sábado, 12 de março de 2011

Testamento espiritual de Shahbaz Bhatt



O legado espiritual de Shahbaz Bhatti, ministro cristão do Pakistão, assassinado a 2 de Março de 2011

Chamo-me Shahbaz Bhatti. Nasci numa família católica. O meu pai era um professor reformado e minha mãe uma dona de casa, educaram-me de acordo com os valores cristãos e os ensinamentos da Bíblia. Estas duas coisas tiveram uma grande influência na minha infância.

Desde criança que costumava ir à igreja e aí encontrava profunda inspiração nos ensinamentos, no sacrifício e na crucifixão de Jesus. Foi o amor de Jesus Cristo que me levou a oferecer os meus serviços à igreja. As terríveis condições em que viviam os cristão do Pakistão causaram um grande impacto em mim.

Lembro-me de uma sexta-feira Santa, quando tinha 13 anos, em que ouvi um sermão sobre o sacrifício de Jesus para nossa redenção e salvação do mundo. Pensei que devia corresponder a esse amor, amando os meus irmão e irmãs, pondo-me ao serviço dos cristãos, especialmente dos pobres, dos necessitados e dos perseguidos que vivem neste país islâmico.

Pediram-me que ponha fim à minha luta, mas sempre me neguei, ainda que com risco da minha vida. Minha resposta foi sempre a mesma. Não procuro popularidade nem posição de poder. Procuro somente um lugar aos pés de Jesus. Quero que a minha vida, o meu carácter e as minhas acções falem por mim e que digam claramente e com força que sigo a Jesus Cristo.

Este desejo é tão forte em mim que me consideraria um privilegiado se, devido a este esforço combativo para ajudar os necessitados , os pobres e os cristãos perseguidos de Pakistão, Jesus quisesse aceitar o sacrifício da minha vida.

Quero viver em Cristo e morrer n’Ele. Não sinto medo neste país. Os extremistas tentaram muitas vezes matar-me, encarcerar-me; ameaçaram-me, perseguiram-me e aterrorizaram a minha família. Eu digo apenas que, enquanto estiver vivo, até ao meu último suspiro, continuarei a servir Jesus e esta pobre e sofredora humanidade, os cristãos, os necessitados, os pobres.

Creio que os cristãos de todo o mundo que em 2005 estenderam as mãos aos muçulmanos vítimas do terramoto, construíram uma ponte de solidariedade, amor, compreensão, colaboração e tolerância entre as duas religiões. Se estes esforços se mantiverem tenho a convicção de que ganharemos os corações e as mentes dos extremistas. Isto levar-nos-á a uma mudança positiva: as pessoas não mais se odiarão, não se matarão em nome da religião mas amar-se-ão uns aos outros, trarão harmonia, cultivarão a paz e a compreensão nesta região do mundo.

Creio que os mais necessitados, qualquer que seja a sua religião, devem ser tratados, sobretudo, como seres humanos. Estas pessoas são parte do meu corpo em Cristo, são a parte perseguida e necessitada do Corpo de Cristo. Se levarmos a cabo esta missão, então teremos ganho um lugar aos pés de Jesus e eu poderei olhar o seu rosto sem sentir vergonha.
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