quinta-feira, 28 de maio de 2009

Embora seja noite



Bem eu sei a fonte que mana e corre
mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
mas eu bem sei onde tem sua guarida,
mesmo de noite.

Sua origem não a sei, pois não a tem,
mas sei que toda a origem dela vem,
mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
e que os céus e a terra bebem dela,
mesmo de noite

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
e que ninguém pode nela a vau passar,
mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
e sei que toda a luz dela é nascida,
mesmo de noite

Sei que tão caudalosas são suas correntes,
que céus e infernos regam, e as gentes,
mesmo de noite.

A corrente que desta fonte vem
é forte e poderosa, eu sei-o bem,
mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
sei que nenhuma delas a precede,
mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida
neste pão vivo para dar-nos vida
mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
que nela se saciam às escuras,
porque é de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
neste pão de vida já a vejo,
mesmo de noite»


S. João da Cruz

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1 comentário:

  1. MESMO DE NOITE


    Mesmo de noite
    O Verbo irriga
    É açoite

    Mesmo de noite
    Como eterno estremunhar
    Ele nos diz para acordar

    Mesmo na noite
    Pão o é e alimento
    É nosso eterno invento

    É a Palavra sustento
    Nosso eterno condimento
    Mesmo de noite o sustento

    Açoite o é
    Acordar
    É a vontade de amar


    Jaime Latino Ferreira
    Estoril, 28 de Maio de 2009

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