposição dez cestos de palavras; as mu¬lheres ficaram com nove e os homens com um.»

Gracinhas (muitas vezes infelizes) sobre as mulheres encon¬tram-se em provérbios de todos os povos, e não é de admirar que se encontrem também nos livros da Bíblia. Há textos do Antigo Testamento nos quais a mulher aparece como sedutora, tagarela, ciumenta, curiosa, vaidosa (Eclo 25, 13-26; 26, 1-27); são um reflexo da mentalidade da época.

A leitura de hoje propõe um trecho no qual, pelo contrário, se faz o elogio da mulher. Numa época em que a mulher pouco mais era do que um dos muitos objectos do marido, o livro dos Provérbios, exalta-a à dignidade de pessoa humana. Afirma que a mulher perfeita tem um valor inestimável: comparadas com ela, as pérolas mais valiosas são desprezíveis (v. 10). Quem encontra uma mulher assim, encontra um verdadeiro tesouro.

Esta leitura vem-nos recordar que por trás do dom da vida há sempre uma outra vida que se conjuga no feminino; na vida de Jesus está a Virgem Maria; nas nossas vidas está a «mulher» que chamamos mãe.
A leitura parece querer dizer à mulher que seja mulher no silêncio misterioso da sua maternidade; que seja autêntica mulher para que saiba ser autêntica esposa e verdadeiramente mãe. Que saiba dizer sim à vida, pondo a render os talentos que o Senhor lhe confiou.

Num tempo em que a mulher era pouco considerada, é espantoso o elogio da mulher trabalhadora do Livro dos Provérbios. Grande e ousado o risco da Escritura em apresentar a mulher como modelo de trabalho e de dádiva! E quantos medos ainda persistem em reconhecê-lo, dentro das paredes de casas e instituições, longe e perto de nós?! Quem não aprendeu e cresceu na alegria de dar com as nossas mães, com as mulheres das nossas vidas? Não só a dar mas a darmo-nos, com o enlevo de quem gera vida nova e a oferece ao mundo?

Não dever ter sido por acaso que foram servos e não servas quem recebeu os talentos da parábola. Talvez pelas dificuldades ou pela capacidade de alargar o coração, dificilmente uma mulher enterraria o talento recebido!".

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