domingo, 1 de março de 2009

Corar de vergonha



Metade da comida que actualmente se produz no mundo é desperdiçada. Não fosse assim e não só chegaria para alimentar a totalidade da população mundial como aquela que se prevê venha a existir em 2050.

Para os católicos de todo o mundo, começa hoje a Quaresma. Um tempo especial de preparação para a Páscoa. A grande festa do Cristianismo.
Para estes mais de mil e cem milhões, esta Quarta-feira ficará marcada pela prática do jejum. Mas, se para a maior parte dos cerca de 280 milhões que habita na Europa, um dia de privação voluntária de alimentos será, sobretudo, razão para dar graças pela sua abundância, nos restantes dias do ano, para a quase totalidade dos 150 milhões que habita em África, o mais provável é que este seja apenas um dia com a mesma fome de outro qualquer…

Apesar de trinta anos de progressos - segundo o Banco Mundial - há ainda hoje mais de mil e 400 milhões de pobres que vivem com pouco mais de um dólar por dia.
Um estudo da ONU revelou-nos, esta semana, um dado ainda mais chocante: metade da comida que actualmente se produz no mundo é desperdiçada. Não fosse assim e não só chegaria para alimentar a totalidade da população mundial como aquela que se prevê venha a existir em 2050. Para isso, bastava que se aumentasse a eficiência na cadeia alimentar e se combatesse o desperdício.

Um terço do leite produzido nunca é bebido. Um quarto da produção americana de frutos e vegetais apodrece na distribuição. Metade do lixo dos aterros australianos é constituída por restos alimentares. Um terço dos alimentos comprados na Grã-Bretanha nunca é ingerido.

Em tempos de crise, um mundo assim devia fazer-nos corar de vergonha. Basta querer para mudar.
Graça Franco


Uma vez que não está ao nosso alcance resolver os grandes problemas, é sempre mais fácil apontar o dedo aos outros, chamá-los à responsabilidade, reinvidicar soluções que os outros têm de tomar… E nós?

O momento presente exige da nossa parte uma ajuda silenciosa, discreta, de pessoa a pessoa, de vizinho a vizinho…

Discretos mas vigilantes. E se ajudarmos, à nossa volta, em tudo o que pudermos, disse D. José Policarpo, manifestamos assim a nossa esperança de conversão.

Uma esperança maior do que muitas medidas por aí apregoadas.
Aura Miguel
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3 comentários:

  1. P.Nuno!Concordo que cada um de nós deveria fazer a sua parte,mas lhe pergunto,os que acumulam fortunas,que não levarão a lugar algum,não deveriam seguir o exemplo de Jesus que só tinha uma veste,um cajado e um par de sandálias?Não levava dinheiro,não acumulava bens e nem se preocupava em abastecer a despensa,Quando se alimentava era com o que a natureza lhe fornecia.

    Será que estou errada?

    Com respeito,um beijo!Sonia Regina.

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  2. Julgo que este tempo de crise, que ainda está no começo, será também um tempo em que os cristãos poderão e deverão pôr em prática o verdadeiro mandamento de «amar os outros como a si mesmo».

    Já há e vai haver muita fome, muitas necessidades é portanto o tempo dos cristãos dividirem com os outros o que têm, muito ou pouco.

    Se eu tenho dois pães e o meu vizinho não tem nenhum, que eu fique apenas com um para dar o outro ao meu vizinho.

    Assim, com certeza um dia, também se escreverá como já foi escrito:
    «Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.» Act 2, 46-47

    Abraço em Cristo

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  3. Comungo do mesmo ideal. Que São Martinho nos sirva de inspiração.

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