segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Seremos civilizados?


Vivemos num mundo onde morrem de fome mais de 30 000 crianças por dia. Não se trata de uma doença complexa. A sua prevenção e tratamento são conhecidos desde a pré-história! Tudo mudaria se o cidadão inteligente e consciente, como imagino o leitor destas linhas, se obrigasse a agir em favor de quem, seu igual, neste momento vive numa privação de bens essenciais.

Há pobreza e fome em Portugal. A economia, que devia ser a gestão dos recursos de acordo com valores como a justiça, a solidariedade e a paz (aquela de quem se pode dar ao luxo de se preocupar com outras questões que não a mera sobrevivência), acaba sempre por se materializar como uma forma mais ou menos eficaz de perpetuar uma sociedade desigual, onde o que importa é gerir uns tantos valores que se acredita estarem acima do da dignidade humana.

Na mundo de hoje, cada um só pensa em si mesmo e vê-se a pobreza como um inferno pessoal que se deve evitar a todo o custo, mas nunca a do outro, dado que vivemos sempre e só na primeira pessoa – do singular. Do outro, no limite, temos pena. Mas pena não chega; não fazer nada por quem de nós precisa é e será sempre uma monstruosidade.

A humanidade, o amor e a felicidade não se cumprem com declarações, exigem obras. Os mais pobres são quase sempre generosos uns com os outros, talvez porque se dão conta de que aquilo de que o seu próximo necessita para sobreviver não lhes faz falta.

Investigador

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