domingo, 26 de julho de 2009



Podemos pensar que entre os verbos “comer” e “orar” seria o segundo o mais frequente na Bíblia. Pois estamos enganados; o verbo “comer” é um dos que aparece mais frequentemente na Bíblia (mais de mil vezes!), enquanto que “orar” aparece apenas uma centena de vezes. Esta será certamen­te uma constatação surpreendente para quem julga que a religião só se deve interessar pelo espírito. Pelo contrário, a Escritura diz-nos que a fome do pobre é um problema que tem muito a ver com a opção de fé.

A grande preocupação de um pai e de uma mãe é sempre se os seus filhos se andam a alimentar bem. Não é o que, quase sempre, a vossa mãe (como a minha) acaba por perguntar? E se a Bíblia fala logo no início de uma refeição de Adão e Eva que “deu para o torto”, passa o resto das páginas a mostrar como as refeições são momentos de festa e de encontro, de partilha e de compromisso, entre as pessoas e com o próprio Deus, até culminar na mesa da Ceia da Páscoa de Jesus prolongada em todas as missas do mundo.

Jesus escandaliza-se com a fome corporal das multidões. Procura saciar primeiro essa fome. E aponta-nos um caminho: não adianta pregar a estômagos vazios; se o evangelho não muda o modo de nos relacionarmos com os bens em ordem à partilha e ao desenvolvimento, não é “Boa nova”; se o encontro com Jesus não implica preocupação por quem tem fome ou sede (de pão, de água, e de tantos outros “pães” e “águas” que têm nome de presença e de amor), é preciso ver que “Jesus” é esse!
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