segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Caminhando como filhos da terra



DIA 4 Caminhando como filhos da terra



Leituras
Levítico 25,8-17 A terra é para o bem comum, não para lucro pessoal
Salmo 65,5b-18 O frutuoso derramamento da graça de Deus sobre a terra
Romanos 8,18-25 O anseio de toda a criação pela redenção
João 9,1-11 A cura feita por Jesus: lama, corpos e água

Comentário


Se vamos caminhar em humildade com Deus, precisaremos estar sempre conscientes de sermos, nós mesmos, parte da criação e receptores dos dons de Deus. Há no mundo de hoje um crescente reconhecimento de que uma melhor compreensão de nosso autêntico lugar na criação deve-se tornar para nós uma prioridade. Entre os cristãos, especialmente, há uma crescente consciência das maneiras pelas quais a preocupação ecológica é parte do “caminhar humildemente com Deus”, o criador; afinal, tudo que temos é dado por Deus na sua criação e, portanto, não é “nosso” para ser usado como quisermos. É por essa razão que, de 1 de setembro a 4 de outubro, os cristãos são chamados a observar o Tempo da Criação – uma prática que vem crescendo em muitas Igrejas. Em 1989 o Patriarca ecumênico Dimitrios I proclamou o dia 1 de setembro como um dia de oração pelo meio ambiente. O ano litúrgico da Igreja Ortodoxa começa nesse dia com uma comemoração da criação do mundo por Deus. No dia 4 de outubro, muitas Igrejas de tradição ocidental comemoram Francisco de Assis, o autor do Cântico das Criaturas. O começo e o fim do Tempo da Criação estão assim ligados com o cuidado pela criação nas tradições orientais e ocidentais da Cristandade, respectivamente.

A história cristã é uma história de redenção de toda a criação; é a própria história da criação. A crença de que, em Jesus, Deus se tornou uma pessoa humana, num tempo e num lugar específicos, é um dado central ao redor do qual todos os cristãos se unem. É uma fé partilhada na Encarnação que traz consigo um profundo reconhecimento da importância da criação – de corpos, alimento, terra, água e tudo o que sustenta nossa vida como pessoas no planeta. Jesus é totalmente parte deste mundo. Pode ser um pouco chocante ouvir que Jesus cura usando saliva e pó da terra; mas é coerente com esse real sentido do mundo criado como parte integrante da ação de Deus nos trazendo vida nova.

No mundo inteiro, a terra costuma ser trabalhada pelas pessoas mais pobres, que freqüentemente nem participam elas mesmas do frutuoso resultado; assim é a experiência de muitos dalits na Índia. Ao mesmo tempo, são essas comunidades que têm um particular cuidado com a terra, como se vê pela sabedoria adquirida na prática de lidar com a terra, que é visível no desenvolvimento de seu trabalho.

O cuidado com a terra inclui questões básicas sobre como os seres humanos devem viver dentro da criação, de um modo que seja o mais plenamente humano para todos. O fato de que a terra – com o trabalho que nela se faz e a sua posse – seja tão freqüentemente fonte de desigualdades econômicas e de práticas degradantes de trabalho é motivo de grande preocupação e clama por ação conjunta dos cristãos. O acordo no reconhecimento desses riscos de exploração no que diz respeito à terra é encontrado nas instruções do Levítico sobre o Ano do Jubileu: a terra e seus frutos não nos são dados para ser uma oportunidade para “levar vantagem uns sobre os outros”, mas o trabalho da terra deve trazer benefícios para todos. Isso não é apenas uma “idéia religiosa”; é algo ligado a práticas muito realistas de economia e negócios relacionadas ao modo como a terra é usada, comprada e vendida.

Oração


Deus da vida, nós te agradecemos pela terra e por aqueles que cuidam dela e fazem com que produza frutos. Pedimos que o Espírito, o doador da vida, nos faça reconhecer que somos parte da rede de relacionamentos da criação. Queremos aprender a valorizar a terra e escutar os lamentos da criação; ajuda-nos a seguir verdadeiramente os passos de Cristo, trazendo cura para tudo que fere a terra e garantindo uma justa partilha daquilo que ela produz. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz.

Questões


§ As leituras de hoje convidam os cristãos a uma profunda unidade na ação a partir de uma preocupação em comum com a terra. Onde pomos em prática o espírito do Jubileu, juntos, em nossa vida de cristãos?

§ Onde, em nossas comunidades cristãs, somos cúmplices de coisas que degradam e exploram a terra? Onde podemos trabalhar mais juntos, aprendendo e ensinando a reverência diante da criação de Deus?

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