terça-feira, 31 de março de 2009

Escada de S. José

Ao terminarmos o mês dedicado a São José, nada melhor que uma pequena homenagem a este grande santo. Fica aqui a partilha de um milagre muito interessante.

São José, rogai por nós!
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segunda-feira, 30 de março de 2009

Fogo na Austrália


Foto da frente de combate ao incêndio que devastou a Austrália

“A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem."
Arthur Schopenhauer
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sábado, 28 de março de 2009

5ª lição: Dar e dar-se



Muitos anos atrás, quando eu trabalhava como voluntário num hospital, conheci uma pequena menina chamada Liz, que sofria de uma doença rara e muito grave.

A sua única hipótese de salvamento parecia ser uma transfusão de sangue do irmão mais novo, de cinco anos, que já tinha tido o mesmo problema e sobrevivido milagrosamente, desenvolvendo anticorpos necessários para a combater.

O médico explicou-lhe a situação da irmã e perguntou-lhe se ele estaria disponível para dar o seu sangue à sua irmã.

Eu vi-o a hesitar por uns instantes, antes de respirar fundo e dizer "sim, eu faço-o se isso a salvar." À medida que a transfusão ía correndo, ele mantinha-se deitado ao lado da sua irmã, sorrindo. Todos nós sorríamos, vendo a cor a regressar à face da
menina. Foi então que o menino começou a ficar pálido e o seu sorriso a desaparecer.

Ele olhou para o médico e perguntou-lhe, com a voz a tremer, "Será que eu começo a morrer já?".

Sendo muito jovem, o menino não compreendeu o médico; ele pensou que teria que dar todo o seu sangue à irmã para a poder salvar.
Autor desconhecido.
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4ª lição: O obstáculo no nosso caminho



Em tempos antigos, um rei mandou colocar um enorme pedregulho num caminho. Depois escondeu-se e ficou a ver se alguém retirava a enorme pedra. Alguns dos comerciantes mais ricos do Rei passaram e simplesmente se afastaram da pedra, contornando-a. Alguns culpavam em alta voz o Rei por não manter os caminhos limpos. Mas nenhum fez nada para afastar a pedra do caminho.

Apareceu então um camponês, carregando um molho de vegetais. Ao aproximar-se do pedregulho, o camponês colocou o seu fardo no solo e tentou deslocar a pedra para a berma do caminho. Depois de muito empurrar, finalmente conseguiu. O camponês voltou a colocar os vegetais às costas e só depois reparou num porta-moedas no sítio onde antes estivera a enorme pedra.

O porta-moedas continha muitas moedas de ouro e uma nota a explicar que o ouro era para aquele que retirasse a pedra do caminho. O camponês aprendeu aquilo que muitos de nós nunca compreendem:

Cada obstáculo apresenta uma oportunidade para melhorar a nossa situação.

Autor desconhecido

sexta-feira, 27 de março de 2009

3ª lição: Lembra-te sempre daqueles que servem



Nos dias em que um gelado custava muito menos do que hoje, um rapazinho de 10 anos entrou no café de um hotel e sentou-se a uma mesa. Uma empregada de mesa trouxe-lhe um copo de água.

"Quanto custa um gelado de taça?" perguntou o rapazinho.
"Cinquenta cêntimos," respondeu a empregada.

O rapazinho tirou do bolso uma mão cheia de moedas e contou-as.
"Bem, quanto custa um gelado simples?" perguntou ele.*

A esta altura já mais pessoas estavam à espera de uma mesa e a empregada começava a ficar impaciente.
"Trinta e cinco cêntimos," respondeu ela com brusquidão.

O rapazinho contou novamente as suas moedas.
"Vou querer o gelado simples." Respondeu ele.

A empregada trouxe o gelado, colocou a conta encima da mesa, recebeu o dinheiro do rapazinho e afastou-se.

O rapaz terminou o seu gelado e foi-se embora. Quando a empregada foi levantar a mesa começou a chorar. Encima da mesa,colocado delicadamente ao lado da conta, estavam 3 moedas de cinco cêntimos.

Não sei se está a ver, ele não podia comer o gelado cremoso porque queria ter dinheiro suficiente para deixar uma gorjeta à empregada
Autor desconhecido
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quinta-feira, 26 de março de 2009

2ª lição: boleia na chuva



Uma noite, pelas 11h30, uma mulher de origem africana, estava apeada numa auto-estrada do Alabama, a tentar aguentar uma valente chuva torrencial. O carro dela tinha avariado e ela precisava desesperadamente de uma boleia.

Completamente encharcada, ela decidiu fazer stop ao carro que se aproximava. Um jovem, branco, decidiu ajudá-la, apesar de isto ser uma atitude de bravo naqueles dias de racismo (década de 60). O homem levou-a até um lugar seguro, ajudou-a a resolver a sua situação e arranjou-lhe um táxi.

Ela parecia estar com muita pressa, mas mesmo assim tomou nota da morada do jovem e agradeceu-lhe.

Uma semana mais tarde batiam à porta do jovem. Para sua surpresa, uma televisão de ecrã panorâmico era-lhe entregue à porta. Um cartão de agradecimento acompanhava a televisão. Dizia:

"Muito obrigado por me ajudar na auto-estrada na outra noite. A chuva não só encharcou a minha roupa, como o meu espírito. Foi então que você apareceu. Por causa de si consegui chegar ao meu marido antes de ele falecer. Que Deus o abençoe por me ter ajudado e ter servido outros de maneira tão altruísta.

Com sinceridade,
Mrs. Nat King Cole".
Autor desconhecido
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quarta-feira, 25 de março de 2009

1ª Lição: Senhora da Limpeza




Cinco lições como tratar as pessoas

Durante o meu segundo ano no ensino superior, o nosso professor deu-nos um teste. Eu era um aluno consciente e respondi rapidamente a todas as questões até ler a última:

"Qual é o nome da mulher que faz a limpeza na escola?"

Isto só podia ser uma brincadeira. Eu tinha visto a mulher da limpeza inúmeras vezes. Ela era alta, cabelo escuro, à volta dos 50 anos, mas como poderia eu saber o nome dela?

Eu entreguei o meu teste, deixando em branco a última questão. Mesmo antes da aula terminar, um dos estudantes perguntou se a última questão contava para nota.

"Absolutamente," respondeu o professor. "Nas vossas carreiras irão encontrar muitas pessoas. Todas são significativas. Elas merecem a vossa atenção e cuidado, mesmo que tudo o que vocês façam seja sorrir e dizer 'olá'."

Nunca esquecerei aquela lição. Também aprendi que o nome da senhora era Dorothy.
Autor desconhecido
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terça-feira, 24 de março de 2009

Salmo 91



O SENHOR É O MEU AMPARO

1Aquele que habita sob a protecção do Altíssimo
e mora à sombra do Omnipotente,
2*pode exclamar: "SENHOR, Tu és o meu refúgio,
a minha cidadela, o meu Deus, em quem confio!"
3*Ele há-de livrar-te da armadilha do caçador
e do flagelo maligno.
4*Ele te cobrirá com as suas penas;
debaixo das suas asas encontrarás refúgio;
a sua fidelidade é escudo e couraça.
5Não temerás o terror da noite,
nem da seta que voa de dia,
6nem da peste que alastra nas trevas,
nem do flagelo que mata em pleno dia.
7Podem cair mil à tua esquerda
e dez mil à tua direita,
mas tu não serás atingido.
8Basta abrires os olhos,
para veres a recompensa dos ímpios.
9Pois disseste: "O SENHOR é o meu único refúgio!"
Fizeste do Altíssimo o teu auxílio.
10Por isso, nenhum mal te acontecerá,
nenhuma epidemia chegará à tua tenda.
11*É que Ele deu ordens aos seus anjos,
para que te guardem em todos os teus caminhos.
12Eles hão-de elevar-te na palma das mãos,
para que não tropeces em nenhuma pedra.
13Poderás caminhar sobre serpentes e víboras,
calcar aos pés leões e dragões.

14"Porque acreditou em mim, hei-de salvá-lo;
hei-de defendê-lo, porque conheceu o meu nome.
15Quando me invocar, hei-de responder-lhe;
estarei a seu lado na tribulação,
para o salvar e encher de honras.
16Hei-de recompensá-lo com longos dias
e mostrar-lhe a minha salvação."
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segunda-feira, 23 de março de 2009

Herdarei o céu



«Todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo» (Jl 3,5; Rm 10,13).

Quanto a mim, não apenas O invoco
mas, antes de tudo, creio na Sua grandeza.

Não é pelos Seus presentes
que persevero nas minhas súplicas:
é que Ele é a Vida verdadeira
e n'Ele respiro;
Sem Ele não há movimento nem progresso.

Não é tanto pelos laços de esperança:
é pelos laços de amor que sou atraído.
Não é dos dons:
é do Doador que tenho perpétua nostalgia.
Não é à glória que aspiro:
é ao Senhor glorificado que quero abraçar.
Não é de sede da vida que constantemente me consumo,
é da lembrança d'Aquele que dá a vida.

Não é pelo desejo de felicidade que suspiro,
que do mais profundo do meu coração rompo em soluços:
é porque anelo por Aquele que a prepara.
Não é o repouso que procuro,
é a face d'Aquele que aquietará o meu coração suplicante.
Não é por causa do festim nupcial que feneço,
é pelo anseio do Esposo.

Na esperança certa do Seu poder
apesar do fardo dos meus pecados,
creio, com uma esperança inabalável,
que, confiando-me na mão do Todo-Poderoso,
não somente obterei o perdão
mas que O verei em pessoa,
graças à Sua misericórdia e à Sua piedade
e que, conquanto justamente mereça ser proscrito,
herdarei o Céu.

Gregório de Narek (cerca de 944- cerca de 1010), monge e poeta arménio
O Livro das Orações, 12, 1

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domingo, 22 de março de 2009

Surpresa no metro de Liverpool



Vejam o que aconteceu numa estação de metro. Foi numa segunda-feira de manhã e de seguida foram todos trabalhar com uma energia maravilhosa. São bailarinos misturados com passageiros, que acabam por interagir na dança. O espectáculo foi planeado e ensaiado durante oito semanas, sem o conhecimento do público.

Hoje é o IV Domingo da Quaresma, o Domingo latere, Domingo da alegria. Que tal se soltassemos a nossa alegria agora mesmo, dançando cinco minutos?! Agora mesmo!

1,2,3...
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sábado, 21 de março de 2009

Reforma antecipada



Hoje trouxe-vos um pouco de humor.
Mas vejam lá se nós não continuamos tão iguazinhos como há dois mil anos atrás.


Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
- Em verdade vos digo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu:
-Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
- Não trouxe o papiro-diário?
Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas, vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
- Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus cretinos, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
- Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.

... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos.

Autor desconhecido
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Junto a Ti, transfiguramo-nos



Sempre que passamos uns instantes a orar,
sentimos que nos mudas o ânimo,
que nos sossegas o espírito, que nos afastas das preocupações e eliminas o stress da nossa vida.
Quando nos abandonamos em Ti,
quando vivemos a vida na Tua companhia,
quando fazemos as coisas contigo,
reservando-Te um espaço em tudo,
tornamo-nos dinâmicos, criativos, ágeis,
coerentes, solidários, humanos e felizes.
Tu és o combustível do nosso motor,
a água da nossa sede, o adubo do nosso crescimento, o sangue do nosso corpo,
a defesa contra as doenças
e a saúde total para a nossa história pessoal.
Contigo, Senhor, a vida transforma-se numa festa, e sentimos vontade de alargar os Teus encontros, mas logo nos distraímos com os nossos afazeres e vivemos como se não existisses.
Damos importância a todas as urgências e esquecemos-Te no primeiro desvio.
Pai, mantém-nos junto a Ti,
não deixes de nos sussurrar o Teu amor,
não Te silenciar pela nossa algazarra,
leva-nos pela mão, funde-Te nos nossos dias,
e vamos juntos viver a vida,
construindo o Teu Reino para todos.
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quinta-feira, 19 de março de 2009

Olá, pai!



As palavras travam-se todas em mim depois deste “Olá pai” por um bom bocado, porque não estou habituado a ele e fico sem saber o que deve vir a seguir. “Olá pai”. Poucas vezes te falei assim, como agora, e nunca me dirigi a ti à frente de ninguém. As minhas conversas contigo sempre permaneceram no mundo mais escondido de mim mesmo. No mais escondido de todos, só acessível a menos de meia dúzia. Havia de chegar o dia em que te falaria assim, chamando-te “pai” à frente de toda a gente, de maneira a que percebam que gosto de ti.

Habitas já o lado eterno da Vida, onde o tempo não passa e as pessoas não se magoam mais umas às outras. Onde o Homem Velho foi definitivamente vencido e todos vivem transfigurados no Amor de Deus. Sem cada um deixar de ser quem é, torna-se Divinamente “outro” pela Assunção da sua Vida nessa Comunhão Familiar Universal com Deus e com todos os Seres Humanos já renascidos. O pecado não existe mais, todos os esforços do Amor foram infinitamente confirmados e as feridas que em nós rasga o mal estão já em processo irreversível de cura. Vives em Deus, e hoje todas as outras palavras para tentar dizer isto que não se diz me parecem demais. Vives no seio de Deus e fazes a experiência plena e perfeita do Amor Paternal-Maternal-Filial de Deus.

Não tiveste tempo de ser velho. Despediste-te com 27 anos, de maneira serena, sem ninguém dar conta, e deixaste saudades, muitas, porque eras um homem verdadeiramente bom. Quem te conhecia amava-te. Há muito tempo que as minhas conversas contigo acontecem onde ninguém mais as conhece, a não ser os teus companheiros e companheiras do Céu, mas eu nunca me dei a mim mesmo a oportunidade de te dizer que “És o Maior!”

Mas és, pai, és o Maior, como todos os pais bons são sempre, os “maiores”. Não tivemos tempo de brincar tudo o que queríamos, e a minha memória consciente guardou apenas pequenos pedaços, momentos, gestos teus. Mas há uma memória que vale por uma vida, uma memória sem rosto até. Lembro-me de estar sentado à mesa da sala, lá na Guarda, e tu de pé por trás de mim, debruçado sobre mim, com a tua mão enorme a cobrir completamente a minha mão direita, a pegares no meu lápis por cima dos meus dedos e a desenhares comigo, uma folha de papel quadriculada, um galo. Sinto-me todo dentro de ti, envolvido nesse gesto de debruçar-se tão profundo e inteiro e seguro na tua mão. Sabes bem que sempre me lembro disso quando falo da Graça de Deus que biblicamente está representada na acção de Debruçar-se, Inclinar-se para Envolver o Seu Povo, para o guardar em Si e conduzir com a Sua mão. Sempre me lembro de ti e deste momento quando falo deste Amor Gracioso de Deus em linguagem bíblica, mas nunca o disse, não sei porquê. Talvez para preservar isto… mas Hoje é o dia de o partilhar. E tenho a certeza que ganha ainda mais sabor assim, mais força, mais verdade. Já experimentei bem isto na vida, pai, que se torna mais nosso aquilo que partilhamos. Tu disso sabes melhor do que ninguém, porque no Céu todos são mestres nestas coisas…

Andava a sentir dentro de mim uma vontade enorme de dizer que gosto de ti sem que ficasse apenas no nosso segredo. Sabes, nunca te fiz uma homenagem. Não daquelas cheias de tretas inúteis, mas um gesto simples, como este, hoje, de dizer-te estas coisas e agradecer-te seres meu pai.

És o grande amor da vida da mãe. Já passaram outros 27 anos desde que te despediste de nós, e continuas a ser o maior amor da vida dela. Continua a falar de ti com um carinho que às vezes comove, com uma ternura inesgotável e com uma admiração profunda. A mãe admira-te. Acha muito bonita a maneira como tu fazias as coisas e te davas às pessoas. E até se ri do jeito meio desengonçado que tinhas para lidar com os momentos mais chatos comigo. Quando eu fazia asneira e precisava de um ralhete valente, tu saías e ias dar uma volta ao quarteirão porque sabias que eu precisava de aprender mas não eras capaz de estar lá. Davas a volta, abrias a porta, metias a cabeça e se ainda não tinha terminado davas mais uma. Eu era o teu menino. Eu sou o teu menino, porque para os pais nunca crescemos de meninos.

Tanto tempo e tantas aventuras e desventuras nestes 27 anos não foram capazes de apagar o amor da mãe por ti. Pôssa, que a agarraste mesmo pelo beicinho. Até continua a sonhar contigo. Lembro-me de que quando era adolescente e a mãe me contava alguma vez que tinha sonhado contigo, eu ficava todo contente.

Nunca encontrei ninguém, ninguém, que não falasse de ti com uma enorme exclamação de respeito, com admiração mesmo. Gosto de ti, pai, gosto muito, e confirmas a certeza de que a vida de uma pessoa não vale pelo número de anos que vive mas pelas pessoas que cabem dentro de si.

As pessoas sorriem quando falam de ti. Todas. E muitas têm histórias para contar. Eras um brincalhão descontraído, vivaço, inteligente. E bonito, toda a gente diz. Quem trabalhou contigo não te chama manguela e eras um companheiro fantástico. Já estive com colegas teus de trabalho que, passados estes anos todos, mal falam de ti choram, logo! “O Pedro, o Pedro… nunca conheci ninguém como ele.” Tenho vaidade em ser teu filho. Muita. Tenho muita vaidade em ser teu filho. Foste capaz de te fazeres amar tão bem por tantos.

Olha, sentia muito a necessidade de fazer isto. Dizer-te que gosto de ti desta maneira, sem ser apenas um segredo nosso. Dizer-te que sinto uma vaidade enorme quando lá na aldeia dizem que sou a “cara chapada” do pai e que tenho o teu corpo, os teus ombros, o teu tronco, a tua voz, só que sou um bocado mais alto. Sinto uma vaidade enorme por haver ainda tanta gente lá na aldeia que olha para mim e me chama “Pedro”. Toda a minha infância foi assim… a chamarem-me Pedro! E eu adoro. Nunca corrigi. Porque és um homem bonito, uma pessoa extraordinária que deixou uma marca de vida tão profunda e generosa em outras pessoas, que me dá vaidade ser a expressão mais visível da tua passagem por aqui.

Sou teu filho, pai, e gosto muito. Tenho vaidade em ti. Na maneira como as pessoas te recordam e mãe ainda te ama.

Tinha que haver um dia em que tinha este gesto contigo… Tinha que haver. Hoje é um bom dia. Amo-te pai.

Amo-te pai. Continua assim, Vivente já da Vida de Deus, debruçado sobre mim, envolvendo-me com essa Vida no Espírito que vives, Presente como Re-Suscitado e amando-me com esse amor de jeito paternal que ainda tiveste tempo de treinar comigo e foi plenificado no seio do Abba, fonte de toda a Paternidade.

Até já.
Rui Santiago
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quarta-feira, 18 de março de 2009

Viagem de comboio



A nossa vida é como uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques.

Quando nascemos, ao embarcarmos nesse comboio, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão connosco a viagem até o fim: os nossos pais. Não é verdade. Infelizmente, numa determinada estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, protecção, amor e afecto.

Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós: os nossos irmãos, amigos e amores.

Muitas pessoas tomam esse comboio a passeio. Outras fazem a viagem experimentando apenas tristezas. E no comboio há, também, outras que passam de carruagem em carruagem, prontas para ajudar quem precisa.

Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no comboio de tal forma que, quando desocupam os seus assentos, ninguém se apercebe.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em carruagens diferentes da nossa. Isso obriga-nos a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos a nossa carruagem e chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará a ocupar esse lugar.

Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse comboio jamais volta.

Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajecto poderão fraquejar, e, provavelmente, precisaremos entender isso. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, certamente, alguém nos entenderá.

O grande mistério é que não sabemos em que paragem desceremos.

E fico a pensar: quando eu descer desse comboio sentirei saudades? Sim. Deixar os meus filhos a viajar sozinhos será muito triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim doloroso.

Mas agarro-me à esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com a sua bagagem, que não tinham quando embarcaram.
E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tenha tornado valiosa.

Agora, neste momento, o comboio diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. A minha expectativa aumenta à medida que o comboio vai diminuindo a sua velocidade…

Quem entrará? Quem sairá? Eu gostaria que tu pensasses no desembarque do comboio, não só como a representação da morte, mas, também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar.

Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de “todos os passageiros”.

Agradeço muito por fazeres parte da minha viagem, e por mais que os nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, a carruagem é o mesma.

Plínio Torres
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terça-feira, 17 de março de 2009

Capaz de me mudar a mim mesmo



Um Ancião recebeu, certa vez, a visita de alguns amigos:
- Gostaríamos muito que nos ensinasses aquilo que aprendeste todos estes anos – disse um deles.
- Estou velho – respondeu o Homem.
- O que conversas com Deus? Quais são as coisas importantes que devemos pedir?
O homem sorriu.
- No começo, eu tinha o fervor da juventude, que acredita no impossível. Então eu pedi que me desse forças para mudar a humanidade. Aos poucos, vi que era uma tarefa para além das minhas forças. Então comecei a pedir forças para mudar o que estava à minha volta.
- Neste caso, podemos garantir que parte do teu desejo foi atendido – disse um dos amigos – o teu exemplo serviu para ajudar muita gente.
- Ajudei muita gente com o meu exemplo; mesmo assim sabia que não era o pedido.Só agora, no final da minha vida, é que entendi o pedido que devia ter feito logo desde o início.
- E qual é esse pedido?
- Que eu fosse capaz de me mudar a mim mesmo.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Jessica Cox



Sei que certos videos são um poucos duros de serem vistos porque nos obrigam a encarar realidades que não são as mais comuns. Todavia, ao partilhar convosco estas histórias, é para nos lembrar que temos o dever de não nos queixarmos por tudo e mais alguma coisa ou desanimarmos logo à primeira.

A vida é bela mas só os que batalham e perservam até ao fim hão-de saborear a felicidade!
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domingo, 15 de março de 2009

Jesus falava com o seu patrão



Cada um de nós deve responder a alguém. Qualquer aluno do sexto no familiarizado com a cadeia alimentar dirá que, no fim, até o rei da selva se torna alimento para pequenos insectos. Nenhum de nós está sem alguém que poderia, no fim, "comer-nos ao jantar". De facto, quando uma pessoa começa a pensar que não há ninguém a quem responder, os problemas começam.

Jesus sabia quem era o seu patrão e mantinha contacto diário com ele.

Ed Koch, um dos presidentes da câmara da cidade de Nova Iorque mais vezes reeleito, costumava andar pela cidade a perguntar às pessoas que encontrava "Como estou a ir?" A população adorava-o por isso e muitos consideravam a sua abertura como uma das chaves para a sua popularidade.

AI Neuharth, fundador do jornal USA Today, andou pelo país a perguntar às pessoas que tipo de jornal gostavam de ler. Este homem, que ganhava mais de um milhão de dólares por ano, considerava as pessoas que atiravam moedas de vinte e cinco cêntimos para dentro das máquinas que vendem jornais os seus patrões. Ele arranjava tempo para se manter em contacto com as pessoas que servia.

Um exemplo das consequências de não se manter em contacto aconteceu quando o conselho de tutores de uma associação médica nacional decidiu celebrar o aniversário da organização. Eles pediram a todos os membros que doassem 30 porcento do seu tempo a uma gala de aniversário.

Mais do que um director de estado disse a alguns representantes da repartição nacional (onde este esquema foi concebido) que este plano era extremamente impopular entre as repartições de estado. Os representantes, que eram muitas vezes contratados apenas pela sua habilidade em dizer sim ao director-geral, nunca mencionaram a impopularidade do plano ao conselho por ser do interesse do director. Quando uma recém-chegada tentava levantar o assunto numa reunião de conselho, o director lançava-lhe um olhar que a calava imediatamente.

O conselho manteve a sua grande comemoração de lançamento, para a qual foram convidados os meios de comunicação nacionais e os membros-chave do gabinete governamental, mas apareceram apenas onze pessoas. Nove deles eram membros do conselho. Os membros do grupo gastaram quase 60 000 dólares para promover este evento mas falharam na compra de um cotonete para limpar os ouvidos antes de lançarem a comemoração. Os membros do conselho esqueceram-se de comunicar com os seus patrões, que eram os membros da associação que representavam. Eles dirigiam-se por espelhos, não por janelas.

Jesus encontrava-se com o seu patrão todos os dias, geralmente durante horas. Nada conseguia interromper a duração pré-definida, reservada e honrada.

É fundamental que mantenhas contacto regular e sagrado com o teu Patrão para que te possa dar pistas de forma a tornar o teu caminho mais explícito.

Jesus manteve sempre contacto com o seu patrão.

In LAURIE BETH JONES, Jesus CEO,
ed. Idbooks, Lisboa 2008, 10-12.
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sábado, 14 de março de 2009

Salmo 170



Deus Vivo, Deus de Vivos e da Vida, Deus Bom…

Não sei muito bem como o sinto, mas apetecia-me dizer bem de Ti de uma maneira intocável, que fosse ao mesmo tempo simples, evidente e inegável. Mas, quando o fizesse, já não seria de Ti que falaria… porque não Te impões.

És um Deus Bom, não importa que não caibas no que eu digo. Não importa nada!

Louvo-te, a meio do que vivo, por estares aqui no meio comigo.
Envolves-me por todos os lados, conheces-me inteiro e amas-me assim.
Nada em mim Te é estranho nem novo… e não Te cansas de mim.

Louvo-te pelos dias assim, e pelos dias assim-assim.
Louvo-te pelas experiências com que a Vida se tece
e pela descoberta progressiva de que o caminho da Alegria, da Leveza,
da Libertação e da Paz coincide com o dom de mim mesmo.

Dar-se é a cura para as principais mazelas do coração humano
e o segredo para o crescimento verdadeiro.

Dar-se…
...lembrar-se de outro, sair de si, procurar no mais íntimo da memória aquela pessoa que está longe, ou perto mesmo mas perdida dentro de mim há tanto tempo… Procurar um rosto concreto, um nome, alguém, e sair de si. De maneira absolutamente gratuita e tomando a iniciativa. E dar-se… ou ligar, ou escrever, ou visitar… mas dar-se!

Há quem queira curar as solidões e as dores de ser comprando coisas.
Passa tão depressa…

Deus de todas as manhãs,
o dom de si mesmo é o segredo da Vida que não morre,
porque se vão da lei da morte libertando, como dizia o poeta, aqueles que vivem com amor.
E que, acima de tudo, reinventam as formas, os modos, as horas, os rostos…
de maneira a que tudo se torne novo e a vida possa renascer muitas vezes!

Deus Bom, a oblatividade é a terapia dos felizes.
O egoísmo definha as pessoas porque as centra em si mesmas,
e depois não vêem mais nada para além dos seus míseros problemas e queixumes…
O egoísmo torna as pessoas chatas, repetitivas, torna-as coitadinhas!
Sair de si é um dinamismo de cura interior muito forte porque nos descentra…

Em Ti emerge permanentemente a Vida, o Amor e a Felicidade
porque não estás fechado em Ti mesmo!
És Comunhão,
um dinamismo comunitário de Vida em que ninguém se guarda para Si…
Por isso um se chama Pai, porque é todo Dom para o outro,
todo entrega de Si mesmo…
Outro se chama Filho, porque é todo Acolhimento,
todo docilidade ao Amor do Pai e entrega filial nas Suas mãos…
E depois o “sem nome”,
Espírito como os outros dois, Santo como os outros dois, mas sem nome…
Espírito Santo mesmo, assim só, “sem nome”,
porque é assim o Seu jeito pleno de amar,
sem se nomear a Si próprio, sem retorno sobre si, sem dizer nunca “eu”
mas apenas o Tu do Pai e do Filho que gera um Nós familiar
no seio do qual a Vida não cessa de emergir…

A Vida emerge do Dom, da Comunhão…

Deus Bom, Deus-Família, Deus-Nós…
É um privilégio poder levantar o estore pela manhã e saborear tudo isto, sentar-se aqui assim, diante de um computador e partilhar com centenas de companheiros o gosto de estar vivo, de ir descobrindo os segredos mais importantes, de experimentar na própria carne que é no dom de si mesmo que o Ser Humano encontra o melhor da existência humana e o limiar desse Mistério de Presença e Proximidade do Teu Amor que se chama “Ruah”, Espírito Santo de tantos nomes, meu Amor, Alento, Sopro, Paráclito, Ternura, Sangue e Água Viva a jorrar do lado do Re-Suscitado como fonte de uma Nova Criação…

É um privilégio, Bom Deus,
um luxo do espírito
que dinheiro nenhum do mundo é capaz de comprar
nem virtude nenhuma é capaz de merecer,
este de sentir-se Pertença do Teu próprio Mistério Familiar,
sentir-se Filho e Herdeiro, como dizia o Paulo, de Graça…
Rui Santiago
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sexta-feira, 13 de março de 2009

O amor nunca morre

Nas fotos Katie Kirkpatrick de 21 anos. A seu lado o noivo Nick de 23 anos. As fotos foram tiradas pouco antes da cerimónia do casamento ocorrida em 11 de Janeiro de 2005 nos Estados Unidos. Katie é vitima de uma neoplasia em estado terminal e durante muitas horas por dia é submetida a sessões de quimioterapia.

Apesar de sentir muitas dores e de vários orgãos se encontrarem em falência é imperativo recorrer à morfina. Katie não deixa de concretizar o seu casamento.

Contemplar uma jovem tão debilitada vestida de noiva com um sorriso nos lábios faz-nos pensar sobre a vida. Porque são tantas as vezes que reclamamos apenas e tão somente pelo facto de estarmos vivos. Desistimos perante problemas tão pequenos. No caso de Katie o amor superou e suportou toda a adversidade até à sua morte. A ter sempre presente na azáfama dos dias.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Chocolate quente

Um grupo de jovens licenciados, todos bem sucedidos nas carreiras, decidiu fazer uma visita a um velho professor, agora reformado. Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho.

O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes - de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes:

- Reparem como todos procuraram escolher as chávenas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores...

Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:

- Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza... e apreciai o vosso chocolate quente.
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