domingo, 17 de janeiro de 2016

Louvado sejas



Louvado sejas por este dia
Que encheu o meu cálice de alegria
E salgou o meu pão com amor. 

Louvado sejas pelos reencontros que abraçam, 
Pelas conversas que alimentam
E pelas pessoas que dão à vida sabor. 

Louvado sejas pelas gargalhadas,
Melodias de vidas partilhadas,
Que só um coração que se dá sabe compor. 

Louvado sejas pelas estrelas que brilham,
Pelos olhares que nos iluminam 
E que nos fazem querer ser mais e melhor. 

Louvado sejas pela felicidade
Concretizada na amizade 
E alicerçada no amor.

Louvado sejas pelas crianças,
Promessa de um futuro cheio de esperanças
E fruto de uma história de amor. 

Louvado sejas por cada lição 
Que aprendemos com o ritmo descompassado do coração
E que, ainda que traga lágrimas e dor,
Louvado sejas por mais este dia, Senhor. 

Raquel Dias

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Desabafo pastoral de um "Timóteo"


É particularmente preocupante ver pastores cansados, desmotivados e com vontade de desistirem do ministério.
Quase ninguém imagina o que eles passam... Horas a estudar para poderem pregar, investem muito tempo em oração pelas pessoas, estão disponíveis para resolverem problemas seja a que horas for, têm que tomar também decisões que são incompreensíveis pelas pessoas até pela confidencialidade pastoral que lhes é exigida, têm pouco tempo para a família, não sabem o que é terem um fim-de-semana livre de preocupações sem ser nas suas férias, têm um dia de folga quando todos os outros membros da família estão fora de casa, fazem desafios à Igreja e poucos ou nenhuns respondem afirmativamente.
Além disto, ouvem algumas barbaridades como “só vai para o ministério quem quer ganhar dinheiro”, ou então “só vai para pastor quem não sabe fazer mais nada na vida”. As pessoas não imaginam o que custa ouvir dizer isso.
Os pastores são pastores por vocação e não por profissão!
Acreditem meus amigos, quem “aguenta” ser pastor, certamente suportará qualquer outra actividade no nosso país.
Quando os pastores estão desmotivados, em depressão, ou até em esgotamento, certamente as comunidades irão ressentir-se.
Um dia ouvi alguém dizer “Se o pastor estiver desmotivado, a Igreja ficará “morta”. Se a Igreja estiver desmotivada, o pastor ficará “morto”.
Temos de orar mais pelos pastores, motivá-los cada vez mais a pregarem a Palavra e a honrá-los.
Temos de ter cuidado na forma como falamos com eles, porque apesar de poderem responder muitas vezes com um sorriso, depois vão para casa em grande sofrimento. E a família dele ressente-se disso.
Há certos gestos e palavras que têm um alcance enorme. Dou apenas três exemplos pessoais que foram bastante importantes…
1º Num dia em que estava mesmo abatido, uma pessoa simplesmente olhou para mim e abraçou-me dizendo "estou a orar pelo meu pastor".
2º Noutra altura, também difícil no ministério, várias pessoas vieram ter comigo e com a minha mulher e disseram “Nós estamos a orar por vocês. Nunca se esqueçam disso”.
3º Ouvir numa reunião de oração um irmão dizer “temos de orar pelo pastor. Certamente ele está a viver muitas lutas, pois vive as suas lutas pessoais e também as nossas". Creio que foi a cura de Deus que eu estava a precisar naquele momento.
Depois deste enorme texto, deixo apenas um versículo para reflexão…
“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” Hebreus 13:17.
Por fim, quero dizer que dou graças a Deus pela Igreja que eu pastoreio. Tem sido uma bênção crescermos juntos e vermos aquilo que Deus tem feito na vida do Seu povo."

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

No coração do Amante divino



«Se a ovelhinha soubesse 
quanto amor arde por ela 
no coração do Amante divino 
não tornaria difícil a tarefa 
àquelas doces mãozinhas de Jesus, 
que desejam abraça-la 
e lançar-se-ia por si, 
nos Seus braços amorosíssimos.» 

Beata Maria Cândida da Eucaristia | 1884 - 1949
Novenas, Pensamentos e Poesias. 27

Jesus Menino,
como é desconhecida
à maior parte dos teus irmãos,
a largura, a profundidade,
a altura do amor
que arde no Teu coração
por cada um deles,
por cada um só!
Se o soubesse morreria de alegria!
E contudo vivo tantas vezes nesta vida
sem estar consciente deste amor
que se derrama como um oceano
sobre mim continuamente.
Não Te vejo, Senhor,
não me falas
e quando os meus sentidos Te não sentem,
esquecem…
Jesus Menino,
ajuda-me a viver de fé,
sem precisar dos sentidos,
mas apoiado na Tua Palavra
e nos sacramentos.
Então nascerão em mim sentidos novos
que em toda a parte Te verão
e Te sentirão vivo.
Assim seja!

sábado, 9 de janeiro de 2016

O regresso é sempre outro caminho

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De cada vez que caímos ficamos mais perto dos que são como nós. São as nossas fraquezas que nos enobrecem se formos capazes de as reconhecer e de lutar contra elas... qualquer que seja o resultado, o nosso coração fica mais forte e mais belo sempre que nos abrimos ao outro e regressamos com ele para junto de nós.

Ninguém faz duas vezes o mesmo caminho. Ninguém cai duas vezes da mesma forma...

Depois das quedas temos de escolher de que memórias nos queremos lembrar. Daquelas em que caímos ou daquelas em que nos levantámos e nos fazem levantar. Bons não são os que não caem, mas aqueles que se levantam sempre.

O sorriso é o gesto interior de quem que se levanta apesar das suas dores. A alegria serena é a prova de uma vida que é inteira com todas as suas fragilidades.

É nas coisas pequenas que devemos ser grandes… tal como é nas maiores que devemos ser humildes, sem nunca deixarmos de ser... fortes, elevados por uma força que experimentamos, mas não é nossa.

Importa que não nos julguemos maiores do que ninguém. Por mais trágicas que sejam as suas quedas. Quando caímos, juntamo-nos ao pó que nos lembra de onde viemos... mas só quem aceita o pó que é, se faz leve a ponto de poder chegar ao céu.

José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Tu manifestas a misercórdia



Para uma espiritualidade da misericórdia

Quando te sentes chamado a seguir Jesus,
a anunciá-lo e a fazer ressoar em ti
o canto novo vindo do alto:
«Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens» (cf. Lc 2,14);
Quando vives a fé na tua família,
na comunidade cristã
e no mundo concreto e real
que te é oferecido como dom;
Quando te dedicas a cada um e a cada uma
daqueles que te são confiados
para guiares no caminho da humanidade e da fé;
Quando amas com o amor entranhado
de mãe, de pai, de irmão, de próximo
de todos os que te rodeiam;
Quando te compadeces da pessoa humana
na sua fragilidade,
sabendo que cuidas do mais sagrado que existe em cada um,
da possibilidade de abrir o coração à manifestação da vida;
Quando realizas o teu trabalho,
no silêncio da oração e do estudo,
na relação com o grupo de catequese e com os pais,
com dedicação desmedida e espírito de entrega;
Quando semeias a esperança,
no meio do fracasso e da desilusão,
até quando parece que a tua luta é inglória;
Quando falas, ris, olhas, choras e abraças
o caminho que fazes com os outros;
Quando corres o risco de sair,
de procurar, de chegar onde Deus te espera;
Quando convertes a Igreja em casa e lugar da misericórdia
e sentes no teu coração o desejo de a manifestar a todos;
Aí e sempre manifestas a misericórdia…
Que neste Natal te sintas alcançado
pela manifestação da misericórdia de Deus
presente no presépio de Belém.


Padre Tiago Neto, 
diretor do Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Eu vejo porque creio



"Eu não creio porque vejo; eu vejo porque creio!"
"DEUS É UM CAVALHEIRO"
"Da boca dos pequeninos e das crianças sai o louvor perfeito" (Mt 21, 16)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Perguntas de Ano Novo


 
Hoje começamos um “novo ano”. Como será? Que espero eu do novo ano? O que é que desejo de verdade? O que é que eu preciso? A que posso eu dedicar o meu tempo mais precioso e importante? O que é que seria algo realmente novo e bom neste ano que hoje começa?

Viverei de qualquer modo, passando de uma ocupação para outra, sem saber exactamente o que quero nem para o que vivo ou aprenderei a distinguir o importante e essencial do que é secundário? Viverei de forma rotineira e aborrecida ou aprenderei a viver com espírito mais criativo?

Continuarei este ano a afastar-me de Deus ou vou começar a procurá-l’O cm mais confiança e sinceridade? Seguirei mais um ano mudo diante de Deus, sem abrir os meus lábios nem o meu coração ou finalmente brotará da minha alma maltratada uma invocação pequena, humilde mas sincera?

Viverei também este ano preocupado apenas com o meu bem-estar ou saberei preocupar-me, pelo menos de vez em quando, em fazer os outros felizes? De que pessoas me aproximarei? Semearei nelas a alegria ou contagiarei desalento e tristeza? Por onde eu passar, será a vida mais amigável e menos dura?

Será que vai ser mais um ano dedicado a fazer coisas e mais coisas, acumulando egoísmo, tensão e nervosismo ou terei tempo para o silêncio, o descanso, a oração e o encontro com Deus? Vou isolar-me nos meus problemas ou viverei ajudando a construir um mundo mais humano e habitável?

Seguirei com indiferença as notícias que dia a dia chegam dos países onde há fome? Vou contemplar impassível os corpos mutilados do povo do Iraque ou os afogados dos barcos? vou continuar olhando friamente para aqueles que vêm até nós à procura de trabalho e pão? Quando é que aprenderei a olhar para aqueles que sofrem com um coração responsável e solidário?

O “novo” deste ano não virá de fora. A novidade só pode brotar do nosso interior. Este ano será novo se eu aprender a criar de maneira nova e mais confiante, se eu encontrar gestos novos e mais amigáveis para conviver com os meus, se eu despertar no meu coração uma nova compaixão pelos que sofrem.

José Antonio Pagola
(Lucas 2,16-21)

sábado, 26 de dezembro de 2015

Depois da bonança, vem a tempestade

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Há quem julgue que, nesta nossa vida, os tempos de paz e alegria são para sempre... na verdade, a calmaria é um sinal da aproximação de tempos difíceis. Assim é no mundo exterior, assim é no interior de cada um.

Há quem não se preocupe com as tempestades, julgando que são pessimistas os que se preparam, e tentam cuidar de tudo o que lhes é possível, para que diante das tragédias possam fazem mais do que ficar parados a ver...

Só quem resiste às tempestades tem valor. Os fracos deixam-se ir... como os destroços.

Já todos caímos e nos levantámos... fomos frágeis e heróis, no entanto, poucos são os que cumprem o dever de não esquecer as suas forças e vitórias perante as adversidades passadas.

Mais vale ser bom do que ser grande. Em tudo e em cada coisa.

As bonanças não duram... e depois de uma tempestade, outra tempestade virá. E se parece que nunca há paz no nosso interior, é essencial que consigamos garantir que o nosso coração é forte e se mantém lá no alto, acima das nuvens. Porque amar e ser bom não é ter o céu no coração, antes sim, ter o coração no céu... apesar de tudo o que se passa aqui.

José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Para além do Pai Natal, reaprendamos a arte do dom

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Quando as crianças se dão conta - e dão-se conta muito depressa - que o Pai Natal não existe, falam disso entre elas, mas diante dos adultos fingem que não o sabem ainda durante algum tempo, porque percebem que isso lhes dá prazer. O Pai Natal é uma crença extremamente efémera que se torna numa representação cultural ou familiar tácita, apenas isso. Não admira que muitos se interroguem sobre a razão da persistência da sua figura quando, grandes ou pequenos, muito poucos acreditam verdadeiramente nela. O Pai Natal seria então uma imposição meramente comercial, um ícone vazio, um símbolo gasto e esgotado que não tem nada mais a dizer? Provavelmente sim, se pensarmos na banalização massiva que assistimos ano após ano.

Em todo o caso, vale a pena sondar esta estranheza que faz com que os pais continuem a atribuir a uma outra entidade - uma entidade gráfica e pitoresca como o Pai Natal - os dons que eles mesmos compram para os próprios filhos. Seria lógico pensar que faria mais sentido que o presente fosse ligado ao seu rosto, um tosto bem conhecido, que transmite confiança e afeto, um rosto que reforça o contexto habitual da criança. O dom é, em vez disso, atribuído a uma entidade anónima, desconhecida, que aparece anualmente e de modo fugaz, sem uma relação personalizada com aqueles que oferecem os dons. Mas é precisamente este fato que nos induz a refletir sobre aquilo que se ativa no ato de dar e de receber. Que significa dar? Quem é o agente do dom? De quem recebemos aquilo que nos é dado? É aqui que se decide o sentido submerso do Pai Natal.

Sublinhemos, antes de mais, que o Pai Natal não deixa de ser um pai. O, melhor, o pai de um pai, um avô, se tivermos em consideração a sua idade, a sua barba branca, o seu humor tilintante e redondo, a sua bondade um pouco extravagante. Trata-se, no fundo, de um predecessor, de alguém que não representa apenas o instante atual mas quanto nos é transmitido de geração em geração, aquilo que os nossos pais nos dão porque o receberam antes dos seus pais e assim por diante.

O Pai Natal alarga os restritos metros quadrados da família contemporânea e estende os laços, testemunhando também tudo aquilo que se recebe dos outros, e não só dos pais, não só daqueles que constituem o quadro normal da vida. Deste modo, ele une cada criança a todas as crianças do mundo na expectativa e no entusiasmo pelo dom, sem o qual a vida nada seria. O dom, não o esqueçamos, é muito diferente do circuito frio, tão sonâmbulo e voraz, da troca e do comércio, mesmo se hoje parece totalmente sequestrado por essas lógicas.

O que é que de mais precioso podemos dar aos outros que a nossa atenção criativa, o nosso cuidado, o nosso tempo, a nossa fidelidade ao que cada um, em cada instante, é? O dom gera dom, mas não no sentido da gramática mercantil que procura o proveito próprio mais do que a experiência autêntica da oferta de um presente.

O citadíssimo "do ut des" (dou-te para que me dês) é um mote que trai a beleza do dom, o qual pode ser unicamente uma expressão de amor sem cálculo nem medida. Por isso é urgente resistir à pressão comercial que enche o saco do Pai Natal de coisas, coisas e mais coisas, que têm o único efeito de neutralizar a relação, de perpetuar de modo camuflado a indiferença e a distância, em vez de construir uma presença calorosa, disponível, confiante na nossa humanidade diante da humanidade dos outros.

Por isso, quando nós, adultos, nos sentamos junto às crianças, mesmo àquelas que ainda não sabem escrever, para as ajudar a redigir a sua cartinha ao Pai Natal, é importante que tenhamos bem claro dentro de nós a oportunidade e o sentido que naquele momento estão em jogo. Precisamos de reaprender a arte do dom.

José Tolentino Mendonça 
In "Avvenire" 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Não é dar o momento, é dar o futuro

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Nunca chegamos a conhecer alguém de forma plena. Nem a nós mesmos. Cada um de nós é um ser profundo cuja essência está em constante mutação, nem sempre se aperfeiçoa, por vezes se deteriora. O amor é sempre uma decisão de fé, porque mesmo que soubéssemos quem é a pessoa agora, é impossível saber quem será depois. Alguns mudam pouco, outros mudam tudo.

A vida é cheia de paradoxos. Se por um lado não devemos colocar o nosso contentamento naquilo que passa, temos também a obrigação de estimar de forma especial aquilo que de bom é possível perdermos a qualquer instante.

Viver bem implica ter a luz de saber querer o melhor, a cada momento.

O amor é uma seta enviada, pela vontade mais funda, com toda a força que pode ter… segue livre… para atingir a solidão do outro, ferindo-a de forma definitiva. Nunca mais será refém da tristeza do abandono. Outras dores lhe chegarão, outros espinhos se lhe hão de cravar na carne… mas solidão, não… quem tem o dom de amar nunca mais estará só.

Porque te amo, entrego-te não só este momento, mas todo o meu futuro. O que sou e o que serei, aceitando-te como és e como serás...

O amor marca-nos no mais fundo de nós. Aperfeiçoa-nos. Para sempre…

José Luís Nunes Martins
12 de dezembro de 2015
Ilustração de Carlos Ribeiro

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Está na hora de voltar para casa!



A maior rede de supermercados da Alemanha, a Edeka, lançou o seu primeiro anúncio para a quadra festiva do Natal.

O anúncio de Natal da maior rede de supermercados alemã está a emocionar o Mundo. O vídeo, que já se tornou viral, conta a história de um idoso que passa o Natal sozinho.

O idoso chega a casa do supermercado e ouve as mensagens dos filhos a dizer que não podem ir passar o Natal com ele, prometendo que o fazem no próximo ano. Contudo, passam três anos e ele continua sozinho na noite de Natal. Então decide enviar uma carta a dizer que morreu.

A ação passa depois para os filhos e netos que recebem mensagens e cartas com a notícia de que o pai morreu. Regressam então a casa, de luto, mas quando entram, encontram a mesa posta para todos e o pai na cozinha. "De que outra forma conseguiria que estivéssemos juntos?", pergunta.

As lágrimas transformam-se em risos à medida que a família se reúne para o jantar.

"É tempo de voltar a casa", diz o slogan do anúncio.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O rosto da misericórdia



O jovem Stanislas fura a barreira e avança, veloz, na sua cadeira de rodas, em direcção ao papamóvel. Francisco debruça-se e fala alguns minutos com o rapaz que perdeu as pernas num violento ataque que matou a sua família. A sua história perde-se na infinidade de outras tantas feridas, lutos e horrores que afligem a República Centro Africana.

Quando o papamóvel entrou no estádio de Bangui, na passada segunda feira, sob fortes medidas de segurança, a multidão dos fiéis aclamou Francisco, de forma ensurdecedora. E, enquanto o povo aplaudia nas bancadas, bem distantes da esburacada pista de tartan por onde o Papa ia passar, sob o olhar atento de uma fila quase compacta de capacetes azuis, eis que o jovem Stanislas fura a barreira e avança, veloz, na sua cadeira de rodas, em direcção ao papamóvel.

Francisco debruça-se e fala alguns minutos com o rapaz que perdeu as pernas num violento ataque que matou a sua família. A sua história perde-se na infinidade de outras tantas feridas, lutos e horrores que afligem a República Centro Africana. Talvez por isso - por todos desejarem aquele mesmo encontro pessoal - os aplausos soaram mais forte quando o Papa se debruçou sobre o jovem. Ninguém sabe do que falaram. Mas o que toda a gente viu foi um Stanislas esfuziante, rodopiando na pista fazendo vários “peões” e “cavalinhos” e esbracejando, enquanto conduzia a sua cadeira de rodas para fora do recinto.

“Deus é mais forte do que tudo. Esta convicção dá ao crente serenidade, coragem e a força de perseverar no bem diante das piores adversidades”, disse o Papa, na véspera, quando abriu a Porta Santa na catedral e proclamou Bangui “a capital espiritual do mundo”. Ou seja, o apelo ao valor do perdão e da misericórdia foi proclamado no país que mais deles precisa e numa das maiores periferias do mundo: a capital da República Centro Africana.

Na bula “O rosto Misericórdia”, dirigida aos fiéis do mundo inteiro, Francisco deseja “que o Jubileu seja uma experiência viva da proximidade do Pai, como se quiséssemos sentir pessoalmente a sua ternura, para que a fé de cada crente se revigore e assim o testemunho se torne cada vez mais eficaz”.
A experiência viva desta proximidade e ternura teve-a Stanislas e tantos milhares de africanos que, apesar dos sofrimentos e misérias - ou talvez por isso - não esqueceram o essencial e mereceram a preferência do Papa.

Nós, os mais distraídos do “primeiro mundo”, ainda estamos a tempo.

Aura Miguel
RR04 Dez, 2015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Toda sois formosa, ó Maria!



Maria, Mãe Imaculada, Rogai por Nós!
"Elevemos nossas preces à Imaculada, Santa Mãe de Deus e nossa Mãe!
Virgem Santa e Imaculada,
que sois a honra do nosso povo
e a guardiã solícita da nossa cidade,
a Vós nos dirigimos com amorosa confidência.

Toda sois Formosa, ó Maria!
Em Vós não há pecado.
Suscitai em todos nós um renovado desejo de santidade:
na nossa palavra, refulja o esplendor da verdade, nas nossas obras, ressoe o cântico da caridade,
no nosso corpo e no nosso coração, habitem pureza e castidade,
na nossa vida, se torne presente toda a beleza do Evangelho.

Toda sois Formosa, ó Maria!
em Vós Se fez carne a Palavra de Deus.
Ajudai-nos a permanecer numa escuta atenta da voz do Senhor:
o grito dos pobres nunca nos deixe indiferentes, o sofrimento dos doentes e de quem passa necessidade não nos encontre distraídos,
a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças nos comovam,
cada vida humana sempre seja, por todos nós, amada e venerada.

Toda sois Formosa, ó Maria!
Em Vós, está a alegria plena da vida beatífica com Deus.
Fazei que não percamos o significado do nosso caminho terreno:
a luz terna da fé ilumine os nossos dias, a força consoladora da esperança oriente os nossos passos,
o calor contagiante do amor anime o nosso coração, os olhos de todos nós se mantenham bem fixos em Deus, onde está a verdadeira alegria.

Toda sois Formosa, ó Maria!
Ouvi a nossa oração, atendei a nossa súplica: esteja em nós a beleza do amor misericordioso de Deus em Jesus, seja esta beleza divina a salvar-nos a nós, à nossa cidade, ao mundo inteiro.Amém."

Papa Francisco
*Ato de Veneração à Imaculada Conceição (8 de dezembro de 2013) 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Despedida



“Se por um instante Deus se esquecesse que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais.
Entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos 60 segundos de luz.
Andaria quando os outros páram, acordaria quando os outros dormem.
Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate…
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre gelo e esperava que nascesse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que oferecia à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas…
Meu Deus, se eu tivesse um pouco mais de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo Amor.
Aos Homens, provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, homens…
Aprendi que todo o mundo quer viver em cima de uma montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão, pela 1ª vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um Homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer…”

Gabriel Garcia Marquez

domingo, 6 de dezembro de 2015

Tesouros de amor




“Eu alcancei o pináculo do sucesso no mundo dos negócios.

Nos olhos dos outros, minha vida é uma personificação do sucesso.
Porém, além do trabalho, tenho pouca alegria. No final, a riqueza é apenas um fato da vida que eu estou acostumado.

Neste momento, deitado na cama, doente e lembrando toda a minha vida, eu percebo que todos os reconhecimentos e a riqueza que tive muito orgulho em ter empalideceu e tornou-se insignificantes diante da morte iminente.

Na escuridão, eu olho para as luzes verdes da vida apoiando máquinas e ouço os sons de zumbidos mecânicos. Posso sentir o sopro de Deus da morte se aproximando...

Agora eu sei, quando nós acumulamos riqueza suficiente para nossa vida, devemos buscar outras questões que não estão relacionados com a riqueza... Deve ser algo que é mais importante:

Talvez relacionamentos, talvez a arte, talvez um sonho de juventude...
Prosseguir sem parar em busca de riqueza apenas transformará uma pessoa em um ser torcido igual a mim.

Deus nos deu os sentidos para sentirmos o amor nos corações de todos, não as ilusões provocadas pela riqueza.

A riqueza que eu ganhei na minha vida, não posso trazer comigo. O que posso levar são só as recordações precipitadas pelo amor. Essas são as verdadeiras riquezas que irão segui-lo, acompanhá-lo, dando-lhe força e luz para continuar.

O amor pode viajar mil milhas. A vida não tem limites. Vá para onde você quer ir. Chegue a altura que você deseja alcançar. Tudo está no seu coração e em suas mãos.

Qual é a cama mais cara do mundo? -"A cama de um doente"...

Você pode empregar alguém para dirigir o carro para você, fazer dinheiro para você, mas você não pode ter alguém para suportar a doença para você.

Coisas materiais perdidas podem ser encontradas. Mas há uma coisa que nunca pode ser encontrada quando é perdida – " A Vida".

Quando uma pessoa vai para a sala de cirurgia, ela percebe que existe um livro que ele ainda tem que terminar de ler -"O Livro da Vida Saudável".

Qualquer que seja o estágio da vida estamos no agora. Com o tempo, vamos enfrentar o dia em que a cortina cai.

Tesouros de amor para sua família, amor para seu esposo, para seus amigos...

Tratem-se bem. Respeite e ame os outros.”


Últimas palavras de Steve Jobs

sábado, 5 de dezembro de 2015

O estreito caminho do bem


A nossa salvação depende do equilíbrio entre o trabalho e o descanso. As guerras desta vida pressupõem que cada um de nós, a cada batalha, saiba encontrar tempo para repousar, para cuidar do seu interior.

Há quem julgue que a felicidade será uma espécie de paz absoluta onde nada acontece e tudo nos é dado. Não é assim. Não há paz sem luta. Mais do que um estado que se alcança, a felicidade está na força que resulta da fé com que se luta pelo bem do outro… um caminho muito estreito que se deve sonhar, construir e percorrer…

Somos imperfeitos. Mas as nossas falhas só nos tornam maus quando caímos e não nos voltamos a erguer.

Vence duas vezes quem triunfa sobre o mal que há em si. 

Aperfeiçoar o nosso interior é essencial. Ninguém deve deixar os seus sentimentos e pensamentos andarem à solta, sem princípios nem orientação, impondo, a cada momento, ordens sem ordem. Devemos ser senhores de nós mesmos e não escravos dos nossos impulsos. Eis porque arrepender-se é mais importante do que lavar a cara.

Amar é ser, em silêncio, forte e bom. Mesmo quando isso nos faz sofrer. O resto… bem, o resto são egoísmos disfarçados e cheios de desculpas.

José Luís Nunes Martins

5 de dezembro de 2015

Ilustração de Carlos Ribeiro

Vê que interessante a quantidade dos nossos antepassados: Pais: 2 Avós: 4 Bisavós: 8 Trisavós: 16 Tetravós: 32 Pentavós: 64 Hexavós: 128 Hep...