quarta-feira, 22 de abril de 2009

A mentira



PARA OS CRISTÃOS,
A PÁSCOA SIGNIFICA QUE SE PODE TENTAR
ESCONDER A VERDADE NUMA SUPULTURA
MAS QUE ELA SEMPRE SE LIBERTARÁ!!

A este propósito, gostaria de partilhar convosco o texto que recebi há dias:

Costuma dizer-se que Deus perdoa sempre, o homem perdoa às vezes, e a Natureza nunca. Há sabedoria no dito. Quer dizer que o mal tem sempre consequências funestas, ainda que haja arrependimento, perdão, e até inconsciência ou boa intenção em quem o comete. O pecado, além de ser uma ofensa a Deus ou ao próximo (e mesmo não sendo pecado propriamente, por inconsciência ou ignorância), é um erro, e tem sempre efeitos nocivos em nós e nos outros.

Já que entramos em Abril, com o seu dia de enganos, veja-se o que nos aconteceu: uns sabendo o que faziam, outros não, enchemos de falsidade a vida económica. Por mais que nos perdoemos uns aos outros, os efeitos são calamitosos. Há dias Sarsfield Cabral disse-o muito sucintamente: «Só a verdade produz confiança» («Público», 16-03-09). A mentira é um mal justamente porque, sem confiança mútua, não nos entendemos; a vida social torna-se caótica. E é uma ofensa a Deus, porque Deus é a Verdade e nos fez à sua imagem. Por isso, além de desobedecermos ao Criador, faltando à verdade, degradamo-nos como homens, e degradamos a sociedade.

Mas o pior não é o pecado, porque tem perdão, e pode aproveitar-se para melhor conhecimento próprio (da fraqueza humana) e recomeço mais sério, mais realista, da nossa vida. O pior seria não nos darmos conta do pecado; e, já que falamos de mentiras, o pior seria não reconhecê-las como tal. Os casos abundam. Muito mais grave do que as «acções tóxicas» é, por exemplo, a mentira sobre o próprio homem, quando se convenciona que um embrião ou um feto ainda não são pessoas humanas. Ou que se pode «interromper» uma gravidez. Ou que cada um tem direito a dispor da sua vida, porque é sua… Mentira evidente: ninguém é apenas «seu», primeiro porque não se criou a si mesmo; depois, porque também é dos pais, dos irmãos, dos amigos, do seu país, e do mundo inteiro, aliás, que «investiu» nele riquezas incalculáveis, e tem direito a ser retribuído…

Se a mentira sobre o dinheiro provocou tanta miséria, a mentira sobre o próprio homem e sobre a família é desgraça muito maior, que a Natureza «não perdoa». Que será preciso para o reconhecermos e arrepiarmos caminho?
Pe. Hugo de Azevedo
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1 comentário:

  1. HUMILDADE


    É precisa a humildade bastante que dê para ver na interpelação que nos chega e que se for no sentido da verdade, porque ela não abarca nunca a verdade toda (!), transmite, no entanto a confiança deficitária e suficiente que nos desinstale e que a todos tente englobar na universalidade que permita um renascido, global e prometedor impulso!


    Jaime Latino Ferreira
    Estoril, 22 de Abril de 2009

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