domingo, 25 de julho de 2021


Vê que interessante a quantidade dos nossos antepassados:
Pais: 2
Avós: 4
Bisavós: 8
Trisavós: 16
Tetravós: 32
Pentavós: 64
Hexavós: 128
Heptavós: 256
Octavós: 512
Eneavós: 1024
Decavós: 2048
Num total de 11 gerações, 4094 ancestrais.
Isto tudo em, aproximadamente, 300 anos antes de nascermos!
Pára por um instante e pensa!
De onde vieram?
Quantas lutas travaram?
Por quanta fome passaram?
Quantas guerras viveram?
Por quantas vicissitudes todos nossos antepassados sobreviveram?
Por outro lado, quanto amor, força, alegrias e estímulos nos legaram?
Quanto da sua força para sobreviver cada um deles teve dentro de si para que, hoje, nós estejamos aqui, vivos?
Nós só existimos graças a tudo o que cada um deles passou.
Portanto, honra e agradece os teus antepassados!
Graças a cada um deles temos a felicidade de conhecer a VIDA!




 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Um dia a maioria de nós irá se separar



Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... 

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... 

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados... 

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... 

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! 

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... 

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... 

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... 

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Eu escolho meus amigos pela pupila

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril

Oscar Wilde

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Confissão

 


Lembrei-me de uma história ouvida num retiro, a propósito da Confissão, e que era assim: 

Certo dia, uma senhora que não se confessava há muito, entrou numa igreja e ficou no último banco, vendo as pessoas irem ao confessionário, mas sem coragem para o fazer. A dada altura, viu uma senhora sair do confessionário, a rir, a rir… e pensou que naquele dia não era capaz ,mas voltaria no dia seguinte logo de manhã cedo, para se confessar porque talvez não fosse assim tão difícil. E assim fez. 

No dia seguinte, logo de manhã, foi para a fila e foi das primeiras a confessar se. Saiu contente, aliviada, e à porta encontrou a senhora que se ria muito na véspera e que vinha a chegar. Resolveu dirigir-lhe a palavra e disse lhe: 

- Não imagina como ontem me ajudou ao vê la a sair  do confessionário tão bem disposta, a rir… e deu-me a coragem que me faltava para me vir confessar... hoje! Muito obrigada!

Então, para sua surpresa, a senhora respondeu lhe:

- Mas sabe porque me ria tanto? É que entrei no confessionário, comecei a confessar-me e como já não ouço bem, só a meio é que percebi que não estava lá nenhum sacerdote...e deu-me um grande ataque de riso. E por isso volto hoje e tb venho agora confessar me!


terça-feira, 30 de março de 2021

Ensina-me, São José!


Ensina-me, São José, como viver sem ser protagonista,
como trabalhar sem me exibir, como progredir sem pisar,
como colaborar sem manipular, como amar sem reclamar.

Ensina-me como viver sendo o número dois
como se fazem coisas belas a partir do segundo lugar.

Ajuda-me a compreender como a grande maioria de nós
é chamada a ocupar este lugar: o segundo lugar,
onde está a nossa verdadeira e oculta grandeza.

Mostra-me como viver com elegância
não sendo “importante”.

Faz-me ver que se pode e deve ser útil,
fiel, eficaz, até mesmo heroico, sem estar na ribalta.

Mostra-me
como ser grande sem exibicionismos,
como lutar sem aplausos, como progredir sem publicidade,
como perseverar e morrer
sem esperar alguma estátua ou homenagem.

Mostra-me como ser útil, positivo, generoso,
sem necessidade de ser "importante",
e, mais difícil ainda,
como me entregar totalmente, sem ser protagonista,
e, mesmo assim, sentir uma paz interior,
uma profunda felicidade e alegria.

Ensina-me tudo isto, São José!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Oração a São José do Papa Leão XIII


A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio ele vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio.

Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem, Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da divina família, o povo eleito de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas de seus inimigos e de toda a adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amen.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Ave Maria


Gosto de pensar, Maria, que também a tua fraqueza sustém a tua força, que soubeste aceitar atravessar tantas incertezas, fazendo aderir o teu coração a uma confiança que não se via. E que, por isso, não te é estranha a minha agitação confusa, a minha indecisão, os medos que em certas horas me agridem, e que tu, que tudo compreendes, sabes abraçar.

Gosto de recordar quanto foi difícil o teu caminho, repleto de obstáculos mais duros do que aqueles que eu enfrento, fustigado por sombras, derivas e dores. E que o teu olhar se tornou um imenso ventre, onde posso depor tudo aquilo que tanto me custa, e que tu, que tudo compreendes, sabes abraçar.

Gosto de contemplar essa tua capacidade de agradecer. De agradecer a anunciação luminosa e as suas ásperas consequências; essas palavras límpidas e depois uma dolorosa sucessão de momentos passados a perguntar-te como será; a brandura da brisa e a dureza do vento.

E que, por isso, tu abraças o meu cansaço de viver com esperança a minha força e a minha fragilidade; aquilo que levo ao termo e aquilo que deixarei incompleto; aquilo que depende ou não depende de mim – e tudo tu compreendes.

Gosto de saber que encontraste os planos de Deus infinitamente superiores a ti e que, mais uma vez, te sentiste pequena, só e não à altura, como tantas vezes eu me sinto. E também por isto, no fundo de mim experimento que me abraças, tu que tudo compreendes.

Card. José Tolentino Mendonça


sábado, 28 de novembro de 2020

# Recomeça



Prepara-te para tudo o que precisas de saber sobre o verbo recomeçar. Todas as etapas. Todos os riscos. Todas as pessoas a manter e a afastar. Todos os medos, todos os ses, todos os mas. Todas as estratégias. Todas as causas. Tudo o que move e tudo o que demove. Precisas de estar preparado. Precisas de querer arriscar. Mesmo que tenhas medo. Remove essas camadas do medo. Devagar. Não te compares com o tempo dos outros. É a tua vida, não é a dos outros. Para o tempo que precisares. Respira fundo. Começa de novo. Dá passos pequeninos. E se caíres? Qual é o problema? É sinal que deste um salto! Que tentaste! Não tenhas vergonha. Não te agarres ao que não te leva para a frente. Levanta-te. Precisas de ajuda? Pede. Fraqueza é não pedir ajuda. Erraste? Corrige. Vais sempre a tempo. Não desistas do que queres, aconteça o que acontecer. Assume este compromisso. Faz o que for preciso fazer. Vai onde for preciso ir. Constrói o que for preciso construir. Faz bonito. Mesmo que mais ninguém repare. Faz por ti. Tu és a tua prioridade. Hoje e sempre. Pela primeira vez na tua vida põe-te em primeiro lugar. E repete comigo: na vida, vou perder muito mais por ter medo do que por tentar.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Nascemos, nascemos, nascemos


Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez. Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos. 

Nascemos muitas vezes ao longo da infância quando os olhos se abrem em espanto e alegria. 

Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca. 

Nascemos na sementeira da vida adulta, entre invernos e primaveras maturando a misteriosa transformação que coloca na haste a flor e dentro da flor o perfume do fruto. 

Nascemos muitas vezes naquela idade onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se com laços interiores e caminhos adiados.

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez. 

Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar. 

Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas. 

Nascemos na prece e no dom. 

Nascemos no perdão e no confronto. 

Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra. 

Nascemos na tarefa e na partilha. 

Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos. 

Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.

O que Jesus nos diz é: "Também tu podes nascer", pois nós nascemos, nascemos, nascemos.


Card. Jose Tolentino Mendonça


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Cruz do Perdão



Numa igreja dentro do Mosteiro de Santa Ana e San José, em Córdoba, (Espanha), há uma cruz antiga. É a imagem da Cruz do Perdão que mostra Jesus crucificado com seu braço direito descravado da Cruz e para baixo.

Conta-se que um dia um pecador foi confessar com o padre sob esta cruz. Como de costume, quando um pecador era culpado de um crime grave, esse padre agia muito estritamente.

Não muito tempo depois, essa pessoa voltou a cair e depois de confessar seus pecados, o padre ameaçou: ' ' Esta é a última vez que o perdoei ".

Passaram muitos meses e aquele pecador foi ajoelhar-se aos pés do padre sob a cruz e pediu perdão de novo. Mas nessa ocasião, o padre foi claro e disse: "Não brinque com Deus, por favor. Não posso permitir que você continue pecando".

Mas estranhamente, quando o padre rejeitou o pecador, de repente foi ouvido um barulho da cruz. A mão direita de Jesus descravou-se e movido pelo arrependimento daquele homem, ouviram-se as seguintes palavras: "Fui eu quem derramou o sangue sobre esta pessoa, não tu".

Desde então, a mão direita de Jesus permanece nessa posição, pois sem parar convida o homem a pedir e receber perdão.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Não julgueis


Os homens estão sempre dispostos a vasculhar e a averiguar sobre as vidas alheias, mas têm preguiça em conhecer-se a si mesmos e a corrigir a sua própria vida.

(Santo Agostinho de Hipona)


Não julgueis, para não serdes julgados; pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: 'Deixa-me tirar o argueiro da tua vista', tendo tu uma trave na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.»

(Mt 7, 1-5)

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Recomeçar


Dá-nos, Senhor, depois de todos os nossos cansaços, um verdadeiro tempo de paz. Dá-nos, depois de tantas palavras, o dom do silêncio que purifica e recria. Dá-nos, depois de tantos caminhos apressadamente eliminados pela cortina de nevoeiro da distração, a possibilidade de contemplar com disponibilidade e plenitude cada porção de realidade, inclusive as realidades que nos custam. Dá-nos a alegria, depois das insatisfações que nos travam, como uma barca que se recorta na água. Dá-nos, Senhor, a possibilidade de viver sem presa, extasiados pela surpresa que os dias trazem consigo pela mão. Dá-nos a capacidade de viver de olhos abertos, de viver intensamente. Dá-nos a humilde simplicidade dos artesãos que, preferindo a sabedoria da experiência ao aparato das teorias, reconhecem que estão sempre a recomeçar.

Permite-nos escutar a lição do cântaro na roda do oleiro; do cepo aplanado pelas mãos do carpinteiro; da massa que o padeiro pacientemente transforma em pão.

Dá-nos de novo, Senhor, a graça do canto, do assobio que imita a aérea felicidade dos pássaros, das imagens reencontradas, do riso partilhado. Dá-nos a força de impedir que as duras necessidades do viver esmaguem o desejo dentro de nós e que se dissipe a transparência dos nossos sonhos.

Faz de nós peregrinos, que no visível vislumbram a discreta insinuação do invisível.

Card. José Tolentino Mendonça

In Avvenire

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Oração ao colocar a máscara (de proteção)


Oração ao colocar a máscara (de proteção)

Deus Criador, enquanto me preparo para sair de casa, ajuda-me a ver a natureza sacramental do uso deste pano. Que seja uma forma tangível e visível de viver o amor ao próximo, tal como eu me amo a mim próprio.

Cristo Jesus, já que os meus lábios estarão tapados, revela o meu coração, para que as pessoas possam ver o meu sorriso nas rugas à volta dos meus olhos. Como a minha voz poderá ser abafada, ajuda-me a falar claramente, não apenas com as minhas palavras, mas com as minhas ações.

Espírito Santo, enquanto o elástico toca os meus ouvidos, lembra-me de ouvir atentamente e carinhosamente todos aqueles que encontro. Que este simples pedaço de pano seja escudo e estandarte, e que cada expiração que sustenha esteja repleta do vosso amor.

Em Teu nome e nesse amor, tudo isto te peço. Amen.

Rev. Richard Bott, Moderador
Igreja Presbiteriana do Canadá

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

One Day - Koolulam Porject

 



Do brilhante "Projeto Koolulam"

Aqui em Israel há mais de 3.000 pessoas de várias religiões, muçulmanas, cristãs, judias e mais de muitos países, todos com a mesma mensagem Paz e tolerância! 'One Day' Chega de guerra! Dê uma olhada!

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Como a galinha recolhe os pintainhos

 


Lucas 13, 31-35

Naquele dia, aproximaram-se alguns fariseus, que disseram a Jesus: «Vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te». Jesus respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Eu expulso demónios e realizo curas hoje e amanhã; ao terceiro dia chego ao meu fim. Mas hoje, amanhã e depois de amanhã, devo seguir o meu caminho, porque não é possível que um profeta morra fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados, quantas vezes Eu quis reunir os teus filhos, como a galinha recolhe os pintainhos debaixo das suas asas! Mas vós não quisestes. Pois bem. A vossa casa vai ficar abandonada. E Eu vos digo: Não voltareis a ver-Me, até chegar o dia em que direis: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’»



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sábado, 31 de outubro de 2020

Bendita seja a brisa nova de cada dia




Bendita seja a brisa nova de cada dia

Bendito seja o germinar oculto e exaltante do Espírito, graças ao qual em cada estação nos faz renascer.

Bendito seja o respiro novo que cada dia, de maneira misteriosa, insuflas em nós, recordando-nos que a nossa criação não está terminada.

Bendito seja este espaço em que pacientemente nos plasmas, respeitando a nossa liberdade e os nossos tempos.

Bendita seja a tua fidelidade à nossa história e à maneira simples em que exortas o nosso coração a não se abandonar às inúteis visões da incerteza, do pessimismo e do cansaço.

Bendito seja o teu Reino que fazes já vir até nós nesta margem provisória, e que nos estimula a compreender a tua vontade.

Bendita seja a tua Palavra que encoraja e inspira perenemente os nossos novos inícios, porque desta maneira nos voltas a colocar a caminho para aquela festa, unânime e fraterna, que o quotidiano é chamado a preparar.

Bendito seja o Deus do nosso ontem, de quem entrevemos a passagem em tantos sinais do tempo presente, umbral daquela revelação maior em que será tudo em todos.


Card. José Tolentino Mendonça, in Avvenire

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

O corpo da abelha não foi feito para voar


Na NASA, eles têm um poster pendurado com abelhas onde se lê o seguinte:

"Aerodinamicamente o corpo de uma abelha não é feito para voar; o bom é que a abelha não sabe".

A lei da física diz que uma abelha não pode voar, o princípio aerodinâmico diz que a amplitude de suas asas é muito pequena para conservar seu enorme corpo em voo, mas uma abelha não sabe, ela não conhece nada sobre física nem a sua lógica e voa de qualquer maneira.

Isso é o que todos nós podemos fazer, voar e prevalecer em cada instante diante de qualquer dificuldade e diante de qualquer circunstância apesar do que disserem.

Sejamos abelhas, não importa o tamanho das nossas asas, erguemos voo e desfrutaremos do pólen da vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Escuta e prontidão



Há um refrão que Jesus repete muitas vezes, no final de uma parábola ou de um ensinamento, de tal maneira que se tornou uma expressão típica do seu falar: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça».

Teremos nós ouvidos para ouvir? Podemos dizer que sabemos escutar verdadeiramente? E realmente escutar Jesus? Grande desafio interior, o de nos pormos à escuta. Comporta uma autêntica conversão, uma espécie de renascimento da nossa alma.

O sentido da escuta tem a ver com a prontidão. Estar pronto para. Uma boa imagem da escuta espiritual é a dos atletas no início de uma corrida, recolhidos na expetativa do sinal de partida.

Quem escuta cria dentro de si uma vigilância, uma atenção que lhe permite agir com diligência e fidelidade em cada circunstância, sem exceções. A qualidade da escuta interior determina a qualidade da resposta.

Mesmo sem nos darmos conta, a cada momento estamos a responder, dizendo sim ou refutando, abrimos o nosso coração a Jesus ou barramos-lhe a porta. Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele, e ele comigo» (Apocalipse 3,20).

Card. José Tolentino Mendonça, in Avvenire

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Mesmo quando me esqueço



Às vezes, Senhor, é do profundo do meu esquecer que te grito. Sei que sou eu a distanciar-me, mesmo sem dar-me verdadeiramente conta; sou eu a deixar transcorrer as horas sem reconhecer a tua passagem; a deixar-me isolar, quase como uma ilha; a opor resistência à compreensão de até que ponto o tempo pode ser templo, uma tua morada.

Por isso, Senhor, mais que as palavras, mais que a minha presença provisória e frágil, mais que todas as minhas irrelevâncias, entrego-te hoje a oração do meu esquecer: este rolo de tecido longo e branco que eu, solitário, desenrolo diante de ti, este meu andar por diante às cegas no mundo, como se não te visse, estes meus ouvidos que se tornaram surdos à tua Palavra, este meu vazio preenchido apressadamente por tantos afazeres, estes meus progressos e involuções sem uma razão, estes meus confusos passos de criança que Tu, extremoso, apoias, porque sabes melhor que eu que, mesmo quando me disperso, quando por erro me ponho a correr para não sei onde, em não sei que fuga, mesmo quando eu me esqueço, estou a caminhar para ti.

Card. José Tolentino Mendonça, in Avvenire

sábado, 24 de outubro de 2020

Pequena carta ao Papa Francisco



Pequena carta ao Papa Francisco

Obrigada por não se fechar numa redoma antiquada e por se envolver de forma ativa nos problemas do nosso tempo.

Obrigada pela sua coragem constante.

Obrigada por lembrar ao mundo qual é a verdadeira essência de um espírito cristão.

Obrigada por honrar o nome de São Francisco de Assis, fugindo do espírito elitista e pouco fraterno que muitas vezes povoa a Igreja Católica.

Obrigada por falar abertamente sobre injustiças nas suas mais diversas formas e por se posicionar de forma tão clara em um mundo que precisa desesperadamente de bons líderes.

Obrigada por pontuar claramente o protagonismo da desigualdade num mundo que insiste em falar em meritocracia.

Obrigada por viabilizar que pessoas não católicas se sintam abraçadas pelo seu discurso, que é sempre de aproximação e nunca de afastamento.

Obrigada por dizer de forma tão clara que amor é amor, afirmando que os homossexuais “são filhos de Deus e têm direito a uma família”.

Obrigada por reconhecer nos rostos dos milhões de refugiados a imagem de Jesus Cristo, afirmando que eles são “forçados, como Jesus Cristo, a fugir”.

Obrigada por se posicionar de forma firme nas questões ambientais, em especial no que diz respeito às gigantescas ameaças à floresta amazónica.

Obrigada por afirmar de forma categórica na sua encíclica Fratelli Tutti, que os direitos humanos ainda não são suficientemente universais.

Obrigada por dizer de forma tão clara que “a organização das sociedades em todo o mundo ainda está longe de refletir com clareza que as mulheres têm exatamente a mesma dignidade e idênticos direitos que os homens”.

Obrigada por dizer que, quase sempre, as pessoas que se envolvem com grupos marginais o fazem em virtude de um total abandono estatal.

Obrigada por não se fechar numa redoma antiquada e por se envolver de forma ativa nos problemas do nosso tempo. Por falar sobre desinformação e sobre os discursos de ódio que povoam a internet.

Obrigada por manter seu olhar atento às violentas ameaças à democracia espalhadas pelo mundo.

Obrigada pela sua preocupação constante com a situação na América Latina, honrando suas raízes em vez de adotar uma postura eurocêntrica.

Obrigada por ser um incómodo tão genuíno para a maioria dos católicos conservadores, que utilizam a religião como forma de exclusão e de manutenção de privilégios, passando tão longe dos ideais pregados por Jesus Cristo.

Obrigada por existir, obrigada por resistir.

https://observador.pt/opiniao/obrigada-pela-coragem-papa-francisco/

Vê que interessante a quantidade dos nossos antepassados: Pais: 2 Avós: 4 Bisavós: 8 Trisavós: 16 Tetravós: 32 Pentavós: 64 Hexavós: 128 Hep...