domingo, 3 de maio de 2009

Obrigado, mãe!



Obrigado porque tiveste na tua vida um lugar para a minha vida, renunciando a tantas coisas boas que poderias ter saboreado. Porque – mais do que isso – fizeste da tua vida um lugar para a minha. E de muitas maneiras morreste para que eu pudesse viver.
Porque não eras corajosa, mas tiveste a coragem de embarcar numa aventura que sabias não ter retorno.
Porque não fizeste as contas para avaliar se a minha chegada era conveniente: abriste simplesmente os braços quando eu vim.
Porque não só me aceitaste como era, como estavas disposta a aceitar-me fosse eu como fosse. Porque dirias "o meu filhinho" mesmo que eu tivesse nascido deformado e me contarias histórias ainda que eu tivesse nascido sem orelhas. E me levarias ao colo mesmo que eu fosse leproso. E, mesmo com tudo isso, me mostrarias com orgulho às tuas amigas. Porque seria sempre o teu bebé lindo.
Devo-te isso porque, embora não tenha acontecido, sei que o farias.
Obrigado porque não tiveste tempo para visitar as capitais da Europa. Porque as tuas amigas usavam um perfume de melhor qualidade que o teu. Porque, sendo mulher, chegaste a esquecer-te de que havia a moda.
Porque não te deixei dormir e estavas sorridente no dia seguinte. Porque foste muitas vezes trabalhar com manchas de leite na blusa. Porque me sossegaste dizendo "não chores, filho, que a mãe está aqui", e estar no teu regaço era tão seguro como dormir na palma da mão de Deus.
Obrigado porque é pensando em ti que posso entender Deus.
Obrigado porque não tiveste vergonha de mim quando eu fazia birras nos museus, ou me enfiava debaixo da mesa do restaurante porque queria comer um gelado antes da refeição. E porque suportaste que eu, na adolescência, tivesse vergonha de que os meus amigos me vissem contigo na rua.
Obrigado porque fizeste de costureira e aprendeste a fazer bolos. Porque fizeste roupas e máscaras para as festas da escola. Porque passaste uma boa parte dos fins de semana a ver jogos de rugby ou de futebol para que – quando eu perguntasse "viste-me, mãe, viste-me?" – pudesses responder com sinceridade e orgulho "é claro que te vi!".
Obrigado por o teu coração ser do tamanho de me teres dado irmãos. Como eu seria pobre se não os tivesse!
Obrigado pelas lágrimas que choraste e nunca cheguei a saber que choraste.
Obrigado porque me ralhaste quando me portei mal nas lojas, quando bati os pés com teimosia, quando "roubei" batatas fritas antes de o jantar estar servido, quando atirei a roupa suja para um canto do quarto. Obrigado por me teres mandado para a escola quando não me apetecia e inventava desculpas. E por me teres mandado fazer tarefas da casa que tu farias bem melhor e muito mais depressa.
Obrigado por teres mantido a calma quando eu num dia de chuva fui consertar a bicicleta para a cozinha, ou quando arranjei uma namorada de cabelo verde...
Obrigado por teres querido conhecer os meus amigos, e por todas as vezes que não me deixaste sair à noite sem saberes muito bem com quem ia e onde ia.
Obrigado porque eu cresci e o teu coração parece ter também crescido. Porque me deste coragem. Porque aprovaste as minhas escolhas, e te mantiveste a meu lado apesar de ter passado a haver a distância. Porque levantas a cabeça – mesmo sabendo que eu estou muito longe – quando vais na rua e ouves alguém da multidão chamar: "mãe!".
Obrigado por guardares como tesouros os desenhos que fiz para ti na escola quando era, como hoje, o Dia da Mãe. E por ficares à janela a ver partir o carro, quando me vou embora, comovendo-te com os meus sinais de luzes.
Obrigado – já agora... – por não teres esquecido quais são os meus pratos favoritos; por o sótão da tua casa poder ser uma extensão do sótão da minha casa; por teres ainda no mesmo lugar a lata dos biscoitos...
Como não agradecer-te, mãe, se é tanto o que és o que ofereces e o que semeias no meu ser?
Dizer “obrigado” é pouco, mas dizer-te “obrigado” é tudo o que resta quando tudo já tiver sido dito.
Na pobreza dos gestos, e na fragilidade das palavras, nada mais me ocorre que este “obrigado”.
É pequeno, mas é profundo, caloroso e sincero.
Entrego-o no colo de Maria, a Mãe de Jesus, a Mãe das mães.
Que ela te abençoe e proteja!
Que ela te conforte e compense por tudo quanto fazes, e por tudo quanto és, minha terna e querida mãe!

5 comentários:

  1. MÃE


    Mãe
    amada minha
    que me tem
    na conta do crescer
    neste vaivém
    galope
    eterno retorno és
    sem ter desdém
    amor que se me aflige
    é meu bem

    ( in A Música das Palavras )


    Jaime Latino Ferreira
    Estoril, 3 de Maio de 2009

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  2. A MÃE

    É a beleza da canção da Terra
    O ser perfeito
    Das profundezas do mar
    Uma galáxia perdida
    Uma molécula de vida
    A casa onde se torna
    Quando esfria
    Um tempo de verbo amar

    Manuela Baptista

    Para a Mãe do Padre Nuno, para todas as Mães da Terra e pelas que regressaram já à Casa do Pai.

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  3. Padre Nuno
    Gostei muito das bonitas palavras que escreveu à sua mãe. De certeza que foi um presente maravilhoso que ela recebeu.
    Como sabe tenho dois filhos muito queridos e que também hoje me deram tanta alegria com as palavras e gestos carinhosos, recordando algumas situações tão divertidas da nossa vida.
    Para uma mãe é muito bom receber o amor dos nossos filhos, porque mesmo que isso não acontecesse, tenho a certeza que a grande maioria das mães, não deixariam de amar profundamente os seus filhos. Hoje pensei muito naqueles que não têm mãe e são milhões por esse mundo fora, especialmente as crianças e adolescentes para quem, uma mãe faz muita falta.
    Confio que Maria a Mãe de toda a Humanidade, acolhe em seu Coração Imaculado todas estas pessoas que sentem tristeza por já não terem a sua mãe junto delas.
    Eu tenho a sorte de ainda ter mãe, apesar dos seus 90 anos tão magníficos.
    Engraçado pois foi ela a primeira a telefonar-me, a dar os parabéns por ser mãe.
    Um abraço. Isabel

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  4. Muito obrigada digo eu pelos filhos que tenho.
    Deus abencoou-me grandemente. Nao posso queixar-me pois foram sempre filhos obedientes e bem comportados. Algumas manias na adolescencia...mas e proprio da idade.
    Nao consegui dar-vos muito do que queria, mas dei todo o meu amor e penso que vos ensinei o melhor...amar a Deus, a serem honestos e a saberem respeitar o proximo.
    Que Deus vos guarde sempre e muito vos abencoe.
    AMO-TE MUITO

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  5. Sabem quando os filhos andam assim bem vaidosos e inchados? Pois podem imaginar-me assim!

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